Natalie Portman acha que há muitos filmes sobre homens brancos sendo feitos. E ela está certa

Natalie Portman lança no mês que vem “Jackie”, filme sobre a ex-primeira dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy, que foi casada com o presidente John F. Kennedy, o qual assassinado enquanto desfilava em carro aberto pelas ruas de Dallas, no Texas, em 1963. O filme acompanha o episódio e suas consequências pela perspectiva da personagem-título.

A atriz conversou sobre a produção com a revista New York Magazine, para a qual revelou que buscou representar a icônica primeira dama de forma humana, apresentando “diferentes aspectos dela que não a tornam nossa heroína”, e acrescentou que a estudou por meio de livros e entrevistas feitas com a viúva do 35º presidente dos EUA, reconhecendo que há semelhanças entre Natalie e Jacqueline, já que a segunda também fazia atuações “em público, em particular – e, por vezes, uma performance transformativa – , e que estava sempre ligada ao mundo que a assistia”, como descreveu a publicação.

“Ela estava muito à frente de seu tempo ao ter uma certa agência ao contar sua própria história”, acredita Portman. “Essa é obsessão de todos hoje em dia: apresentar essa imagem que eles querem mostrar ao mundo. Isso foi bem visionário por parte dela”.

“Jackie” também é um filme que traz uma personagem complexa, um tipo de papel que não é frequentemente dado às mulheres, o que levou a ganhadora do Oscar por “Cisne Negro” a se afastar um pouco de Hollywood nos últimos tempos. Ela disse à New York Magazine que “não há vários papéis bons para mulheres aparecendo”, e acredita que a situação era melhor nas décadas de 50 e 60, quando “havia personagens femininas fortes o tempo todo”.

“Mesmo que eles fizessem comentários machistas ocasionalmente, eles tinham uma mulher como personagem central com personalidade”, contou. “Hoje, eu acho que os filmes são todos sobre homens brancos, e alguns poucos sobre mulheres”.

E Natalie Portman não está errada. Diversos estudos sobre diversidade no cinema mostram como a indústria é dominada por homens brancos.

Por exemplo, uma pesquisa feita pela Escola Annenberg de Jornalismo e Comunicação, da Universidade do Sul da Califórnia (USC), que avaliou os 100 maiores filmes de 2015, apresentou resultados enfurecedores: as mulheres foram somente 31,4% de todas as personagens apresentadas no ano passado, possuem mais chances de usarem pouca ou nenhuma roupa, e minoria entre diretores (7,5%), roteiristas (11,8%) e produtores (22%). Além disso, quase 74% de todos os personagens no ano passado eram brancos.

Outro exemplo vem de um levantamento feito pelo Center for the Study of Women in Television and Film, da Universidade Estadual de San Diego. Ele diz que estamos vendo mais mulheres no cinema, porém, não o suficiente (elas foram 22% das protagonistas dos filmes de 2015), sendo a maioria delas brancas, jovens, e em papéis como mães e esposas.

É por isso que Natalie Portman tem escolhido com mais cuidado seus próximos trabalhos. O próximo também será uma biografia: a advogada Ruth Bader Ginsburg, juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos, a qual lutou pelos direitos das mulheres na década de 70.

A atriz, que após a eleição de Donald Trump disse que é preciso ensinar as meninas a ser líderes mais do que nunca, contou à NYM que quer se envolver mais em causas políticas, a começar com seu novo filme, para o qual ela insistiu em ter uma diretora mulher, cujo nome será anunciado em breve.

“Com todas as questões envolvendo a discriminação por gênero em Hollywood agora, como eu não poderia fazer isso?”, concluiu a artista.

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