Uma professora trans e um professor gay abriram os olhos de Meryl Streep para questões LGBT

  08. agosto 2016   Cinema   0

Meryl Streep está com um novo filme nos cinemas, o divertido “Florence: Quem é Essa Mulher?”, que conta a história real de Florence Foster, uma mulher rica e que pensava ser capaz de cantar, apesar de não ter o talento necessário para isso.

Na semana passada, em uma coletiva de imprensa sobre o filme, a atriz contou como aprendeu a cantar e tocar piano – e como aprendeu muito mais do que isso no meio do caminho. “Meu professor de piano e seu parceiro moravam em uma pequena casa em Berkeley Heights, em Nova Jersey”, revelou, segundo informa a revista Advocate. “Eu ia lá uma vez por semana para fazer as minhas aulas”.

Isso aconteceu quando a artista ainda era muito nova. Ela descreveu o local como “mágico” e “uma entrada ao exótico”, e que sua mãe nunca discutiu a orientação sexual do professor da filha, mas incentivava o respeito. “Minha mãe, que nasceu em 1915, nunca disse… Ela chamava os dois de ‘rapazes’. Ela nunca disse ‘os rapazes são gays’ ou que havia algo que ela desaprovava. Mas era uma vida diferente e eles viviam sob a capa de amor das pessoas que os amavam. Eles não eram reconhecidos e não tinham liberdade para ser quem eram”.

E quando ainda era uma adolescente, ela teve uma professora trans, que abriu seus olhos para outras questões. “Meu professor de música na sexta série em Basking Ridge, em Nova Jersey, era Paul Grossman. E, no ano seguinte, ele voltou como Paula. Quem fazia isso naquela época?”, disse Meryl, que não especificou quais pronomes a professora preferia. “Isso era muito, muito incomum. Ele tinha três filhos e continuou casado, mas ele era autêntico e liderava o coral”.

Ela lembrou ainda, que quando nova, um local de maior liberdade era o Greenwich Village, na cidade de Nova York, que é também a mesma área em que ocorreu a Rebelião de Stonewall, em 1969, episódio importante na história do movimento LGBT. “As pessoas que não aprovavam esse estilo de vida, como era chamado naquela época, não iam para lá. E as pessoas que não davam a mínima estavam naquele mundo e amavam”.

Em “Florence: Quem é Essa Mulher?”, o personagem de Simon Helberg (“The Big Bang Theory”), Cosmé McMoon, é um pianista retratado como um homem ainda ‘no armário’. Streep foi então perguntada se acreditava que sua personagem teria aceitado o colega caso soubesse que ele era gay. “Com certeza. Acho que ela amava o mundo das artes e o mundo das artes sempre abraçou as pessoas de todos os jeitos e de todas as formas de expressão”, afirmou. “A arte era onde as pessoas podiam prosperar. Digo, acho que as outras partes da sociedade não eram amigáveis. Então, não sei. Acho que Florence era alguém que abraçava aquele mundo completamente. Não consigo imaginá-la desaprovando Cosmé de alguma maneira ou não amando-o do jeito que ela o amava”.


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