Segundo Ryan Coogler, diretor de “Pantera Negra”, mulheres trazem novas perspectivas para os filmes

Ryan Coogler, diretor de “Creed: Nascido Para Lutar” e “Fruitvale Station – A Última Parada”, também trabalhará em “Pantera Negra”, primeiro super-herói negro da Marvel a ganhar um filme solo. E assim como nas duas primeiras produções, é bem provável que ele trabalhe com mulheres no seu próximo projeto.

E o motivo não tem a ver com a representatividade que tanto discutimos no Prosa Livre. Assim como Jodie Foster acredita que as mulheres tornam os sets de filmagem mais saudáveis, Ryan pensa da mesma maneira, acrescentando ainda que elas dão novas perspectivas para as obras.

Em entrevista para a revista Fast Company, Coogler foi perguntado se há vantagens criativas em trabalhar com mulheres, citando o fato de que ele havia trabalhado com cinegrafistas mulheres anteriormente.

“Você está errando o ponto totalmente [sobre um sala repleta de homens]”, afirmou o cineasta. “Frequentemente você se encontra numa sala assim. Às vezes, conversando com estúdios, você vai a uma reunião onde há poucas ou nenhuma mulher. Isso não é saudável para o processo criativo.”

“É assim que as coisas quebram. Somos todos prisioneiros de nossas próprias perspectivas. Eu só posso ver o mundo através dos meus olhos. Nas últimas vezes que fiz um filme, tive uma cinegrafista mulher. E, entre meus editores, um deles é mulher. A forma como elas veem as coisas e fazem comentários é radicalmente diferente. E quando você tem esse equilíbrio, é um verdadeiro trunfo.”

Hollywood não é uma das indústrias mais amigáveis para as mulheres que atuam na frente e atrás das câmeras. Um estudo recente examinou produções televisivas e cinematográficas, e verificou que as mulheres representam apenas 15,2% dos cargos de direção na televisão, um percentual ainda menor quando se trata de filmes: 3,4%.

E quando se trata de cinegrafistas, elas são poucas, em torno de 3%. O Oscar, por exemplo, nunca indicou uma única mulher para a categoria de Fotografia em toda sua história.

As palavras de Ryan Coogler não mudam um cenário tão ruim, mas é um alívio que alguém na indústria cinematográfica consiga perceber que a importância das mulheres vai muito além de representação, mas de trazer novas perspectivas e criar coisas novas. E convenhamos, é algo que Hollywood precisa urgentemente.

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