Indígenas americanos respondem ao comentário feito por Leonardo DiCaprio no Globo de Ouro

  23. janeiro 2016   Cinema   0

No dia 10 de janeiro, Leonardo DiCaprio levou a estatueta de ‘Melhor Ator’ por sua atuação em “O Regresso” no Globo de Ouro. Muito aplaudido na cerimônia, o ator agradeceu ao diretor Alejandro G. Iñarritu – que também saiu premiado -, e dedicou o prêmio com os povos indígenas, representados no filme no qual atua.

“Quero dividir este prêmio com todas as Primeiras Nações representadas nesse longa e a todas as comunidades indígenas no mundo todo. É hora de reconhecermos sua história e protegermos suas terras de interesses corporativos e das pessoas que querem explorá-las. É hora de ouvirmos suas vozes e protegermos esse planeta para as futuras gerações.”

E o discurso do artista foi bem recebido pelos grupos indígenas representados no filme, os Arikara e Pawnee, que são de grande importância para a história de “O Regresso”. “As palavras do senhor DiCaprio e seu apoio aos nossos direitos e de todas as nações indígenas são maravilhosas e encorajadoras”, escreveu Mark N. Fox, chefe das nações Mandan, Hidatsa e Arikara no Buzzfeed News. “Como um homem de caráter verdadeiro, ele está disposto a desafiar a sociedade americana, enquanto tantos outros com influência temem em fazê-lo. Seus esforços, na frente e atrás das câmeras, têm trazido honra às pessoas Arikara, Hidatsa e Manda. Estamos ansiosos para nos alinharmos a ele na luta para promovermos e protegermos nossos direitos enquanto indígenas e soberanos!”

“Sim, isso está muito atrasado”, afirmou Adrian Spottedhorsechief, em nome do Conselho Empresarial Pawnee. “Por muito tempo, nossas histórias de luta e sobrevivência não foram escutadas. Diferentes Nações Tribais, como um todo, são as pessoas esquecidas nessa terra. Hoje em dia, quando nós lutamos ou enfrentamos o governo e grandes empresas, ninguém ouve nossa luta ou escuta nossas palavras.”

O Buzzfeed News nota, também, que embora Mark N. Fox tenha elogiado o discurso de Leonardo DiCaprio, nem todos ficaram contentes. Adrienne Keene, uma estudante da cultura dos nativos americanos, lembrou que esses povos estão falando a mesma coisa por muito tempo, mas ninguém dá importância. “A razão pela qual as palavras de Leo foram tão memoráveis é porque os povos nativos são invisíveis. Completa e totalmente apagados”, escreveu no Twitter. “Não deveria ser revolucionário convocar as pessoas cujas terras vocês ocupam, mas é. Isso deveria ser uma prática diária.”

No longa, Leonardo DiCaprio interpreta Hugh Glass, um caçador de animais atacado por um urso, o que o deixa extremamente ferido. Seu parceiro, John Fitzgerald (Tom Hardy), o enterra vivo e mata seu filho, Hawk (Forrest Goodluck), fruto de um relacionamento com uma índia. Glass sobrevive e sai em busca de vingança.

Além do garoto indígena, “O Regresso” traz o índio e ator Duane Howard, no papel de Elk Dog, e outros indígenas. Para o filme, também foram empregados consultores para dar assistência à história, bem como auxiliar nos diálogos feito na língua Arikara. Craig Falcon, membro da tribo BlackFeet, foi responsável pela consultoria cultural do longa. Ele contou que o diretor Alejandro G. Iñarritu, não queria fazer uma obra “exploratória.”

“Eles acertaram 97% do tempo”, afirmou Falcon ao APNT. “Houve algumas coisas que eu não concordei, mas você sabe, o diretor tem sua visão artística em sua mente do que ele vê. Nos desentendemos em poucas coisas, mas nada que fosse um problema de verdade.”

Leonardo DiCaprio, Alejandro G. Iñarritu e “O Regresso” estão concorrendo ao Oscar deste ano. É possível que eles façam algum discurso sobre as questões indígenas, caso saiam vencedores. Chamar atenção para uma minoria praticamente invisível é muito positivo, mas espera-se que ações acompanhem o discurso. Veremos.