Olivia Wilde fez um excelente ponto sobre a importância do acesso ao aborto legal e seguro

Na terça-feira da semana passada (7), Olivia Wilde foi a anfitriã de um evento que homenageia médicos nos Estados Unidos, cujo trabalho é voltado para a realização de abortos e serviços de saúde reprodutiva.

Grávida pela segunda vez, a atriz de “Meadowland” e da extinta série “House”, entende que ser mãe deve ser uma questão de escolha e que é preciso garantir o acesso ao aborto seguro para todas as mulheres.

“Enquanto ser humano, mãe e uma grávida que adora bebês, fiquei profundamente inspirada com todo mundo que encontrei hoje à noite”, escreveu Olivia no Instagram. “Não importa no que você acredita, eis a verdade: o aborto não vai parar. As pessoas vão procurar uma maneira, independente se é seguro e legal ou potencialmente mortal. Então, não vamos deixar a ideologia ficar na frente da evidência. Vamos cuidar uns dos outros e trabalhar duro para acabar com essa caça aos nossos direitos reprodutivos.”

Nos Estados Unidos, o aborto foi legalizado em todo o território em 1973, num caso que ficou conhecido como Roe vs Wade. Contudo, com o aumento de políticos do Partido Republicano (conservador) nas assembleias estaduais, as mulheres têm encontrado uma dificuldade maior para interromper a gravidez, uma vez que a clínicas onde o procedimento é realizado estão sendo fechadas no país.

De acordo com dados obtidos pelo site Bloomberg, desde 2011, 162 das clínicas encerraram suas atividades, enquanto apenas 21 foram abertas. Somente o Estado do Texas fechou 75% delas, após uma legislação ter sido promulgada em 2013,  a qual estabeleceu critérios que dificultam o funcionamento dos estabelecimentos e, por consequência, o acesso ao aborto às mulheres que precisam dele, as quais têm sido obrigadas a viajar para outros Estados para conseguir realizar o procedimento. As mulheres mais pobres, obviamente, foram as mais afetadas.

“Tudo se resume a um problema de classe”, afirmou Olivia Wilde ao site da revista Cosmopolitan. “Seria ignorante dizer que não é isso. É muito importante que todos nós que temos acesso a um plano de saúde e ao aborto que nos manifestemos.”

No Brasil, o aborto só é permitido em três situações: em caso de estupro, risco de morte para a gestante ou em caso de anencefalia, ou seja, quando o feto não tem cérebro. Entretanto, isso não impede que as mulheres realizem o procedimento, o que tem custado vidas, especialmente das mulheres mais pobres. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma brasileira morre a cada dois dias por conta de abortos mal feitos e um milhão deles são clandestinos e feitos no país todos os anos. Não fosse só isso, há um projeto de lei (PL) na Câmara que dificulta o acesso ao aborto em caso de violência sexual.

A gravidez deveria ser uma escolha e não uma obrigação. Como disse disse a atriz anteriormente, quem precisa de um aborto recorre a ele de qualquer maneira. Então, é melhor torná-lo legal e seguro, para evitar as mortes das mulheres.

Olivia contou ainda que teve sorte de escolher a hora certa para ser mãe e por ter acesso a métodos contraceptivos quando precisou, mas lembrou que esse não é um privilégio para todas as mulheres.

“Eu diria que é nossa responsabilidade lutar por nossas irmãs. Estamos todas conectadas por sermos mulheres. E os homens também. Como vimos, esses ótimos homens são ativistas nesse movimento [os médicos homenageados no evento que participou] também. Todos nós precisamos cuidar uns dos outros.”

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