O próximo 007 será uma mulher: conheça Lynch. Lashana Lynch

Já tem algum tempo que se especula sobre quem será o ator a substituir Daniel Craig na famosa franquia do agente secreto britânico 007. O artista dá vida ao personagem desde 2006, com o filme “Cassino Royale”, e quatro filmes depois, despede-se da saga em “Sem Tempo para Morrer”, cuja estreia está prevista para abril de 2021 no Brasil. Idris Elba já foi cotado para o papel,  mas contou ter desistido após ler diversos comentários racistas nas redes sociais.

Porém, nesta semana, foi revelada (ou confirmada) a identidade do ator que interpretará o próximo 007. Ou melhor, a atriz. Ela é Lashana Lynch, uma britânica que descende de jamaicanos, e que você provavelmente já conhece, graças ao papel de Maria Rambeau em “Capitã Marvel”.

Em entrevista à revista Harper’s Bazaar, a atriz contou que já assume o posto de 007 em “Sem Tempo para Morrer”, no qual é Nomi, a substituta de James Bond (Craig). O espião, que está aposentado, retorna para uma última missão no longa-metragem, e trabalhará ao lado da personagem.

E embora seja uma grande oportunidade, Lashana contou que, a princípio, teve reservas quanto a aceitar o papel, pois não queria ser a “sombra de nenhum homem”, assim como também não queria interpretar uma versão estereotipada de uma mulher negra.

Em conversa com a produtora Barbara Broccoli e o diretor Cary Joji Fukunaga, Lynch percebeu que ambos estavam ao seu lado na empreitada. Ela também conversou com Phoebe Waller-Bridge (mundialmente conhecida pela série “Fleabag”), roteirista responsável por trazer “uma perspectiva feminina para a produção”, para garantir que Nomi fosse “bem desenhada, crível e talvez até um pouco esquisita”, segundo a revista.

“Uma personagem muito superficial ou rígida? Isso vai completamente na contramão do que eu acredito”, disse a atriz à revista Harper’s Bazaar. “Eu não queria desperdiçar uma oportunidade no que diz respeito ao que Nomi pode representar. Eu procurei no roteiro por, pelo menos, um momento no qual o público negro acenaria com a cabeça, lamentando a realidade, mas satisfeito em ver a vida real sendo representada. Em cada projeto que eu participo, não importa o orçamento ou o gênero, a experiência negra que eu apresento precisa ser 100% autêntica”.

Sendo uma mulher e negra, Lashana contou que, desde que foi anunciada a possibilidade de que uma mulher negra seria a nova 007, foi bombardeada por ataques racistas e misóginos. Por uma semana, ela ficou sem acessar as redes sociais, meditou e viu apenas a família, para descansar a mente e entender que a fúria dos fãs da saga não era algo pessoal.

“Eu sou uma mulher negra. Qualquer mulher negra que estivesse nesse papel também estaria na mesma conversa; ela sofreria os mesmos ataques, os mesmos abusos”, afirmou. “Eu só preciso me lembrar que essa conversa está acontecendo e eu sou parte de algo muito, muito revolucionário”.

Como dito anteriormente, Lynch ficou conhecida no mundo todo pelo papel de Maria Rambeau em “Capitã Marvel”, cuja personagem era a pilota e melhor amiga da super-heroína Carol Danvers (Brie Larson). Ryan Fleck, um dos diretores do filme, revelou à revista Empire  que o teste de Lashana para o papel foi emocionante – o que demonstra o comprometimento e o brilhantismo dela.

“Quando ela fez a audição para o papel, ela fez a leitura com a Brie, e literalmente me fez chorar”, relembrou o cineasta. “É preciso de muita coisa para me fazer chorar e eu tive que me esconder em um canto para tentar secar meus olhos”.

Contudo, a atriz atuou anteriormente em “Fastgirls”, de 2012, e em “Brotherhood”, de 2016. Na televisão, ela protagonizou a série “Still Star-Crossed”, de Shonda Rhimes, que imagina o que teria acontecido depois das mortes de Romeu e Julieta. A produção, no entanto, foi cancelada ainda no primeiro ano. Ela também tem em seu currículos outras séries na TV.

Uma curiosidade sobre Lashana Lynch é o fato de que ela, originalmente, queria ser cantora e não atriz. A artista sabe cantar e foi encorajada por uma professora a aprender a atuar. A britânica estudou na  escola de artes Sylvia Young Theatre School, mesma instituição onde Dua Lipa, Daniel Kaluuya e Amy Winehouse estudaram.

Agora, “Sem Tempo para Morrer”, vem para consolidar a carreira de Lynch, que tem em suas mãos um papel transformador em muitos sentidos.

“Eu me sinto grata por poder desafiar narrativas [sobre raça e gênero]”, contou à Harper’s Bazaar. “Estamos deixando para trás a masculinidade tóxica, e isso está acontecendo porque as mulheres estão se abrindo, são exigentes e estão denunciando maus comportamentos logo que os vemos”.

Com certeza, ainda veremos muito de Lashana Lynch por aí!

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Caption this. All I see is a 2020 side eye.

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