Mulheres ficaram com apenas 27% das falas nos grandes filmes de 2016

Embora o ano de 2016 tenha terminado com dois filmes com protagonistas femininas como os mais assistidos nos Estados Unidos (“Star Wars: Rogue One” e “Procurando Dory”), isso não significa que a representação feminina tenha melhorado no cinema.

Enquanto alguns grandes filmes tenham falhado no Teste de Bechdel, outros sequer deram espaço para que as mulheres pudessem falar. E estamos falando de longas nos quais a personagem central é uma mulher. Foi isso o que descobriu a pesquisadora de dados Amber Thomas, a qual estava empolgada para ver “Rogue One”, mas percebeu um problema: ela era, muitas vezes, a única mulher em meio a um grupo de homens.

“Parecia estranhamente familiar uma protagonista feminina ser tão solitária. Então, eu percebi que Jyn (Felicity Jones) e a Princesa Leia (Carrie Fisher) sofreram com a mesma desigualdade, ainda que com 39 anos de diferença. Eu precisava saber exatamente como a representação feminina em ‘Star Wars’ tinha mudado, mas parecia injusto fazer uma comparação entre os filmes feitos hoje e aqueles feitos décadas atrás”.

Amber decidiu então fazer uma pesquisa com alguns dos maiores filmes de 2016 nos EUA: “Star Wars: Rogue One”, “Procurando Dory”, “Capitão América: Guerra Civil”, “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, “Mogli: O Menino Lobo”, “Deadpool”, “Zootopia”, “Batman Vs Superman”, “Esquadrão Suicida” e “Animais Fantásticos e Onde Habitam”.

Seu foco foi somente voltado para os diálogos, para que ela tivesse uma ideia exata dos personagens que possuem muita importância nas narrativas apresentadas.

E eis os resultados:

  • “Procurando Dory” foi a produção com a melhor colocação: há 43% de personagens femininas e 53% dos diálogos foram feitos por elas;
  • em seguida vem “Zootopia”: 38% de personagens femininas e 46% de diálogo;
  • “Esquadrão Suicida” e “Animais Fantásticos” possuem a mesma quantidade de diálogo: 32%. Contudo, o primeiro possui somente 22% de personagens femininas, enquanto o segundo possui 32%;
  • 24% do elenco de “Batman Vs Superman” é formado por mulheres e 23% dos diálogos no filme são feitos por elas;
  • “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, “Deadpool”, “Star Wars: Rogue One” e Capitão América possuem números muito baixos de diálogos feitos por mulheres. Respectivamente, elas formam 19%, 17%, 17% e 16%. O que chama atenção é que “Rogue One” é protagonizado por uma mulher, Jyn Erso, que foi a responsável por quase todos os diálogos femininos na obra (ela possui apenas 9% de personagens femininas);
  • o pior avaliado foi “Mogli: O Menino Lobo”, o qual teve 21% de personagens femininas e 10% de diálogos feitos por elas.

O que podemos constatar ao ver esses dados é que os espaços para mulheres são maiores entre as animações, que lideram em quantidade de personagens e diálogos femininos. Ou como afirmou o site Mary Sue, “a única forma que permitimos personagens femininas dizer muitas palavras é se elas forem animais em animações. Isso é mais fácil de comprar do que uma mulher humana de verdade falando e desenvolvendo o enredo?”

Enquanto um estudo sobre a representação de minorias no cinema em 2016 ainda não tenha sido feito, em 2015 as mulheres foram somente 31,4% dos personagens nos 100 filmes mais populares daquele ano. E embora seja um número maior do que o encontrado em 2014, ainda são figuras decepcionantes, uma vez que mulheres correspondem a metade da população mundial e estão em todas as profissões.

Como vamos evoluir, enquanto sociedade, se estamos impedindo que as mulheres ocupem espaços? Essa é uma pergunta não apenas para roteiristas e Hollywood, mas para todos nós.

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