Presidente Barack Obama escreve carta aberta sobre a importância do feminismo

Ontem (4), foi aniversário do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que completou 55 anos, e escreveu uma carta aberta, publicada no site da revista Glamour, sobre a importância do feminismo na construção de uma sociedade mais igualitária para todas as mulheres e meninas, inclusive suas filhas, Sasha e Malia.

O chefe do executivo americano contou que se está se preparando para ver as duas meninas traçarem seus próprios caminhos, e mesmo que isso pareça difícil, Obama disse estar otimista em relação ao futuro delas. “É uma época extraordinária para ser uma mulher”, afirmou. “O progresso que fizemos nos últimos 100, 50, e, sim, mesmo nesses 8 anos, tornou a vida significativamente melhor para minhas filhas do que foi para minhas avós. E eu digo isso não somente como Presidente, mas também como feminista”.

Em seguida, ele diz ter testemunhado em sua trajetória uma mudança no mercado de trabalho, que relegava as mulheres a trabalhos mal pagos, até o momento atual, um em que elas lideram todos os setores, “do esporte ao espaço, de Hollywood até a Suprema Corte”. “Vi como as mulheres ganharam a liberdade de fazer suas próprias escolhas em relação à forma como querem viver suas vidas, seus corpos, sua educação, carreira, finanças. Já se foram os dias de quando você precisava de um marido para ter um cartão de crédito. Na verdade, mais mulheres do que nunca, casadas ou solteiras, são financeiramente independentes”.

Obama lembrou, contudo, que ainda há muito trabalho a ser feito nos Estados Unidos e no mundo todo, no que diz respeito aos direitos das mulheres, acrescentando que para uma mudança real acontecer, é necessário que cada um mude a si mesmo. “Ainda estamos presos em caixinhas de estereótipos sobre como homens e mulheres deveriam se comportar”, escreveu, afirmando que os papéis de gênero “afetam a forma como meninas se enxergam desde cedo, fazendo com que elas sintam como se não aparentassem ou agissem de determinada maneira, elas seriam menos importantes de alguma maneira”. E continuou: “Na verdade, estereótipos de gênero afetam a todos nós, independentemente de gênero, identidade de gênero ou orientação sexual”.

Criado apenas por sua mãe e sua avó, o presidente doa EUA contou que elas foram responsáveis por fazê-lo entender as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, algo que ficou ainda mais forte após o casamento com Michelle Obama e ser pai de duas meninas. “Você começa a ficar mais consciente de como estereótipos de gênero estão impregnados na nossa sociedade. Você percebe as sutis e não tão sutis sinais sociais que são transmitidos através da cultura. Você sente a pressão enorme sobre as meninas para aparentarem, agirem, e até mesmo pensarem de uma certa maneira”.

Mudar a cultura que subjuga as mulheres é o pedido que Obama faz, de forma que não ensinemos as meninas a serem acanhadas, criticadas por manifestarem suas opiniões ou por sua sexualidade. “Precisamos continuar mudando a atitude que permite o assédio cotidiano das mulheres, seja nas ruas ou na internet. Precisamos continuar mudando a atitude que ensina um homem a sentir-se ameaçado pela presença e sucesso das mulheres”.

Ele lembrou, também, que é preciso acabar com a ideia de que mulheres não podem ser confiantes, competitivas e ambiciosas no ambiente de trabalho, já que tais qualidades ainda não são bem vistas nelas. “Pois você é vista como mandona e, de repente, tudo aquilo que você achava que seria necessário para ter sucesso acabam impedindo seu crescimento”.

Em sua carta, o presidente também escreveu sobre os desafios enfrentados por mulheres e meninas que não são brancas, que lidam com o machismo e o racismo e outras  formas de opressão. “Michelle falou sobre isso várias vezes. Mesmo depois de ter conquistado o sucesso sozinha, ela ainda tinha dúvidas, ela ainda ficava preocupada se estava com a aparência em ordem ou se estava agindo da maneira certa, se estava sendo muito assertiva ou muito ‘brava'”.

Por fim, Obama conclui:

“Absolutamente, também é dos homens a responsabilidade de lutar contra o machismo. […] A boa notícia é que em todo lugar que eu vou, pelo país e pelo mundo, vejo as pessoas enfrentando noções ultrapassadas de papéis de gênero. […] E vocês estão fazendo com que todos nós entendamos que forçar as pessoas a aderir a noções rígidas e antiquadas de identidade não é bom para ninguém – homens, mulheres, gay, hétero, transgênero. Esses estereótipos limitam nossa habilidade de simplesmente sermos nós mesmos.

Quero que todas nossas filhas e filhos vejam que isso também é sua herança. Eu quero que eles saibam que nunca foi apenas sobre Benjamin [Franklin, cujo rosto está na nota de 100 dólares]; é também sobre Tubman [Harriet, mulher negra abolicionista que estampará a nota de 20 dólares]. E eu quero que todos eles ajudem a garantir que os Estados Unidos seja um lugar onde cada criança possa fazer sua vida como quiser.

É isso o que o feminismo do século XXI é: a ideia de que, quando todos somos iguais, todos somos mais livres”.

Para ler o texto completo, clique aqui.

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