Nova série da Netflix, “Atypical”, trata de autismo com bom humor

Em “Atypical”, nova série da Netflix, conhecemos Sam, um jovem com autismo que está disposto a começar a namorar e tornar-se adulto.

Boto fé que boa parte do sucesso da Netflix se deve ao fato de que a plataforma de streaming investe em contar histórias diversas, isto é, que possuem perspectivas diferentes daquelas que Hollywood costuma produzir. Não só isso, suas atrações quase sempre possuem alguma temática social a ser discutida. E com “Atypical”, isso não poderia ser diferente.

O seriado protagonizado por Keir Gilchrist (“Corrente do Mal”) foca na vida de Sam, um garoto que não vê a hora de começar a namorar, assim como qualquer adolescente. Há apenas uma pequena diferença: o rapaz possui autismo, o que torna interações sociais um pouco mais complicadas.

Ontem (20), a Netflix divulgou um pequeno teaser da “Atypical”, o qual traz Sam e sua superprotetora mãe Elsa (Jennifer Jason Leigh – “Os 8 Odiados”), em um carro, conversando sobre relacionamentos.

“É isso o que você quer? Você quer namorar?”, ela pergunta. “Você não tem medo de se machucar?”
“Não se eu namorar um grande tubarão branco”, ele responde. “Eu entendo o que você quer dizer. Você está falando dos meus sentimentos, né?”
“Sim”.
“Falar com garotas me deixa nervoso, mas a Julia [sua terapeuta] diz que é bom fazer coisas que nos assustam”.
“Às vezes. O medo também está ali por uma questão biológica. Lute ou voe, né? Se eu estiver andando por uma rua escura e começar a sentir medo, é o meu corpo tentando me proteger de rapazes com facas”.
“Mãe, eu estou ficando mais velho e em algum momento eu espero que eu possa ver peitos”.

Mas, mais do que focar apenas no que torna Sam diferente dos outros, o seriado foca no que o torna exatamente como todos os outros: a confusão da adolescência, o começar a tornar-se adulto, ter relacionamentos, amizades etc. Pelo menos, essa é a intenção de Robia Rashid, criadora da atração. 

“O tema é: ninguém é normal”, ela contou ao USA Today.

Ainda assim, “Atypical” conta a história de um garoto autista e, para realizar tal tarefa de maneira apurada, ela fez questão de ter a consultoria de um professor da Universidade do Sul da Califórnia, que trabalhou no Centro de Pesquisa e Tratamento para Autismo da UCLA. Porém, Rashid ressalta que essa é a narrativa de apenas um indivíduo, e não necessariamente será o retrato de todas as pessoas com o mesmo distúrbio.

“Estamos contando a história desse jovem no espectro [autista], e essa é a sua vida. É a história específica dessa família”, ela afirmou ao USA Today.

O autismo é um transtorno mais comum entre meninos do que em meninas (a cada quatro crianças com a condição, apenas uma é gênero feminino), e afeta o desenvolvimento do indivíduo. Ele pode ser identificado até os 3 primeiros anos de idade da criança, e pode comprometer a linguagem, limitando a fala, as interações sociais, fazendo com que a pessoa tenha uma tendência ao isolamento, e também pode impactar no comportamento, como fazer algo repetidamente.

Existem diferentes graus de autismo e algumas crianças possuem níveis mais brandos até mais severos, nos quais a pessoa pode ter um comportamento mais agressivo e dificuldade de aprendizado. O diagnóstico não é tão fácil, por isso, é preciso atenção dos pais, e em caso de dúvida, é preciso procurar um especialista, pois quanto mais cedo o tratamento começar, melhor será a qualidade de vida do indivíduo com o distúrbio.

Além de Keir Gilchrist e Jennifer Jason Leigh, estão no elenco de “Atypical” Michael Rapaport, Brigette Lundy-Payne e Amy Okuda. A série estreia na Netflix no dia 11 de agosto.