Robin Wright, de “House of Cards”, exigiu e conseguiu o mesmo salário de Kevin Spacey

  18. maio 2016   Televisão   0

Foi no Oscar de 2015 que a atriz Patricia Arquette fez seu famoso discurso sobre a disparidade salarial entre homens e mulheres. Na ocasião, ela foi muito aplaudida pelas mulheres presentes e suas palavras ecoaram por todo o ano, levando cada vez mais mulheres, principalmente dentro da indústria cinematográfica, a manifestarem-se sobre o assunto, tal qual fez Jennifer Lawrence, que escreveu um poderoso artigo sobre o assunto.

Quem mais resolveu falar sobre isso foi Robin Wright, a Claire Underwood do seriado “House of Cards”. Em um evento realizado em Nova York, ela contou que exigiu receber o mesmo salário de Kevin Spacey, seu parceiro na trama. “Eu disse: ‘eu quero ser paga igual ao Kevin’”, ela contou. “Era o paradigma perfeito. Há poucos filmes e séries em que o homem, o patriarca e a matriarca são iguais, e em ‘House of Cards’ eles são.”

Robin contou que olhou as estatísticas e percebeu que sua personagem chegou a ser mais popular do que Frank (Spacey) por um período de tempo, e usou isso a seu favor quando foi negociar com os executivos do estúdio, ameaçando tornar a situação pública. “Então disse: ‘Ou me pagam o mesmo ou vou contar’. E eles aceitaram.”

Segundo informações do Huffington Post Brasil, especula-se que Kevin Spacey chegou a receber US$ 500 mil por episódio nas primeiras temporadas de “House of Cards”. Esse valor teria ido para US$ 1 milhão de dólares por episódio. Segundo a Forbes, Wright fez US$ 5,5 milhões no ano passado, o equivalente a US$ 420 mil por episódio. Além de atuar em todos os episódios do seriado da Netflix, ela também dirigiu  e produziu alguns dos episódios.

Ela agora faz parte de uma lista de atrizes que exigiram um salário igual ao dos homens. No ano passado, Charlize Theron também fez questão de receber o mesmo que Chris Hemsworth para gravar “O Caçador e a Rainha de Gelo”. Em entrevista à Elle UK, a atriz afirmou que é preciso que as mulheres “batam o pé”.

A desigualdade salarial é um assunto que tem conquistado maior espaço na mídia. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social (MTPS), a mulher brasileira recebe, em média, 30% a menos do que os homens. Nos Estados Unidos, de acordo com a organização não-governamental AAUW, as mulheres recebem, em média, 79% do salário de um homem.

A desigualdade é maior quando se leva em conta a raça das mulheres: enquanto as negras não chegam a 40% dos rendimentos de homens brancos no Brasil, na terra do Tio Sam, elas recebem 63% do salário de um homem branco. Para as latinas o abismo é ainda maior: 54%. Segundo uma previsão nada animadora do Fórum Econômico Mundial, a igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho só deve acontecer em 2095, caso as mudanças não sejam mais rápidas.

“Essa é uma ótima época de fazer justiça, e as meninas precisam aprender que ser feminista é algo bom”, afirmou Charlize Theron. “Não quer dizer que você odeia os homens. Significa direitos iguais. Se você faz o mesmo trabalho, então você deve ser remunerada e tratada da mesma maneira.”


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