Tudo que Regina King toca vira ouro. E não podia ser diferente com “One Night in Miami”

Como atriz, Regina King já provou todo seu talento, o qual foi reconhecido em diversas premiações, como o Oscar e o Emmy. O que talvez poucas pessoas saibam é que a artista já trabalhou como diretora, tendo dirigido episódios das séries “Scandal” e “This Is Us”. Agora, ela se prepara para que o mundo conheça o fruto do seu mais novo trabalho atrás das câmeras: “One Night in Miami”, longa-metragem que será lançado mundialmente pela Amazon Prime Video.

O filme é uma adaptação de uma peça de mesmo nome, escrita por Kemp Powers, baseada em eventos reais. Na noite de 25 de fevereiro de 1694, o boxeador Cassius Clay (Eli Goree), que ainda seria conhecido como Muhammad Ali, derrotou Sonny Liston e se tornou campeão mundial na categoria pesos-pesados.

Para comemorar, ele se reúne em um hotel em Miami com o ativista pelos direitos civis Malcolm X (Kingsley Ben-Adir); o jogador de futebol americano Jim Brown (Aldis Hodge); e o cantor Sam Cooke (Leslie Odom Jr.), com os quais discute sobre religião, racismo e os papéis de cada um na luta pelos direitos da população negra.

Vale dizer que, em 1964, os Estados Unidos estavam vivenciando o movimento pelos direitos civis dos negros e, naquele ano, o sul do país vivia sob a era Jim Crow, um conjunto de leis que permitia a discriminação racial. Desde assentos específicos em ônibus até banheiros segregados, além da recusa de negros em escolas e hospitais, as leis visavam a marginalização da comunidade negra nos EUA.

O trailer de “One Night in Miami” foi divulgado ontem (18), mas infelizmente sem legendas.

Na prévia, é possível ver os quatro protagonistas conversando sobre a situação política dos Estados Unidos. “Eles não vão dar ao povo negro o que eles querem de verdade”, Clay diz. “E o que é”, Cooke pergunta. “Poder”, responde.

O filme já estreou em festivais de cinema, incluindo no tradicional Festival de Veneza, onde Regina King fez história ao ser a primeira diretora negra a estrear uma produção no evento. Em entrevista ao Entertainment Tonight, ela contou o que a levou a dirigir a obra.

“Eu nunca vi algo assim antes”, disse ao ET. “Eu conheci esses homens, mas esse é, também, meu pai, meu filho, meu tio, melhor amigo. Essa é uma carta de amor de Kemp [roteirista e autor da peça da qual o filme se baseia] à experiência do homem negro e eu queria ser parte disso”.

A diretora e atriz acrescentou, também, que as conversas dos personagens feitas em 1964 são sobre assuntos ainda muito atuais em 2020.

“Adentrando no filme, eu soube o quão poderosas essas conversas eram porque, infelizmente, 60 anos depois, o que esses homens conversavam estão em discussão hoje”, King afirmou. “Quando os protestos começaram a acontecer e nós estávamos em uma pandemia, isso fez com que eu sentisse a necessidade do filme. É mais que apenas uma história, é uma chamada de ação e espero que ele seja recebido dessa maneira”.

“One Night In Miami” foi muito bem recebido pela crítica especializada, e já há rumores de que ele possa render a Regina King uma indicação ao Oscar no ano que vem (detalhe: ela ganhou a famosa estatueta dourada em 2019 como Atriz Coadjuvante). A estreia para o público acontecerá em cinemas selecionados no dia 25 de dezembro. No dia 15 de janeiro de 2021, data que marca o nascimento do ativista Martin Luther King Jr., a obra vai para a Amazon Prime Video.