Kim Kardashian e outras celebridades defendem o controle de armas nos Estados Unidos

Atualmente, os Estados Unidos debatem, mais uma vez, o porte de armas, após um homem armado entrar em um cinema e matar duas mulheres e deixar outras nove pessoas feridas, na cidade de Lafayette, no estado da Lousiana, no final de julho.

De acordo com uma reportagem do USA Today, um tiroteio acontece naquele país a cada duas semanas. Um quarto dos atiradores se suicida e outros são mortos pela polícia. Muitos possuem problemas mentais e acabam pegando prisão perpétua ou pena de morte.

O site Mass Shooting Tracker lista 225 tiroteios somente em 2015, nos Estados Unidos, sendo o último no dia 10 de agosto, em Long Beach, na Califórnia, quando um homem armado deixou quatro pessoas feridas. O criador da página, em entrevista ao The Washington Post, disse que a contagem é diferente daquela feita pela polícia americana. “A definição antiga do FBI para Assassinato em Massa (até mesmo a mais recente) era quatro ou mais pessoas mortas em um evento. É mais lógico pensar que um tiroteio tenha quatro ou mais pessoas feridas por armas em um evento”.

E por mais comum que sejam os tiroteios nos Estados Unidos, pouco se faz para controlar o porte de armas no país “por razões políticas, sociais e culturais muito enraizadas“. Um estudo recente mostra que a maioria dos americanos (52%) apoia o direito de possuir uma arma.

Contudo, nem todos concordam. O presidente Barack Obama também não. “Mais uma vez, pessoas inocentes foram mortas, em parte porque alguém que queria causar dor não teve problema em conseguir uma arma”, discursou ele após o tiroteio de Charleston, onde 9 pessoas negras foram mortas por um atirador branco, em junho passado. “Em algum momento, nós, enquanto país, teremos que reconhecer que esse tipo de violência em massa não acontece em outros países desenvolvidos. Não acontece em outros lugares com esse tipo de frequência. E está em nosso poder fazer algo a respeito. E em algum momento será importante que a nação americana enfrente isso e sejamos capazes de mudar a forma como lidamos com violência de armas coletivamente”.

Várias celebridades apoiam o discurso do presidente Obama e sugerem que um controle de armas seja aprovado no país, para que o acesso a armas de fogo seja dificultado. Entre os famosos estão:

  • Kim Kardashian:

Em junho deste ano, durante um bate-papo sobre diversos assuntos na Califórnia, Kim Kardashian demonstrou seu apoio pelo controle de armas em seu país. Perguntada sobre qual ideia daria para melhorar o mundo, ela foi rápida em declarar o controle de armas como solução. “Não sou o tipo de pessoa que as possui em minha casa. Elas me dão medo. Se eu pudesse fazer algo para mudar o mundo… Não sou uma pessoa com arma e nós não temos leis restritivas o suficiente para controle delas”.

Recentemente, ela foi ao Twitter reclamar da facilidade com que armas são adquiridas nos Estados Unidos.

Tweet 1: “Vocês ouviram a história triste sobre David Conley, que matou sua ex-namorada e sua família toda? Seus seis filhos, marido e ela”

Tweet 2: “Ele comprou a arma e a munição ONLINE! Como pode ser tão fácil comprar armas na internet? Isso não enoja vocês? Não foi preciso saber seu histórico!”

Tweet 3: “Essas leis de armas precisam mudar! Essa pobre moça foi amarrada e viu cada um de seus filhos e o marido serem executados por 10 horas!”

Tweet 4: “Meus pensamentos orações vão para a família de Valerie Jackson e seus amigos! Leis de armas PRECISAM mudar, Segurança contra armas, Checagem de histórico é necessário”.

  • Amy Schumer:

A morte de duas mulheres na sala de cinema de Lafayette mexeu, particularmente, com a comediante Amy Schumer, já que seu filme ‘Trainwreck’ era exibido durante o tiroteio. Ela se juntou a seu primo, o senador democrata Chuck Schumer, para a criação de uma lei que proíba certas pessoas de conseguirem armas, ao invés de “tirá-las de todos”.

