Heath Ledger estava preocupado com os direitos dos homossexuais à época de ‘O Segredo de Brokeback Moutain’

Há 10 anos, a história de dois vaqueiros apaixonados ganhava os cinemas do mundo todo. ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, estrelado por Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, e dirigido por Ang Lee, conquistou o Oscar de ‘Melhor Direção’, ‘Melhor Roteiro Adaptado’ e ‘Melhor Trilha Sonora’, em 2006, mas foi esnobado na categoria ‘Melhor Filme’.

Naquela época, somente o estado do Massachusetts permitia o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Hoje, uma década depois, o casamento igualitário é válido em todo o território dos Estados Unidos. Isso ilustra como os direitos de gays e lésbicas caminharam no país e o quanto ainda precisa ser feito, afinal, a homofobia retratada na ficção ainda é imperativa em qualquer local do mundo.

A revista Out reuniu parte da equipe de ‘Brokeback Mountain’ para um bate-papo sobre o décimo aniversário do filme, que é baseado no conto de mesmo nome da escritora Annie Proulx. “Eu a conheci pela primeira vez em Nova York. Ela me assustava”, contou o diretor Ang Lee. “Então eu passei dois dias com ela em Wyoming. No primeiro, eu ainda estava com medo dela, afinal ela é severa e eu sou um garoto da cidade. Mas na primeira noite em que jantamos, eu vi ostras no cardápio do restaurante. Foi o que eu pedi. Eu não sabia o que era, mas gosto de me aventurar. Acho que isso quebrou o gelo entre a gente. Quando as ostras chegaram, ela comeu um pedaço e disse ‘mulheres não deveriam comer isso’. Ela caiu na risada. Depois disso, ela tornou-se adorável”.

O diretor revelou ainda que foram feitas várias audições para o papel de Heath Ledger, Ennis, pois muitos agentes desencorajavam os atores a fazerem testes para papéis de homens gays. “Durante as entrevistas, senti que eles estavam um pouco, se assim posso dizer, com medo, desconfortáveis”. Foi a filha de Diana Ossana, uma das roteiristas, quem sugeriu o nome de Ledger, ainda em 2003, para o papel principal. “Eu fiz Larry [McMurtry, outro roteirista de ‘Brokeback Mountain] assistir ‘A Última Ceia’. Ele assistiu até o momento em que o personagem de Heath tira sua vida. Ele levantou e disse ‘eu não consigo mais assistir isso, é muito brutal – mas aquele rapaz é o Ennis'”.

Ossana então ligou para o agente do ator, pedindo para que fosse enviado o roteiro para Ledger. “Ele leu no voo para a Austrália com a Naomi [Watts], no Natal, e disse que era o roteiro mais lindo que ele já havia lido”.

Jake Gyllenhaal, que interpretou o vaqueiro Jack, não houve qualquer problema em aceitar o papel, diferentes dos outros atores que recusaram sua participação no longa. “Eu sabia que seria um filme difícil de fazer, que afastaria as pessoas, mas eu não sabia o quão difícil seria para fazê-lo. Meus parentes mais próximos, meus padrinhos eram um casal gay, então era algo que eu não tinha qualquer preconceito”.

O ator revelou ainda que Heath Ledger levava a sério a mensagem da produção de combate à intolerância. “Ele estava muito preocupado com as questões políticas do filme quando foi lançado. Muitas vezes as pessoas brincavam sobre isso, e ele ficava extremamente sério, a ponto de não querer ouvir nenhuma piada que era feita”.

Anne Hathaway, a Lureen de ‘Brokeback Mountain’, acredita que ela, ao lado de Heath Ledger, Jake Gyllenhall e Michelle Williams, contribuíram para a causa dos homossexuais nos Estados Unidos. “Era um grande e importante passo – um testamento sobre amor, sobre a necessidade do amor e sobre as consequências de limitar as pessoas. Eu estava maravilhada que aqueles jovens de 25 anos poderiam trazer isso à vida”.

O filme ainda ajudou várias pessoas da equipe a assumirem-se gays. “Muitos delas vieram até mim no começo da filmagem para confessarem que eram homossexuais e como o roteiro tinha afetado a todos”, conta a roteirista Diana Ossana. “Era um filme que precisava ser feito”, admite o ator Randy Quaid, o Joe Aguirre. “Ele permitiu à sociedade, em especial a cultura americana, confrontar os problemas com a comunidade gay. Ao colocar o confronto em um meio que é tradicionalmente visto como hétero masculino, essa foi uma brilhante tacada de Proulx [Annie, autora do conto ‘O Segredo de Brokeback Mountain].

Dez anos após o filme, não só a mensagem de combate a homofobia continua a reverberar até hoje, mas a falta de Heath Ledger continua a ser sentida. “Enquanto há várias partes da histórias que são tristes, uma das maiores tristezas é não poder trocar ideias com ele de novo. Isso era uma das coisas mais lindas que existiram”, finalizou Jake Gyllenhaal à revista Out.

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