Por favor, parem de tratar LGBTs como piada

Nesta semana, rolou um vídeo no Facebook, no qual uma garota decide “trollar” a mãe dizendo que é lésbica. A mãe tem uma reação assustadora, mas  tudo é esclarecido no final como uma brincadeira. É tudo uma grande piada, exceto que não é. Não é e nunca foi.

Eis algo para se ter em mente: sair do armário é uma parte importante da vida de qualquer gay, lésbica, bissexual e pessoa trans. E em muitos casos, mas muitos mesmo, o que acontece em seguida não é nada divertido. Muito pelo contrário: envolve traumas, dores, muitos jovens são expulsos de casa, quando não são agredidos, colocados em cárcere privado ou até mortos.

Pode parecer exagero, mas fato é que muitas famílias ainda não aceitam filhos LGBT. É dentro de casa que começa a violência homofóbica e transfóbica para muita gente, o que leva muitos a desenvolver transtornos mentais. Na verdade, segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Ciências Médicas da Unicamp, homossexuais têm uma tendência maior a ter depressão ou ansiedade. O preconceito dentro de casa, de acordo com o estudo, acaba aumentando ainda mais a probabilidade de desenvolvimento de doenças psíquicas.

Não só isso, muitas famílias sequer pensam duas vezes antes de expulsar filhos que são LGBT de suas casas. Nos Estados Unidos, um levantamento recente descobriu que 40% dos moradores de rua se identificam como gays, lésbicas, bissexuais ou pessoas trans. Pior ainda, o número desses jovens nas ruas não para de subir.

E não vamos nos esquecer da realidade brasileira. Por aqui, um LGBT é morto a cada 28 horas, o país é recorde na morte de travestis e transexuais, cuja população possui uma expectativa de vida de 35 anos e que só encontra na prostituição um meio de subsistência.

Onde está a graça nisso tudo?

Ser LGBT não é uma piada para você colocar na internet para conseguir curtidas e atenção. Não é. Ser LGBT é dolorido e implica resistir em um mundo que insiste em querer apagar nossas identidades o tempo todo. É desumanizador fazer uso de nossa sexualidade/identidade de gênero nessas “brincadeiras”, porque elas reforçam estigmas e ainda legitimam a violência contra todos nós, já que a mensagem transmitida é que isso é algo menor e sem importância. Nós estamos sendo agredidos e mortos todos os dias. Quantas vezes mais precisaremos gritar para que nos respeitem?

Estou cansado de pessoas cisgêneras (que não são trans) e heterossexuais diminuindo nossas existências a “trollagens” na internet para fazer o público rir. Mesmo que o ponto seja mostrar como a violência contra a gente se dê dentro de casa, nós não precisamos dessas mesmas pessoas para falar o que estamos falando há tempos. A diferença é que não nos escutam e, portanto, sempre há uma boa alma cis-hétero para se manifestar pela gente.

Se você quer mesmo apoiar a causa, então comece conversando com quem tem preconceito contra LGBTs, peça por mais representação LGBT na mídia, rebata homofobia/transfobia quando presenciar alguma, e não faça piadas com a nossa sexualidade/identidade de gênero. Essa é a melhor forma de ajudar.

Do contrário, se você quiser saber como é sair do armário, pergunte a um gay, uma lésbica, bissexual ou pessoa trans. Nós podemos contar exatamente como é. E posso garantir: muitos casos não terminam com risos e curtidas.

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