Meu blog está me tornando uma pessoa melhor

Faz algum tempo que não escrevo sobre mim. Então, hoje é dia! A ideia surgiu enquanto ia à padaria, escutando música e pensando em algo que escrevi no meu perfil pessoal do Twitter. Aliás, algo que comentei mais de uma vez por lá: o blog tem me permitido escrever sobre vários temas diferentes.

Quando o Prosa Livre fez um ano, lá no final de abril, lembrei como as coisas mudaram desde o primeiro dia desse espaço onde escrevo. A cada dia era um texto sobre algo diferente, afinal de contas, eu queria escrever sobre tudo. O tempo foi passando e o pano de fundo para o “tudo” que escrevo são celebridades. No post sobre a entrevista do Emicida, eu disse que os famosos, para o bem ou para mal, nos incitam a conversar sobre temas que nós não conversaríamos no dia a dia. Então, a partir de algo que acabou parando na mídia, desenvolvo um texto na tentativa de inspirar as pessoas que leem o blog.

E verdade seja dita, eu não domino todos os assuntos que viram pautas por aqui. Violência obstétrica? Porte de armas? Ataques com ácido? A violência cotidiana a qual pessoas trans estão submetidas? Não, eu não domino nada disso, mas pesquisando sobre os assuntos na hora de escrever, eu vou lendo muita coisa. Vou entrando em contato, a partir da tela do computador, com vivências de pessoas diferentes de mim e aprendo muita coisa. E choro. E desabo. Mas também sorrio. Me divirto. Crio empatia.

“Eu sinto várias emoções”

Porque não há algo mais transformador e revolucionário do que empatia. Eu me esvazio para entrar no mundo do outro, mesmo que eu não conheça aquela pessoa. Mesmo que a única forma de interação entre a gente seja algo que ela colocou na internet, seja por algo que ela escreveu, seja por uma entrevista. E aí vou aprendendo. Vou refletindo. Eu saio do lugar comum para uma realidade completamente diferente. O Artur que começou o Prosa Livre em abril de 2014 não é o mesmo Artur de setembro de 2015. Tampouco o mesmo de um mês ou duas semanas atrás.

O blog está me fazendo uma pessoa melhor, assim mesmo, no gerúndio. Porque é um processo, sabe? E é algo gradual. Vai acontecendo. De repente, não estou mais pensando como pensava há certos dias. E isso continua a acontecer. A minha cabeça vai se abrindo. Vai me levando a outros pontos de vista e a locais que eu não iria sozinho.

E aqui vai algo difícil: não tem como não ficar entristecido. Já chorei, de verdade, com histórias que eu li. Não tem como não desejar que o mundo pare e recomece. “A humanidade deu errado, “queria estar morta”… Eu não entendia o por que das pessoas dizerem isso. Aliás, até entendia, mas pensava que se nós fizermos nossa parte, o mundo muda. Nós podemos fazer a diferença se cada um plantar uma sementinha. Acontece que as pessoas cansam. Principalmente quem é oprimido de alguma forma. Parece que o esforço é em vão e a cada pessoa que repensa nas suas formas de agir, mil continuam sendo da mesma maneira. As pessoas desmoronam. Ninguém é robô.

“Chega. Por favor. Eu não quero mais fazer isso”

Eu tenho uma diva pop e ela atende pelo nome de Katy Perry. Suas músicas me ajudaram a me aceitar e amar quem eu sou de uma maneira bem louca. Difícil mesmo até de explicar. Mas eu devo a ela (e à minha analista) um pouquinho da pessoa que sou hoje. Mas mais do que isso, Katy Perry me ensinou a me manter otimista, a manter a cabeça erguida, a ver o copo meio cheio e a continuar a lutar pelo que acredito.

E no que eu acredito? Eu acredito no ser humano. Complicado, mas acredito. E todos os dias eu tenho razões para acreditar. Quando escrevi sobre sair do armário ou sobre meu primeiro beijo, por exemplo, a resposta que tive foi incrível. Eu pude perceber como um blog pequeno como o meu pode fazer algo grande. Pude perceber como consegui fazer as pessoas conversarem sobre homossexualidade e criar relações aos 24 anos.

A gente se subestima demais, mas a verdade é que nós temos uma capacidade enorme de mudar, seja a nós mesmos, seja o colega na mesa ao lado. Querendo ou não, todos temos sentimentos. Todos temos capacidade de fazermos coisas boas. E eu sei que o blog tem feito algo bom pra quem o lê, mesmo que nem sempre venham comentários. Assim como ele tem feito comigo: tem me tornado uma pessoa melhor, porque é através dele que entro em contato com outras pessoas. E por mais dolorido que seja ler e ouvir certas histórias, elas não estão sendo contadas à toa, mas para que alguém que passe pelo mesmo e possa saber que não está sozinha. Eu sei bem como é o sentimento de sentir-se sozinho e não o desejo para ninguém. E indo além, essas histórias podem ser como um agente transformador.

“Não deixe de acreditar”

E esse tem sido o objetivo do Prosa Livre. Mais do que inspirar pessoas, é fazer com que elas se encontrem, que se sintam acolhidas, e que enxerguem outras pessoas passando pelo mesmo, ainda que numa outra cidade ou país. Assim a gente se fortalece, mesmo que a nossa realidade nos coloque para baixo. Representatividade importa e eu vou sempre bater nessa tecla. A Demi Lovato foi super honesta na sua luta contra a auto-mutilação, vício em drogas e bipolaridade. O resultado disso foi o melhor elogio que ela recebeu na vida: “você salvou a minha vida”.

Você tem noção do que é isso? Alguém tão distante e cercada de privilégios salvou uma vida em algum canto do mundo. Eu não sei você, mas eu fico todo arrepiado quando penso nisso. E eu não dou créditos somente a celebridades como ela, apesar de que essas possuem uma plataforma imensa, que podem levar conscientização a pessoas que nunca pensaram no assunto.

“Sei que você está solitário, mas você não está sozinho”.

O blog está me tornando uma pessoa melhor, porque me possibilita conhecer novas pessoas, novas ideias e novas formas de pensar. E não só isso, me possibilita passá-las para frente. Para que, talvez, outras pessoas mudem e pensem diferente. Mesmo que seja apenas uma pessoa, não é pouco. É uma revolução em andamento.

Como eu escrevi lá em cima, o Artur de hoje não é o mesmo Artur de abril do ano passado. O Artur tem sido, ao melhor estilo Raul, uma metamorfose ambulante. E eu espero que isso nunca mude, mas que seja algo constante. Que eu seja constantemente inconstante.

Gifs: via, via, via, via.
A imagem de destaque foi por não encontrar algo melhor

 

2 thoughts on “Meu blog está me tornando uma pessoa melhor

  1. Artur, que texto lindo! Te acompanho há um tempo e sempre achei o máximo você falar sobre diversos assuntos. Fiquei extremamente feliz em ver que você também está satisfeito escrevendo e ajudando tanta gente =)

    Tem dias que é mesmo cansativo e triste. Mas pode ter certeza que o seu esforço aqui vale a pena.

    Beijo!

    1. Oi, Bianca! Que recado mais fofo! Obrigado pelo carinho! Tenho aprendido tanto nesses últimos tempos. Tem hora que a gente desaba, mas segue em frente, né? Que bom saber que você me acompanha por aqui! Agora eu te acompanho tbm!

      Beijão <3

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