Lupita Nyong’o é capa da revista Vogue e fala sobre ser uma mulher negra em Hollywood

  15. setembro 2016   Famosos   0

Para a capa da sua edição de outubro, a Vogue americana trouxe a sempre deslumbrante Lupita Nyong’o, que levou toda sua beleza, graça, carisma e inteligência para as páginas da revista.

A atriz teve um ano cheio, demonstrando toda sua versatilidade enquanto artista nos trabalhos que escolheu. Em abril, ela participou do live action “Mogli”, da Disney, dublando a loba que cria o pequeno morador da selva; foi para a Broadway, onde estreou na peça “Eclipsed”; e agora lança “Queen of Katwe”, interpretando a mãe de uma menina que é um verdadeiro talento no xadrez.

Lupita foi entrevistada no Quênia, país de origem de seus pais e onde foi criada (ela nasceu no México). Para a publicação, ela falou um pouco mais sobre seu recente filme, sobre ser uma mulher negra em Hollywood e como quer mudar as perspectivas do mundo sobre a África.

“Eu quero criar oportunidades para as pessoas de cor, porque eu tenho muita sorte em ter uma plataforma para isso”, disse à atriz para a repórter Elizabeth Rubin. “É por isso que ‘Eclipsed’, e até ‘Queen of Katwe’, são muito importantes, pois mudam a narrativa e oferecem novas lentes sobre a identidade africana”.

Sobre o longa “Queen of Katwe”, ela recebeu o roteiro em dezembro de 2014, da diretora Mira Nair, e logo se apaixonou pelo que havia lido. “Cinco páginas depois eu escrevi para meu empresário e agente: ‘eu preciso fazer esse filme”, recorda. “Interpretar a mãe de quatro crianças em Uganda, uma mãe formidável e que tem muito contra ela, foi algo muito atraente para mim. Não era algo que eu imaginei que me oferecessem. Pelo menos não em Hollywood. O fato de que o filme é baseado numa história real, uma história edificante sobre a África… Meu Deus, todos os meus sonhos estavam se realizando com aquele roteiro”.

A história da produção é baseada na vida de Phiona Mutesi (Madina Nalwanga), uma jovem campeã de xadrez, que enfrentou a pobreza antes de alcançar o sucesso no esporte.

“Ser capaz de usar minha plataforma para expandir e diversificar as vozes africanas, eu me sinto apaixonada por isso.Tem um propósito, tem sentido”, disse.

Mais adiante, Lupita comenta se o fato de ser uma negra de pele mais escura pode dificultar a conquista de papéis no cinema. A repórter que a entrevista cita uma um artigo escrito por uma caça-talentos em 2014, que analisou as perspectivas para a carreira da atriz, já que a indústria teria uma preferência por mulheres negras de pele mais clara. A mulher em questão o seguinte:

“Será que Beyoncé seria quem é se não tivesse a cor que tem? Por ter a pele mais clara, mais pessoas podem olhar para sua imagem e reconhecerem-se nela. No caso de Lupita, acho que ela tem dois anos e meio. Isso se ela encontrar uma franquia, um filme grande ou caso ela seja escalada por um cineasta renomado. Aí sim, ela terá conseguido um caminho único para si”.

Eis o que a atriz pensa:

“Eu tive que me fazer de surda para aquela moça cristã [a autora daquele texto]. Ela olha para mim como se eu fosse parte de uma tapeçaria cultural. Estou vivendo e respirando. Aquela pessoa não leva em consideração o que eu comi no café da manhã, como a comida desceu e por que eu não fui bem naquela audição. Não consigo pensar assim. Eu não posso fugir de quem eu sou, da minha cor ou da sociedade e como ela talvez me veja. Eu percebi isso com o discurso que eu fiz no Essence Awards”.

O discurso, ao qual ela se refere, foi feito pouco antes de sua vitória no Oscar de 2014, e nele a artista falou sobre como foi importante ver uma modelo negra (Alek Wek) como ela ter feito sucesso e ser considerada bela ao mesmo tempo. Para a Vogue, ela voltou a falar sobre o tema.

“O padrão de beleza europeu afeta a todos nós. Eu voltei para a casa dos meus mais depois da faculdade, nos anos dois mil e alguma coisa, e vi um comercial na televisão com uma garota que não conseguia um emprego. Ela, então, usa um produto. Ela fica com a pele mais clara e consegue o emprego. O clareamento de pele é comum em Nairóbi, assim como é ser chamada de ‘preta mamba’. É triste reconhecer que algo é melhor que você.

Alek Wek mudou a forma como pessoas mais escuras se veem. Eu ser capaz de fazer o mesmo por alguém é incrível. Não faz sentido ter sua foto espalhada por aí se ela não toca alguém. Não é?”

Lupita Nyong’o também foi fotografada por Mario Testino no Quênia. Para ler o restante da entrevista, acesse o site da Vogue.


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