Quem são as mulheres que vão se apresentar no Lollapalooza Brasil

O Lollapalooza, um dos festivais de música, mais conhecidos do mundo, chega a mais uma edição no Brasil. Entre os dias 25 e 26 de março, 46 atrações se apresentam no Autódromo de Interlagos, em São Paulo, em um evento que mistura vários gêneros musicais e pessoas.

E é seguro dizer que metade – ou boa parte – do público que comparece ao Lollapalooza são mulheres, porém, quando vemos quem são os artistas que vão pisar nos palcos, a realidade é outra. Segundo um levantamento feito pelo Nó de Oito, apenas 8% dos músicos que vão tocar e cantar são mulheres. O percentual é menor do que o encontrado no ano passado, quando cerca de 10% das atrações eram mulheres.

E esse não é um problema apenas desse festival. Outros festivais também possuem uma quantidade muito pequena de mulheres compondo a grade de artistas. Pegue o Coachella, por exemplo, que terá Beyoncé como atração principal neste ano – a primeira mulher em quase uma década. Aliás, segundo o Buzzfeed, desde 1999, quando o evento começou, até hoje, apenas outras duas mulheres foram headliners: Björk, em 2002 e 2007, e Portishead, em 2008. E no que diz respeito ao line-up geral, a participação feminina não ultrapassa um quarto de todos os músicos que se apresentam por lá.

O Huffington Post também fez um levantamento sobre a presença das mulheres em festivais de música e os resultados foram bem decepcionantes. No geral, elas representam apenas 12% de todas as atrações solo e somente 10% dos grupos possuem uma mulher ou mais entre seus integrantes. As justificativas para a baixa presença feminina em festivais variam, mas é possível dizer que o machismo na indústria musical precisa ser levado em consideração.

Dito isso, não é exatamente uma surpresa que o Lollapalooza Brasil tenha poucas mulheres em sua programação. Por isso, é mais do que justo divulgar ainda mais seus nomes, para que o público possa conhecê-las, como também pedir por mais mulheres em futuros eventos musicais.

Veja agora quem são elas:

Tove Lo:

Uma foto publicada por Tove Lo (@tovelo) em

Tove Lo é uma cantora e compositora sueca. Você já deve ter ouvido falar dela, já que é dela a música “Habits (Stay High)”, a qual fez muito sucesso quando foi lançada. Seu envolvimento com as artes aconteceu desde cedo, escrevendo poesias e pequenos contos.

Em 2012, ela lançou sua primeira música, “Love Ballad”, mas foi com “Habits” que ela alcançou o sucesso, conseguindo um contrato com a Universal. Em 2014, ela lançou seu primeiro EP, “Truth Serum”, e em seguida seu álbum de estreia, “Queen of the Clouds”, o qual é dividido em três partes, narrando todas as etapas de um relacionamento. Segundo a própria cantora, suas músicas são uma espécie de terapia, “na qual tudo o que eu não ouso falar, eu canto sobre”.

No final do ano passado, a cantora lançou seu segundo disco, “Lady Wood”, cujo carro-chefe é a canção “Cool Girl”. E o show no Lollapalooza será a segunda vez de Tove Lo no Brasil. Ela veio em 2015, para uma apresentação fechada no Rio de Janeiro, depois de abrir uma série de shows para Katy Perry.

Tegan and Sara:

As irmãs gêmeas canadenses Tegan Rain Quin e Sara Kiersten Quin podem não ser muito conhecidas pelo grande público, mas a dupla já está no cenário há bastante tempo. Juntas, elas lançaram 8 álbuns, com músicas que mesclam o indie rock e o indie pop.

O disco mais recente é “Love You to Death”, de 2016, que foge do indie e possui uma pegada mais pop comercial, assim como o anterior, “Heartthrob”, com o qual também puderam se apresentar com Katy Perry.

“Sinto que eu meio que ‘nasci de novo’ no rádio com o ciclo do último álbum. Percebi que eu era uma filha do rádio mainstream e é interessante explorar isso”, contou Sara ao jornal The New York Times.

Ambas são abertamente lésbicas e criaram em 2016 uma fundação voltada para mulheres LGBT.

“Descobrimos que a falta de verba federal para serviços LGBT, treinamento limitado para médicos sobre as necessidades dos pacientes LGBT e a discriminação no trabalho afetam desproporcionalmente as mulheres. Mais importante ainda, descobrimos que mulheres LGBT estão se sentindo muito rejeitadas e solitárias”, escreveram as irmãs em uma nota.

