Quando se trata de diversidade no Oscar, ainda há muito a ser feito

Acontece hoje (26) a cerimônia de entrega do Oscar, o maior prêmio do cinema dos Estados Unidos. E diferente dos dois últimos anos, a lista de indicados em 2017 é bem diversa: pela primeira vez, sete dos vinte indicados nas categorias de atuação são de minorias étnicas, sendo que três mulheres negras concorrem ao prêmio de ‘Melhor Atriz Coadjuvante’, um cineasta negro concorre a ‘Melhor Diretor’, uma mulher negra disputa a estatueta dourada em ‘Edição’ pela primeira vez, e três produções sobre negros e um homem de origem asiática estão entre os ‘Melhores Filmes’.

Ou seja, há muito o que ser celebrado neste ano, afinal, as críticas realizadas em 2015 e 2016 e as medidas adotadas pela Academia para diversificar a organização fizeram efeito. Contudo, mesmo com um progresso notável entre um ano e outro, ainda há espaço para fazer mais. Muito mais. Uma edição mais diversificada do Oscar não corrige quase 90 anos de invisibilidade negra, asiática, latina, feminina e LGBT na premiação.

Embora haja uma diversidade racial maior em 2017, a diversidade de gênero continuam ruim. Na categoria de direção, pelo sétimo ano consecutivo, não há mulheres indicadas. Aliás, em 88 anos, a Academia nomeou apenas 4 mulheres, sendo que apenas uma saiu vencedora: Kathryn Bigelow, em 2010, por “Guerra ao Terror”.

Aliás, se as categorias de atuação não fossem divididas por gênero, seria bem provável que apenas homens seriam indicados e premiados. Pegue as categorias técnicas: em ‘Fotografia’, uma mulher nunca chegou a ser indicada. Já em ‘Edição’, nenhuma mulher levou o prêmio para a casa. Em ‘Edição de Som’, Ai-Ling Lee e Mildred Iatrou Morgan, de “La La Land”, foram a primeira dupla de mulheres a serem nomeadas. É a 89ª edição do Oscar e ainda estamos falando das “primeiras” mulheres sendo indicadas.

E se a figura não é boa para as mulheres, para LGBTs, minorias étnicas e pessoas com deficiência, a figura também não é nada animadora. Foi para chamar a atenção para essa falta de diversidade que a hashtag #OscarsSoWhite foi criada em 2015, pela jornalista April Reign e ativista. Dois anos depois, ela comemora os avanços, mas lembra que ainda há muito a ser feito.

“Embora tenhamos uma quantidade de filmes que refletem a experiência negra, nós não temos nenhum filme que reflita a experiência latina, a experiência dos asiáticos, dos LGBTs”, contou April à revista Entertainment Weekly. “Vamos lembrar que #OscarsSoWhite não é apenas sobre raça e, definitivamente, não é apenas sobre a raça negra”.

O movimento iniciado pela jornalista levou a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a diversificar sua estrutura, convidando mais mulheres e pessoas de minorias étnicas a fazer parte da organização. Contudo, isso não é o suficiente para diversificar o Oscar.

É preciso que a indústria cinematográfica como um todo se diversifique, contratando mais mulheres, negros, latinos, asiáticos, indígenas, LGBTs e pessoas com deficiência para trabalhar na FRENTE  e ATRÁS das câmeras, bem como estarem em posições de poder dentro dos estúdios, para que filmes com novas perspectivas sejam feitos. Do contrário, teremos sempre as mesmas histórias, mesmas visões e mesmos artistas e, por consequência, os mesmos artistas sendo indicados ao Oscar todos os anos.

Diversidade não pode ser uma tendência, mas tem de ser uma regra. O Oscar e Hollywood precisam viver as palavras que pregam. 2017 é um bom ano para a premiação, mas é sempre bom ter em mente que o trabalho não acabou. E ele não acaba depois que as luzes do cinema se acendem.

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