Uma mulher fez uma tatuagem para iniciar uma conversa sobre depressão

  01. setembro 2015   Internet   2

Tatuagem é algo muito pessoal: há quem goste, há que não goste. E aqueles que possuem algo pintado sobre sua pele, em geral, escolhem carregar um desenho ou palavras que possuam algum significado, assim como fez Bekah Miles, uma estudante americana, no final de semana passado.

O segredo está na forma como lemos sua tatuagem. Ao bater o olho, lemos “Estou bem” (“I’m fine”), mas pela perspectiva dela, o que está escrito é “Salve-me” (“Save me”). Seu objetivo é iniciar uma conversa sobre depressão e doenças mentais, tão pouco discutidas socialmente, mas incrivelmente estigmatizadas. O post foi compartilhado mais de 325 mil vezes e teve mais de 400 mil curtidas.

(Dear mom and dad, please don’t kill me over this permanent choice. I want you to hear me out.)Today, I am coming out…

Posted by Bekah Miles on Domingo, 23 de agosto de 2015

“Estou pronta para conversar sobre minha doença mental”, escreve Bekah em seu Facebook. Diagnosticada com depressão no ano passado, ela diz que “foi um problema por um tempo antes disso [diagnóstico], mas acho que piorou ao ponto de mal funcionar”.

“Hoje eu fiz essa tatuagem. Sinto que minha perna é o melhor lugar para o significado por trás dela. Enquanto alguém a vê, lê ‘estou bem’, mas do meu ponto de vista diz ‘salve-me’. Para mim, significa que outras pessoas vejam que essa pessoa parece bem, mas na verdade não está nada bem. Isso me lembra que as pessoas podem aparentar alegria, mas podem estar travando uma batalha dentro de si”.

Doenças mentais como depressão dificilmente são levadas a sério, por serem mais difíceis de serem diagnosticadas. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 7% da população mundial, ou cerca de 400 milhões de pessoas tem depressão. No Brasil, 7,6% dos adultos já foram diagnosticados com depressão, o equivalente a 11 milhões de pessoas, segundo o IBGE. Desse percentual, 52% usa medicamentos.

Entre os jovens do mundo todo, a ONU estima que 20% deles lida com algum tipo de doença mental. Por ser uma época de transição e incertezas, a depressão pode ser confundida com “problemas de idade”.  Jair de Jesus Mari, professor do Departamento de Psiquiatria da Unifesp, estima que entre 50% e 75% dos transtornos mentais tenham início na adolescência. “Os estudos realizados no Brasil e no exterior apontam que se pudermos intervir mais precocemente nesse grupo populacional nesta fase crítica do desenvolvimento, em que os transtornos mentais surgem, será possível diminuir a probabilidade de os jovens apresentarem, no futuro, transtornos psicóticos”.

É um problema sério, que atinge várias pessoas, e seus efeitos se manifestam de diferentes formas, como aponta Bekah em seu post no Facebook. “Para mim, a depressão são aqueles dias onde eu me sinto triste sem qualquer razão. Depressão são as manhãs em que eu sou incapaz de levantar da cama. É dormir muito ou dormir muito pouco”.

O mais importante sobre a doença é procurar ajuda, assim como a americana fez ao ter contato com sua professora da faculdade, que também sofreu com depressão. “Ouvir suas palavras me fizeram perceber que, mesmo que você pareça a pessoa mais feliz, mais inteligente, ou realista do mundo, todos temos problemas. Procurei ajuda logo em seguida. Ela me ajudou a encontrar a ajuda que eu precisava”, contou Bekah ao Buzzfeed.

“Essa é uma das coisas mais difíceis de falar, porque é extremamente difícil para mim ser vulnerável. Mas precisamos falar sobre isso. Doenças mentais são sérias, mas são desacreditadas em nossa sociedade. Nos importamos tanto com a saúde física, mas pouco ligamos pro nosso estado mental. E isso é seriamente ruim. Doenças mentais não são uma escolha e provavelmente atingirá a todos em algum ponto da vida. Se é um problema tão grande, por que não estamos conversando sobre isso?

É por isso que eu fiz essa tatuagem, elas são ótimas para começar uma conversa. Ela me força a falar sobre meu próprio problema e sobre a importância da conscientização. Você se surpreenderia pela quantidade de pessoas que VOCÊ conhece que luta com depressão, ansiedade ou outras doenças mentais. Eu posso ser uma pessoa, mas uma salva outra. E isso é tudo o que eu podia querer”.