MØ:

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Nascida na Dinamarca, Karen Marie Ørsted, ou MØ, já é uma figurinha mais conhecida pelos brasileiros, afinal, é dela os vocais na música “Lean On”, sucesso do Major Lazer e DJ Snake.

A música se tornou um sonho para ela ainda criança, quando recebeu um álbum das Spice Girls de presente. Foi em 2013 que ela começou a ser notada em 2013, quando fez o vocal da música “Dear Boy”, do Avicii, presente em “True”, primeiro álbum do DJ. Naquele mesmo ano, a cantora lançou os singles “Pilgrim” e “XXX 88”, além de seu primeiro EP, “Bikini Daze”.

Em 2014, saiu seu primeiro disco, “No Mythologies to Follow”, o qual recebeu boas críticas e foi todo escrito por MØ. “Estou apaixonada por todas as músicas. Elas se encaixam e eu sinto que elas contam uma história”, ela disse à revista Interview. De lá para cá, a moça tem lançado algumas músicas e feito algumas colaborações com outros artistas.

Melanie Martinez:

Melanie Martinez ficou conhecida por ter participado do “The Voice”, no qual cantou “Toxic”, de Britney Spears em sua primeira audição.

Em seu currículo, a moça possui o EP “Dollhouse”, de 2014, e o álbum “Cry Baby”, lançado em 2015, e que chegou à sexta colocação na lista de discos mais vendidos da Billboard em sua estreia.

“Trabalhar nesse álbum foi muito algo emocionante e pessoal. E criar essa personagem, Cry Baby, me ajudou com minhas próprias inseguranças. Eu pude colocar tudo nela, em vez de mim, o que me ajudou muito. Foi um processo, com certeza”, explicou a artista à revista Billboard.

O show no Lollapalooza marcará a segunda passagem dela pelo Brasil. A cantora veio ao país pela primeira vez em 2015.

Céu:

A brasileira Céu, ou Maria do Céu Whitaker Poças, é uma das nossas artistas a fazer sucesso internacionalmente, chegando a receber indicações e prêmios no Grammy Latino.

Seu primeiro disco, “CéU”, foi lançado em 2005, do qual 12 das 15 faixas foram escritas pela cantora. De lá para cá, a cantora fez seu nome e misturou estilos em seus trabalhos, mostrando que não se prende somente ao rótulo da MPB.

Em 2016, ela foi eleita a artista do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, a APCA.

Nervo:

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As irmãs gêmeas australianas Miriam e Olivia Nervo formam o duo Nervo. Elas começaram a carreira como modelos e depois partiram para a música. É delas a autoria de “When Love Takes Over”, música de David Guetta e que possui Kelly Rowland nos vocais. A canção chegou a receber um prêmio no Grammy Awards. A dupla também já escreveu para Kesha e as Pussycat Dolls, além de ter trabalhado com Britney Spears e Kylie Minogue.

De 2010 até hoje, as duas lançaram diversos singles e tocaram em festivais de música eletrônica. Sobre a presença feminina na no cenário musical, Miriam disse ao Huffington Post.

“Se você buscar por ‘DJ mulher’, não aparecem muitas produtoras mulheres com reputação. Você só vê um monta de garotas de biquíni e fones. Se você procurar por ‘DJ homem’, você não vê os caras sem camiseta. Existe um estigma de verdade sobre mulheres na música eletrônica”.

Nikki Monninger (da banda Silversun Pickups):

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O grupo americano Silversun Pickups surgiu em 2002 e possui Nikki Monninger no baixo. O primeiro EP da banda saiu em 2005, intitulado como “Pikul”. Desde então, eles já lançaram 4 discos, o mais recente saiu em 2015, “Better Nature”.

Nikki é mãe de duas meninas e precisou dar uma pausa na carreira para poder cuidar das crianças, mas voltou a tocar logo que pôde.

“Hoje eu tenho um equilíbrio, no qual, quando estou fazendo uma coisa ou outra, eu posso mergulhar nisso, porque eu aprecio ambas as coisas [a maternidade e fazer shows]. Estou feliz e agradecida por ter muito apoio na família. Meu marido e todos os avós me ajudam a tomar conta das garotas quando estou longe. Meu marido trabalha muito para que eu possa fazer isso, portanto, eu sou muito agradecida por fazer e viver de música”, ela contou ao LA Music Blog.

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