Por que seria bacana ter um James Bond negro, gay ou ambos

Pierce Brosnan declarou que um James Bond negro ou gay seria algo interessante. E seria mesmo, onde que a gente assina para isso acontecer?

Pierce Brosnan, ator irlandês e o eterno agente secreto James Bond, deu uma recente entrevista para a revista Details deste mês. Entre as perguntas feitas pela publicação, uma delas chamou a atenção da internet: “você imagina um 007 gay?“. “Claro. Por que não?”, respondeu Brosnan. “Na verdade, não sei como seria. Acho que a Barbara [Broccoli, produtora da franquia James Bond] não permitiria um Bond gay durante sua vida. Mas seria um ponto de vista interessante. Vamos começar com um ator negro sendo James Bond. Idris Elba tem o físico, o carisma e a presença. Mas acho que o Daniel [Craig, atual 007] estará por aí por mais algum tempo”.

É muito bacana ver o ator apoiando a diversidade dentro de uma das franquias mais famosas do cinema. O agente secreto, desde sua primeira aparição nas grandes telas, em 1962, sempre foi vivido por um ator branco. E embora Daniel Craig volte na pele do 007 em outubro deste ano, Idris Elba, que já foi cotado para interpretar James Bond – de acordo com os documentos vazados da Sony -, seria uma ótima escolha, apoiada até mesmo pelo próprio Pierce Brosnan e fãs da série cinematográfica.

E por que seria bacana e interessante o agente secreto negro, gay ou ambos? Por que esse tipo de personagem são poucos ou não existem. No começo de agosto foi divulgado um relatório sobre a representação de minorias em Hollywood pela Escola Annenberg de Comunicação e Jornalismo, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), através da Iniciativa ‘Mídia, Diversidade & Mudança Social’. O estudo revela que negros foram apenas 12,3% dos personagens entre os 100 maiores filmes lançados em 2014.

Quando se trata de personagens LGBT, a figura não melhora. No ano passado, entre os 100 filmes campeões de bilheteria, houve apenas 19 personagens homossexuais, sendo 10 deles gays, 4 lésbicas e 5 bissexuais. Pessoas trans não tiveram qualquer representação entre as maiores produções. E a maioria dos personagens eram brancos (84,2%).

Ou seja, ainda que Idris Elba fosse o novo 007, seja ele negro, gay ou ambos, isso não resolveria o problema de diversidade da indústria cinematográfica. Mas abre uma nova perspectiva para público e atores, que querem ser representados e representar uma parcela da população que mal tem suas histórias contadas.

O seriado Arrow, por exemplo, confirmou um super-herói negro e gay recentemente. Um James Bond com as mesmas características – ou algumas delas – com certeza seria muito bem-vindo também. O apoio do ex-agente secreto Pierce Brosnan nós já temos. Qual operação precisaremos montar para fazer Patricia Broccoli mudar de ideia?

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