Jout Jout continua uma conversa importante sobre assédio contra mulheres em novo vídeo

Julia Tolezano, ou Jout Jout, uma das youtubers preferidas entre os brasileiros, voltou a falar sobre um tema relacionado à realidade das mulheres. Desta vez, o assunto foi assédio e cultura de estupro.

“Estamos vivendo uma cultura do estupro, sim, não tem como negar. Já não dá pra ficar em silêncio, com vergonha, não querendo incomodar. A pessoa que mais pode te defender é você. Chega de ter medo. Mas se ainda assim você tiver, calma, estamos aqui pra te ajudar”, escreve Jout Jout na descrição do vídeo.

A inspiração para o vídeo veio dos terríveis comentários feitos a Valentina, uma menina de 12 anos, participante do Masterchef Junior, da Band. Vários homens foram ao Twitter compartilhar mensagens de cunho sexual direcionadas à pequena participante, que ainda é uma criança e, mesmo que fosse adulta, continuariam a ser erradas. “Isso seria engraçado, se não fosse desesperador de tão nojento e inadequado e inadmissível que isso foi”, começa a youtuber em seu vídeo.

Ela então lembra a campanha iniciada nas redes sociais, #Primeiro Assédio, criada pelo Think Olga, um coletivo que visa o empoderamento feminino. Com a hashtag, milhares de mulheres dividiram suas lembranças de assédio que sofreram.

“Uma amiga minha compartilhou um assédio que ela tinha vivido já… Um não, vários! E aí esse assunto foi parar num grupo de Whatsapp que eu tenho com várias amigas minhas. E quando eu fui ver, 11 das 11 meninas que estavam no grupo tinham sofrido algum tipo de assédio. Ou seja, 100%”, afirma Jout Jout em seu vídeo.

Após a campanha, o Think Olga, que é responsável pelo projeto “Chega de Fiu Fiu”, resolveu compilar dados para evidenciar como o abuso acontece desde cedo na vida das mulheres. Avaliando mais de 3 mil tweets, foi identificado que a idade média do primeiro assédio acontece aos 9,7 anos.

A youtuber segue comentando que nunca soube que suas amigas foram assediadas, o que reforça a forma como transformamos o assédio em algo corriqueiro, que faz parte do cotidiano e das vidas das mulheres. Como explica Jout Jout, o mesmo aconteceu com ela, sua mãe e tias. E enquanto buscamos “motivos” para que eles aconteçam, do tipo “a saia estava muito curta”, “ou ninguém mandou sair sozinha”; isentamos os homens de culpa. “Homem é assim mesmo”, dizemos, como se isso fosse algo inato aos homens. Não é.

Criamos uma cultura onde é normal assediar e abusar as mulheres e culpá-las por isso, ao mesmo tempo em que não responsabilizamos os homens por suas atitudes e fazemos malabarismos argumentativos para defende-los. É impossível não lembrar da escritora Chimamanda Ngozi Adichie e seu discurso “Sejamos Todos Feministas”. “A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura”.

É preciso lembrar, também, como nem sempre identificamos situações de assédio e abuso. “Abusos podem ser das seguintes maneiras: quando você tem 13 anos e o ônibus está vazio e o trocador te mostra vídeos de animações pornô e passa a mão nos seus peitos”, exemplifica Jout Jout, que segue dando outros exemplos que podem não ser tão nítidos quanto toques indesejados em seu corpo. “Ou quando você tem 9 anos e está pulando corda com suas primas e irmã e o seu vizinho fica dentro de um carro tirando fotos de vocês e se masturbando”.

“Qualquer coisa que faz você se sentir desconfortável mesmo que, aparentemente, não tenha motivo. Se você está desconfortável, tem motivo”, esclarece ela.

Outra informação importante trazida pela youtuber é a de que desacreditamos a vítima, porque ela relata um abuso vindo de uma figura importante ou próxima da família ou até mesmo de um membro da família. Isso é evidenciado por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) concluiu que muitas das vítimas têm contato com seus agressores, tendo a violência acontecido (31,8% das vezes) dentro da casa deles.

Por fim, Jout Jout pede para que as mulheres não tenham medo de denunciar abuso. “Porque silêncio nenhum vai te proteger de absolutamente nada”. Para denunciar os casos, ligue para a Central de Atendimento à Mulher, pelo número 180, ou para o Disque Direitos Humanos, através do telefone 100.

Não é a primeira vez que ela nos inspira e joga luz sobre assuntos considerados tabu e, com certeza, não será a última. Confira abaixo o vídeo:

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