Homens, vamos conversar!

Já viu o vídeo acima? Já faz alguns meses que ele tá rolando. Confesso que eu só o assisti ontem, através de um texto da escritora Clara Averbuck em seu site, o Lugar de Mulher (vivo compartilhando textos delas, já repararam?). Tanto o vídeo quanto o post da Clara chamam a atenção para um ponto em comum: a participação dos homens no feminismo.

No vídeo, Jeremy Loveday, um poeta canadense, faz um apelo para que nós, homens, nos engajemos na luta feminista. E faz isso de uma forma sutil, mas sem deixar de passar a mensagem de que temos que prestar atenção nas nossas ações. Não só isso: que os monstros que batem, estupram e matam as mulheres somos nós mesmos.

“1 em cada 3 (mulheres sofrem violência doméstica). Isso me dá nojo. Como homens como eu podem fazer isso? Eles não podem… Eu pensei: eles devem ser monstros. Monstros com máscaras de homens. E re-esculpi o rosto deles até que eu não pudesse mais me reconhecer neles. Monstros. Eu lembro de uma festa em Vancouver, quando vi uma amiga usando uma jaqueta dizendo ‘parem com os estupros’. Uma mensagem clara; tão inquestionavelmente simples, mas que deixou um sabor amargo. Porque me arrancou da minha zona de conforto. Porque me lembrou da realidade que todos nós encaramos. E aquela reação inicial. Minha reação inicial foi eu escolhendo o silêncio. Portanto, permitindo a violência. E esse é um caso claro de cultura de estupro. Eu me lembro no vestiário, meu colega de time se gabou que vencemos e ‘curramos’ o outro time. Ou no refeitório, quando meu chefe fez uma piada sexista e eu não disse nada. Ou ontem, quando vesti uma roupa e brinquei que era um agressor de mulheres”.

Perceba que em todos os exemplos que ele dá, o monstro  é o amigo, é o chefe e é ele mesmo. Aí, qualquer homem poderia vir e dizer “not all men” (nem todos os homens) e querer se isentar de culpa. Pode ser que você não seja qualquer um desses; pode ser que você não bate, não estupra e não mata nenhuma mulher; pode ser que você seja feminista e apoie as mulheres na luta pela igualdade de gêneros. Mas nós, homens, enquanto classe, ainda somos dominantes. Somos a maioria em cargos de liderança nas empresas, no Congresso, em posições de poder. Limitamos o espaço das mulheres e silenciamos suas vozes. Todos nós, enquanto classe. Ainda que você não seja nenhum tipo de homem citado acima, seu gênero ainda lhe dá muitos privilégios.

tumblr_m8zpd3sdnu1qccv31o1_500
“Embora nós adoremos os homens individualmente, concordamos que, como grupo, eles são bem estúpidos”

Nosso espaço no feminismo não pode ser de protagonista. Jamais. Já nos colocamos, por tempo demais, nessa posição. O movimento é para que elas possam falar e ser escutadas. Para que elas lutem por seus direitos. Nós temos de ser aliados, dando o espaço para elas e discutirmos o feminismo com nossos pares, temos de rever e mudar nossas ações, não nos silenciar em situações de violência e desconstruir o nosso machismo, porque somos nós, homens, que provocamos a violência. Somos nós os responsáveis pela manutenção desse sistema tão opressor. “Homens também sofrem com o machismo”. Concordo. Mas em menor grau, né? Nós não temos, por exemplo, o Estado controlando nosso corpo. A opressão que sofremos é mais subjetiva, enquanto a da mulher acontece em todas as esferas.

http://inthelandofgifs.tumblr.com/post/15609905992

Quem criou o patriarcado fomos nós, homens. Quem oprime somos nós, homens. Quem pode mudar isso? Quem mais sofre com tudo isso: as mulheres. Somos aliados, afinal, não se muda uma sociedade só com uma parte dela atuando. No entanto, façamos isso como aliados. Deixe a mulher falar. Escute. Compreenda. Tenha empatia. Mude. E o mais importante: deixe a máscara de monstro cair.

masks off men lets talk