Miley Cyrus fala sobre identidade de gênero e sexualidade fluida em entrevista à revista Paper

  11. junho 2015   POP   2

No começo da semana, a revista Paper divulgou sua capa, que traz a cantora Miley Cyrus abraçada a seu porco, Bubba Sue. A imagem logo ganhou a internet, mas é a entrevista da voz de “Wrecking Ball” que chama mesmo a atenção. À publicação, Miley falou sobre ter tornado-se vegana, sexualidade, sair do armário e política.

É importante frisar o esforço que Miley Cyrus tem feito para ajudar o próximo, em especial, jovens LGBT e sem moradia. No VMA do ano passado, ao ganhar o prêmio de “Clipe do Ano“, quem recebeu a estatueta de astronauta prateado em seu lugar foi Jesse Helt, um rapaz morador de rua. “Recebo esse prêmio em nome de 1,6 milhão de jovens sem um lar. Eu vivi em abrigos. Embora eu seja invisível nas ruas, eu tenho os mesmos sonhos que todos vocês”, disse ele em um discurso que emocionou aos presentes.

“Já experimentei fama, dinheiro, e toda essa merda – e nada te deixa mais feliz do que lutar de verdade por alguma coisa”, contou Miley à revista “Out” no mês passado, quando lançou sua instituição, a Happy Hippie Foundation, que visa arrecadar fundos para jovens LGBT em situação vulnerável. Em parte movida pela morte da jovens transgênero Leelah Alcorn, que se suicidou no final do ano passado ao ser obrigada pelos pais a participar da “terapia de conversão”, a cantora quer fazer o que for possível para amparar essas pessoas. “Não podemos continuar a reparar nessas crianças quando for tarde demais”, explica à Paper.

Com a Happy Hippie Foundation, Miley quer ajudar a mudar a vida de quem pouco ou nada tem, vítimas de preconceito familiar e da falta de políticas públicas que protejam as pessoas LGBT. No manifesto publicado no site de sua instituição, dados alarmantes mostram que é necessário ações que possam corrigir uma sociedade que fecha os olhos a um problema que, infelizmente, parece ter tornado-se parte da paisagem urbana:

  • 1.6 milhões de jovens ficam sem moradia por ano;
  • 40% deles são LGBT, e a rejeição familiar é causa mais comum para essas pessoas saírem de casa;
  • 25% dos jovens sem-teto foram abusados sexual ou fisicamente;
  • Quase um em cada 3 pessoas transgênero foram rejeitados em abrigos.

A falta de moradia preocupa Miley desde o momento em que tomou consciência de seus privilégios sociais. “Eu estava fazendo um show há duas noites, e eu usava tapa mamilo de borboleta e asas de borboletas. Estou em cima do palco com meus seios de fora, vestida como uma uma borboleta. Como isso é justo? Como eu sou tão sortuda?”, indaga-se a cantora, que lembra da invisibilidade de quem está nas ruas. “Não consigo dirigir meu Porsche e não fazer algo. Eu vejo isso o dia todo: as pessoas dirigem seus Bentleys, Rolls e Ubers, e passam pelos veteranos que lutaram pelo nosso país ou pelas jovens mulheres que foram estupradas”.

Parece ser brincadeira daquela cantora que mostra a língua o tempo todo se engajar, de verdade, em questões sociais, mas o ativismo de Miley deve ser levado a sério. Ela tem sido uma das artistas que mais tem usado sua plataforma para chamar atenção para questões sérias e reclamar de políticos, como fez com o governador do Estado de Indiana, Mike Pence, e sua lei de “liberdade religiosa“, a quem chamou de “babaca” em seu Instagram. “Essas pessoas [não deveriam] fazer nossas leis”, afirma ela, referenciando-se a políticos religiosos fundamentalistas (alô, Brasil!). “É insano. Nós superamos os contos de fadas, superamos Papai Noel e a Fada dos Dentes”.

O ativismo de Miley Cyrus pelas causas LGBT também pode ser entendido como uma forma de luta pela sua própria liberdade de ser quem é. A cantora voltou a afirmar que não se encaixa ao binarismo de gênero e a dizer que é bissexual. “Eu não me relaciono com ser um menino ou uma menina, e eu não preciso que meu parceiro se identifique com ambos”. Ela admite ter tido relacionamentos com mulheres, mas que não foram explorados pela mídia. “Eu tive. Mas as pessoas nunca olharam para eles [relacionamentos], e eu nunca os levei para os holofotes”, conta ela à Paper. Ela considera sua sexualidade e sua identidade de gênero sendo fluída, transitando pelo que é considerado feminino e masculino.

“Literalmente, estou aberta a tudo o que for consensual e não envolva um animal ou alguém menor de idade. Tudo o que for legal, estou dentro. Estou dentro de adultos – qualquer pessoas com mais de 18 anos que queira me amar”.

Miley também confessou ter contado à sua mãe, aos 14 anos, que sentia-se atraída por meninas. “Eu me lembro de dizer a ela que eu admirava mulheres de uma forma diferente. Ela me perguntou o que eu queria dizer. Então eu disse, ‘eu as amo como eu amo garotos’. Foi difícil para ela entender. Ela não queria que eu fosse julgada e não queria que eu fosse para o inferno. Mas ela acredita mais em mim do que em qualquer deus. Só pedi a ela para me aceitar. E ela me aceitou”, recorda.

Quanto ao seu próximo disco, o substituto de “Bangerz”, ela diz que já está em processo de gravação, mas que há uma preocupação por parte da gravadora. “Eles estão tipo ‘não faça algo muito esquisito, não faça algo avant-garde. Você não pode ir de Miley para Björk!’”. A cantora disse estar gravando em um estúdio construído na garagem de sua casa, em Los Angeles.

A mensagem de Miley é de esperança para que todos possam ser livres para serem, sem medo de julgamentos de quem quer que seja. “Contanto que você não esteja machucando alguém, suas escolhas são suas escolhas”, finaliza ela. E é assim que deveria ser: liberdade para existir e viver em plenitude nossas vidas.

E essa é a Miley Cyrus nos inspirando novamente. <3

As fotos do ensaio para a Paper você confere abaixo.


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