Tweet: “74% dos americanos querem uma checagem de histórico mais forte. Eu me junto a Amy Schumer para chamar meus colegas do Congresso, para que finalmente escutem”.

Segundo o site Mic, a lei proposta pelo senador recompensa os estados que reportem informações sobre o histórico de armas compradas e registro, e pune estados que não aderirem à reforma. “Esses são meus primeiros comentários públicos sobre armas, mas não serão os últimos”, prometeu a atriz.

  • Katy Perry:

A cantora, que comemorou ontem 5 anos de lançamento do disco ‘Teenage Dream’, foi ao Twitter pedir mais seriedade sobre o porte de armas nos Estados Unidos, após o tiroteio de Lafayette.

Tweet: “Será que todos nós precisamos perder alguém para uma arma, para que possamos ter uma opinião real sobre o controle de armas, ou será que podemos, literalmente, levar isso A SÉRIO?”

No começo de junho, a voz de “Dark Horse” também reclamou da violência policial em suas redes sociais.

Tweet: “Tem mais alguém com nojo? ACORDE AMÉRICA”

  • Rebel Wilson:

A atriz australiana também se sensibilizou com o tiroteio de Lafayette e sugeriu que os Estados Unidos seguissem as leis de armas vigentes na Austrália.

Tweet 1: “Não gosto de falar sobre política, mas os Estados Unidos precisam seguir o exemplo da Austrália sobre leis de armas”.

Tweet 2: “Eu não me lembro de um tiroteio na Austrália desde que revisaram as leis de armas de fogo. Parece que há um tiroteio por semana nos Estados Unidos”.

Tweet 3: “Só quero que as pessoas estejam seguras, especialmente quando estão fazendo uma das minhas coisas favoritas no MUNDO – ir ao cinema para se divertir”.

Rebel Wilson possui um ponto interessante: em 1996, após um tiroteio que deixou 26 pessoas mortas, uma lei australiana baniu espingardas, rifles automáticos e semi-automáticos no país. O governo também pagou pelas armas devolvidas pela população. Não há registros de tiroteios na Austrália desde a aprovação da lei.

A medida foi lembrada pelo próprio presidente Obama, que não consegue aprovar algo similar em seu país. “Quando a Austrália teve um tiroteio, foi tão chocante que a nação toda disse ‘Bem, nós vamos mudar completamente nossas leis de armas’. E eles mudaram. E nenhum tiroteio aconteceu desde então”.

Em 2012, uma campanha repleta de celebridades foi feita, a fim de persuadir a população americana a pressionar o Congresso americano para uma lei de controle de armas.

No Brasil, só é permitido portar armas aos maiores de 25 anos e não ter antecedentes criminais. Além disso, são exigidos testes psicológicos e capacidade técnica. Contudo, uma comissão especial na Câmara dos Deputados vai analisar o projeto de lei (PL) 3722/12, que pode revogar o Estatuto do Desarmamento, flexibilizando normas para a compra, posse e porte de armas de fogo no Brasil. Segundo reportagem do jornal O Globo, entidades ligadas aos direitos humanos vão pressionar para que o PL não seja aprovado.

“[Esse projeto] Desvirtua completamente o Estatuto do Desarmamento, trazendo regras absurdas que desvirtuam totalmente os ganhos que a sociedade já obteve com o controle mais rígido das armas”, afirmou Bruno Langeani, coordenador de Sistemas de Justiça e Segurança Pública do Instituto Sou da Paz, em entrevista ao O Globo.

Ainda de acordo com a reportagem, uma carta aberta contra o projeto, assinada pelo Instituto Sou da Paz e por vários intelectuais e estudiosos, além do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, e o secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, foi enviada ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha. O PL deve ser votado ainda neste ano.

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