Nós podemos mudar de opinião, mas precisamos nos abrir a isso

  19. Março 2015   Internet   0

Ontem, iniciou-se uma discussão no Twitter sobre gays afeminados. Um garoto homossexual postou uma mensagem sobre não concordar com a postura desses meninos afeminados, e precisou defender seu ponto de vista o dia todo, já que foi bombardeado por sua opinião preconceituosa. O caso recebeu até um artigo bem informativo sobre a questão no Buzzfeed Brasil.

Há pouco tempo, o ator Russel Tovey, da série da HBO, “Looking”, que também é homossexual, declarou ser agradecido a seu pai por não ter permitido que o filho fosse um gay afeminado.

Eu fiquei realmente entristecido com o posicionamento dos dois, pois, como homossexuais, sabem bem como é conviver com a discriminação, os olhares tortos, as risadas e as “piadas” sem graça sobre a orientação sexual. Ao mesmo tempo, tenho consciência de que somos todos socializados na mesma sociedade homofóbica, machista e racista e, portanto, todos acabamos reproduzindo os mesmos discursos opressores, em algum momento da vida.

O que não torna a situação mais aceitável, mas nos faz refletir, não? Todos nós já tivemos (e muita gente ainda tem) alguma opinião preconceituosa sobre qualquer coisa, e sentimos a necessidade de colocá-la para fora. Se alguém discorda dela, vem a defensiva: “respeite a minha liberdade de expressão”. Existe uma diferença entre “liberdade de expressão” e “discurso de ódio”. ” […] A partir do momento em que alguém abusa de sua liberdade de expressão, indo além de expor a sua opinião, espalhando o ódio e incitando à violência, isso pode trazer consequências mais graves à vida de outras pessoas”, escreveu o jornalista Leonardo Sakamoto, em seu texto em que fiz o link acima.

Eu acredito muito, mas muito mesmo, que as pessoas possam mudar de ideia e de opinião. Eu, com certeza, não penso da mesma forma que pensava há 10, 15 anos… Ainda bem! Caso contrário estaria vivendo numa bolha, sem contato com a realidade. Mas eu me permiti ouvir outros pontos de vista. Eu me abri para que outras pudessem falar. Foi assim que criei empatia.

Abrir-se a novas forma de pensar, embora pareça algo simples, não é, pois requer que esvaziemos nossa cabeça de tudo aquilo que até então conhecíamos, para permitir que o novo entre. Para o bem ou para o mal, todo mundo muda. A vida vai moldando a gente.

Ao receber informações novas, é normal o choque interno. Há uma rachadura naquilo que acreditávamos. Contudo, nem todo mundo absorve o novo, mesmo que seja algo como “deixa as pessoas serem como são”. O que muda na vida de qualquer pessoa se um homem é afeminado ou não? Nada, porque não é da conta de ninguém.

Não só eu, mas meus irmãos, amigos, conhecidos e várias pessoas que leio pela internet, todos, em algum momento da vida, já mudaram de opinião sobre algo. Não é regra ser um babaca escroto para o resto da vida. Nós podemos mudar de opinião. Mas é preciso estar aberto a isso. Achar que sua verdade é absoluta e intocável é de muita arrogância e prepotência. Existe vida fora do seu mundinho.

Até hoje repenso aquilo em que acredito. É importante fazer uma auto-crítica, pois ela nos permite reavaliar a nossa própria existência. Eu sou muito grato pelas pessoas que passaram pela minha vida, pois me fizeram olhar com mais carinho e empatia o outro.

Eu espero que o garoto que não gosta de gays afeminados possa pensar de novo sobre isso. Acredito que eventualmente irá. Basta se abrir ao novo. Porque a vida ensina de um jeito de outro, e eu prefiro que seja do modo mais fácil…