Homens leem mensagens ofensivas enviadas às mulheres no Twitter

  28. março 2015   Internet   1

No dia 24 de fevereiro, a Folha de São Paulo fez uma matéria especial sobre as ameaças que mulheres sofrem na internet por defenderem o feminismo. A reportagem destaca os mais variados tipos de ofensas a elas. “Infelizmente, a internet reflete a misoginia que existe na sociedade”, afirma a professora da Universidade Federal do Ceará, Dolores Aronovich, autora do blog “Escreva, Lola, Escreva”.

As mulheres sofrem ameaças e xingamentos dos mais diversos. A jornalista Ana Freitas escreveu um artigo para o Brasil Post, onde esclarece sobre machismo dentro de fóruns e chans, espaços online onde mulheres não são bem-vindas. Não demorou muito para que ela recebesse diversas ameaças. “Algumas mensagens chegaram a expressar claramente que o objetivo era não parar até que eu cometesse suicídio, como aconteceu com algumas meninas que passaram por algo parecido nos EUA”, escreveu Ana em outro texto comentando a repercussão de seu artigo.

O Twitter é um dos locais online mais fáceis de encontrar trolls. O próprio presidente-executivo da rede social, Dick Costolo, admitiu que a plataforma é péssima em lidar com abusadores, em um email aos funcionários.

É claro que homens também sofrem assédio na internet, mas é fato que o ambiente virtual é mais hostil com mulheres do que homens. Chelsea Woolley, uma blogueira, fez um vídeo onde chamou homens para lerem as mensagens ofensivas que mulheres recebem no Twitter. O que começou com algumas risadas, tornou-se complicado de ir adiante:

“Eu jamais deixaria uma garota me dar um pé na bunda. Se algum dia ela tentar algo, eu digo “ei, leve esse traseiro para a cozinha e me faça uma torta”. “Essa gorda me mandou uma foto da sua bunda no Snapchat e disse ‘Agachamentos são os melhores amigos de uma mulher’. Vadia, você sabe que pizza e Netflix são os seus melhores amigos”.

Essas são só algumas das mensagens, que incluem além de machismo e piadas sobre o peso de algumas mulheres, ameaças e slut-shaming (que é fazer a mulher se sentir culpada por adotar certos comportamentos sexuais). “Vadias são como o primeiro pedaço de pão: todo mundo toca, mas ninguém quer”, diz um dos tweets.

Como a gente resolve isso e transforma o Twitter – e a internet – em um local seguro para as mulheres e para todos? Uma forma é denunciar os perfis na própria rede social. Mas quando as ameaças não se restringem somente ao Twitter, é bom denunciá-las ao SaferNet. O importante é não ficar calada.