Vila Sésamo apresenta sua nova personagem, Julia, uma menina com autismo

Há uma nova personagem na turma de Elmo e de toda a “Vila Sésamo”. Ela é Julia, uma menina com autismo, a primeira desde que o programa estreou na televisão americana, no final da década de 60.

Julia faz parte de uma iniciativa da Sesame Street Workshop, uma organização educacional sem fins lucrativos, cuja ação visa atingir todo o território dos Estados Unidos. “As crianças com autismo possuem cinco vezes mais chances de sofrer bullying”, afirmou Jeanette Betancourt, que integra a diretoria da ONG. “Uma em cada 68 crianças possui autismo, o que é muito bullying.”

A campanha é chamada Sesame Street and Autism: See Amazing in All Children (“Vila Sésamo e Autismo: Enxergue o que é Maravilhoso em Todas as Crianças”), e tem por objetivo “reduzir o estigma sobre sobre o autismo.” “Nós queremos que os pais e as crianças entendam que autismo não é um tópico desconfortável”, afirma Sherrie Westin, que também integra a diretoria da Sesame Street Workshop.

Vila Sésamo apresenta sua nova personagem, Julia, uma menina com autismo

A nova muppet está presente em um livro digital e ensina a seus amigos como é a sua maneira de brincar. “Se você tem cinco anos e vê outra criança que não faz contato visual com você, talvez pense que ela não quer brincar contigo. Mas esse não é o caso. Queremos criar maior consciência e empatia”, explica Sherrie.

Além disso, estão inclusos um aplicativo com vídeos e cartões ilustrativos, a fim de tornar o dia a dia da família e das crianças mais fáceis, e traz ainda livros didáticos para os pais e organizações.

Ambos aplicativo e vídeos possuem um diferencial: eles destacam o que há de comum entre as crianças, ao contrário de explicitar as diferenças que existem entre elas, tendo sempre a perspectiva da criança autista. “Isso torna nosso projeto único”, conta Jeanette.

“Quando explicamos de um ponto de vista de uma criança que possui certos comportamentos, como bater palmas ou fazer barulhos para expressar excitação ou tristeza, isso ajuda crianças mais novas a entender como interagir com seus colegas autistas. As crianças se tornam mais confortáveis e mais inclusivas”, ela diz à revista People.

Não só isso, a Sesame Street and Autism: See Amazing in All Children quer ajudar os pais a saberem como fazer tarefas do cotidiano, mas que podem não ser tão simples assim, como escovar os dentes e provar novas comidas. Como muitas buscas são feitas na internet, a iniciativa quer ser referência para quem tem dúvidas.

No Brasil faltam dados específicos sobre autismo, mas estima-se que o país possui cerca de 2 milhões de autistas. Porém, acredita-se que 90% dessas pessoas não tenham sido diagnosticadas. “Falta informação”, afirma Estevão Vadasz, psiquiatra e coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do Instituto de Psiquiatria do HC de São Paulo, em entrevista ao UOL.

De uma maneira geral, os sintomas de autismo numa criança podem aparecer na dificuldade em fazer interações sociais, na comunicação e no contato visual. Crianças um pouco maiores demonstram mais irritabilidade, autoagressão e outros sinais. O tratamento feito antes dos três anos de idade garante resultados notáveis no desenvolvimento dos pequenos.

Por isso, a ação da Sesame Street Workshop é importante, pois ajuda pais, professores e toda a comunidade a lidar com uma criança autista e torna a inclusão dela em sociedade mais tranquila. “Nosso objetivo é levar adiante o que todas as crianças têm em comum, e não suas diferenças. Crianças autistas compartilham da alegria de brincar e amar, e de ser amigo e fazer parte de um grupo”, conclui Jeanette Betancourt, que integra a diretoria da ONG, à revista People.

Por fim, a Sesame Street Workshop produziu um vídeo em que transmite uma simples e poderosa mensagem: a de que todas as crianças são maravilhosas.

H/T: Mic.

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