Uma lista de artistas que estão boicotando a Carolina do Norte e o Mississipi em protesto às leis anti-LGBT locais

  27. abril 2016   POP   0
Uma lista de artistas que estão boicotando a Carolina do Norte e o Mississipi em protesto às leis anti-LGBT locais

Na segunda-feira, 25, Demi Lovato e Nick Jonas, anunciaram em suas redes sociais que os shows que fariam nas cidades de Charlotte e Raleigh, na Carolina do Norte, nos dias 30 de junho e 2 de julho, foram cancelados em protesto à lei anti-LGBT aprovada naquele estado.

“A lei anti-LGBT da Carolina do Norte é extremamente decepcionante e isso não vai nos impedir de continuar fazendo progresso para igualdade e aceitação”, escreveu a dupla.

No dia 23 de março, o governador da Carolina do Norte, o republicano Pat McCrory, promulgou a lei HB2, aprovada pelo Legislativo local, que proíbe as cidades do estado de redigirem suas próprias leis anti-discriminatórias e obriga o uso dos banheiros de acordo com o gênero atribuído no nascimento, o que impossibilita pessoas trans de usarem alguns deles.

A princípio, a lei restringia o uso de todos os banheiros, mas após pressão, McCrory ‘afrouxou’ a medida, permitindo que o setor privado determine como regularão o uso dos mesmos. Prédios públicos, contudo, permanecem sob a legislação. Desde que a lei entrou em vigor, o serviço de atendimento a pessoas trans, Trans Lifeline, registrou duas vezes mais chamadas de indivíduos considerando o suicídio.

Uma semana depois da Carolina do Norte, o Mississipi adotou uma lei similar. O governador do estado, Phil Bryant, também republicano, promulgou a HB1523, a qual permite a pessoas, igrejas e empresas a recusarem serviços para pessoas LGBT com base em suas crenças religiosas. O casamento entre pessoas do mesmo sexo, por exemplo, aprovado pela Suprema Corte americana em junho do ano passado, pode ser negado caso o funcionário acredite que um casamento só é válido entre um homem e uma mulher. No começo de abril, Ellen DeGeneres classificou a lei como a “definição da discriminação”.

Contra essas medidas discriminatórias, vieram diversas manifestações. Na última segunda-feira (25), ocorreu um protesto na frente da Câmara dos Deputados da Carolina do Norte e uma petição com mais de 190 mil assinaturas foi entregue ao governador do estado, pedindo para que ele revogue a HB2.

Além de ativistas, várias empresas estão se manifestando contra as leis anti-LGBT adotadas em ambos os estados. A Paypal e o Deutsche Bank cancelaram planos de expansão na Carolina do Norte. Já a Tyson Foods, MGM Resorts International, Nissan e a Toyota demonstraram repulsa à legislação aprovada no Mississipi.

Os governadores de Vermont, Washington e Nova York proibiram, recentemente, viagens oficiais pagas ou patrocinadas à Carolina do Norte e ao Mississipi. “Nós acreditamos que nossa diversidade é nossa maior força e continuaremos rejeitando políticas de divisão e exclusão”, escreveu Andrew Cuomo, governador de Nova York, em comunicado.

E segundo reportagem do New York Times, o turismo já começou a ser afetado nas localidades. O Reino Unido, por exemplo, desaconselhou seus cidadãos a viajarem para o sul dos Estados Unidos.

A revolta às leis também chegou às celebridades, que vêm se manifestando contra a discriminação e têm decidido boicotar os dois estados. Além de Demi Lovato e Nick Jonas, confira quem mais tomou a mesma atitude:

Carolina do Norte:

Pearl Jam

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Na semana passada, a banda Pearl Jam cancelou o show que faria em Raleigh na última quarta-feira (20), em protesto à lei anti-LGBT do estado. Num comunicado escrito à mão, o grupo chamou a legislação de  ‘desprezível’ e que “estimula a discriminação contra um grupo inteiro de cidadãos norte-americanos.”

“As implicações práticas são elevadas e o impacto negativo nos direitos humanos básicos é profundo. Queremos que os Estados Unidos sejam um lugar onde nenhuma pessoa possa ser rejeitada por causa de quem ela ama e nem possa ser demitida de um emprego por causa de quem ela é”, diz a carta.

Cirque du Soleil

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Foto: divulgação

Através do Facebook, o Cirque du Soleil o cancelou três apresentações que fariam na Carolina do Norte. Eles consideram a HB2 “uma importante regressão para assegurar direitos humanos a todos”.

