Um conto de fadas sobre uma princesa transgênera foi criado e vai derreter o seu coração

Há pouco tempo conhecemos a história de Cíntia, uma princesa que havia sido prometida a um príncipe, mas que desiste do casamento no dia da cerimônia ao perceber que seu amor é a costureira Isthar.

Esse é o enredo do primeiro conto de fadas nacional protagonizado por um casal de lésbicas, “A Princesa e a Costureira”, escrito pela psicóloga Janaína Leslão, e lançado neste mês. Ela contou à Folha de São Paulo que a inspiração veio após perceber que falta material sobre homossexualidade para as crianças.

“A população majoritária, hétero e cis [quem se identifica com o gênero que lhe é designado ao nascer] é representada desde sempre nos contos, e é bom que seja, porque é legal ter algo para se identificar”, explica Janaína. “Mas por que não dar oportunidade para aqueles que nunca tiveram essa identificação? Esse é meu norte criativo.”

Quem também teve a mesma ideia foi o escritor Greg McGoon, autor do livro “The Royal Heart”, que conta a história de Lyric, designada como menino ao nascer, mas que não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído.

Conforme cresce, o sentimento de desconforto com sua identidade só aumenta, o que a faz fugir do castelo. No bosque, ela encontra o espírito de sua falecida avó, que com um toque de mágica, a ajuda na sua transição para a princesa que sempre sentiu ser.

“Lyric finalmente estava livre. Lágrimas escorriam por suas bochechas. ‘Esta é quem eu sou. Esta é quem eu sempre fui. No meu coração, eu soube que não iria ser rei. Mas talvez eu ainda possa ser uma líder'”, diz uma das passagens de “The Royal Heart”, ilustrado por J. Orr.

Um conto de fadas sobre uma princesa transgênera foi criado e vai derreter o seu coração

 

Ao site Refiney29, McGoon contou que espera que o livro não seja conhecido “como o ‘Conto de Fadas Transgênero'”.”É um conto de fadas com uma personagem transgênera. O livro possui temas universais de amor, aceitação e liderança… Eu adoro a ideia de introduzir esse tópico para as crianças, a fim de permitir que elas comecem uma conversa sobre o que significa serem honestas com elas mesmas.”

O autor explicou ao Mic que cresceu com contos de fada da Disney, e começou a estudar as obras dos irmãos Grimm quando mais velho, ficando maravilhado com a simbologia por trás de cada história. Para ele, o gênero era perfeito para a criação de uma história LGBT. “Conforme escrevia, essa ideia de transformação fluiu naturalmente e parecia ser a que mais servia”, ele diz. “Logo em seguida eu tinha uma história que eu amava de verdade. O reconhecimento do amor e aceitação são identificáveis para todo mundo.”

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Greg McGoon afirmou, também, que o preconceito e violência sofridos por pessoas trans nas mais variadas formas é inaceitável, e é por isso que “The Royal Heart” é tão importante, pois ainda mostra uma pessoa trans feliz com quem é. “A menos que você tenha milhões de dólares como Caitlyn Jenner, muitas pessoas não têm o luxo de serem quem são e vivem com essa luta, e é por isso que essa história tem tanta beleza para mim”, defende o autor.

Ele acrescenta que é fundamental para que as crianças tenham contato com diferentes histórias. “É importante deixá-las interagir com os outros e perceberem que há beleza e uma variedade de vidas ao invés de dar a elas uma narrativa limitada.”

“Quero que todo mundo possa ter seu próprio ‘era uma vez’, e que possa fazer parte dos clássicos contos de fadas”, concluiu McGoon ao Refinery29.

Greg McGoon

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