“O Cirque du Soleil acredita na igualdade para todos. Esse é o princípio que nos guia com nossos funcionários e nosso público. Nos comportamos como agentes da mudança para alcançar nosso maior objetivo, que é fazer um mundo melhor com nossas ações e nossas produções.”

Blue Man Group

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Foto: divulgação

O Blue Man Group também aderiu ao boicote. Eles afirmam que “é direito de cada indivíduo ter uma vida digna, vibrante e cheia de cores. Por isso, estamos nos juntando a uma lista crescente de profissionais do entretenimento em protesto à lei HB2, da Carolina do Norte”.

Ringo Starr

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Foto: divulgação/Facebook

O ex-baterista dos Beatles anunciou em seu Facebook que iria cancelar o show que faria em Carry, na Carolina do Norte.

“Precisamos tomar uma posição contra este ódio. Espalhe amor e paz. Esta lei abre a porta a discriminação para todo lado, limitando leis anti-discriminação contra as pessoas com base em sua orientação sexual ou identidade de gênero.”

Bruce Springsteen:

Foto: divulgação
Foto: divulgação/Facebook

O cantor Bruce Springsteen também cancelou um show que faria no dia 10 de abril em Greensboro. No Facebook, o músico publicou uma nota repudiando a lei anti-LGBT do estado.

“Na minha opinião, isso é uma tentativa de pessoas que não suportam o progresso que nosso país tem feito para reconhecer os direitos humanos de todos os nossos cidadãos.”

Jane Fonda e Lili Tomlin:

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Foto: divulgação/Netflix

Durante o Festival de Cinema de Tribeca, Jane Fonda e Lily Tomlin, estrelas de “Grace & Frankie”, série da Netflix, contaram à revista The Advocate que estão ‘furiosas’ com a lei aprovada na Carolina do Norte, e que não pretendem colocar os pés no estado. “Nós nunca iríamos para lá”, afirmou Jane.

Michael Moore:

Foto: divulgação/Facebook
Foto: divulgação/Facebook

O cineasta Michael Moore tirou seus filmes de circulação na Carolina do Norte, como forma de protesto à lei anti-LGBT. O diretor do documentário “Fahrenheit 9/11” pediu à distribuidora para que não leve suas produções para o estado. “Eles concordaram”, comunicou Moore nas redes sociais.

Ani DiFranco:

Foto: divulgação
Foto: divulgação

Ani DiFranco faria um show na Carolina do Norte no dia 4 de julho, mas cancelou sua apresentação. A cantora, que se identifica como queer (pessoa que não se identifica como heterossexual ou com o binarismo de gênero), disse que não pode viajar para o estado com a “consciência tranquila”.

“Hoje eu eu estou de braços dados com a minha comunidade, amigos, familiares e cidadãos condenando essa lei injusta. Quando um de nós é oprimido, todos somos oprimidos. E somente com a força da nossa ação coletiva podemos fazer a mudança acontecer. Eu gostaria de adicionar minha voz através dessa pequena ação ao coro de todos aqueles que trabalham para fazer nosso mundo um lugar mais amoroso e de aceitação.”

Mississipi:

Bryan Adams

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O músico canadense Bryan Adams cancelou o show que faria no Mississipi, também em protesto à lei anti-LGBT local. Ele classificou a medida como “extremamente discriminatória”.

“Não posso, de uma maneira consciente, me apresentar em um estado onde algumas pessoas são privadas de seus direitos individuais por sua orientação sexual.”

Sharon Stone

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A atriz Sharon Stone cancelou os planos de gravar um filme no Mississipi após a aprovação da lei anti-LGBT. Ela gravaria “The Principal”, um curta sobre cyberbullying, o qual será transferido para outro local, informaJackson Clarion-Ledger.

“Eu não trabalharei em qualquer estado que tenha ou esteja criando leis que apoiem a discriminação contra cidadãos americanos, seja por sua raça, religião, gênero ou orientação sexual, tampouco em estados cujas mesmas leis passam ou são aprovadas pelo governo local.”

Tracy Morgan:

Foto: Theo Wargo/Getty Images
Foto: Theo Wargo/Getty Images

O comediante Tracy Morgan cancelou a apresentação que faria em Tunica, no Mississipi, mas cancelou a performance. Em um comunicado à imprensa, é dito que “ele espera ansiosamente para remarcar as datas de sua turnê assim que a lei de ‘liberdade religiosa’ seja revogada ou tenha várias emendas”.