Há uma história não contada sobre a apresentação de Beyoncé no Super Bowl

No domingo (7), Beyoncé se apresentou no Super Bowl ao lado de Coldplay e Bruno Mars, e fez uma grande homenagem a Michael Jackson e aos Panteras Negras. Ao final de sua performance, Queen Bey anunciou uma turnê mundial, “The Formation World Tour”, e um fundo para as crianças da cidade de Flint, no Michigan, a qual sofre com uma crise de água contaminada.

A apresentação da cantora com seu mais novo single, “Formation”, foi muito elogiada nas redes sociais, mas foi sua homenagem ao ativismo ao movimento contra o racismo nos Estados Unidos o verdadeiro destaque do show do intervalo. Com roupas e boinas pretas, que se assemelham ao Partido dos Panteras Negras, as dançarinas de Beyoncé levantaram punhos e transmitiram uma poderosa mensagem de empoderamento à população negra.

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Mas há uma história não contada, que acrescenta ainda mais simbolismo à performance do último domingo. Após o show, a pedido de Rheema Emy Calloway e Ronnisha Johnson, ativistas do movimento Black Lives Matter, as dançarinas de Beyoncé gravaram um curto vídeo pedindo justiça a Mario Woods, um homem negro de 26 anos morto pela polícia de São Francisco, em dezembro do ano passado.

Segundo o site The Independent, Woods foi cercado por policiais e morto com 15 tiros, após se negar a soltar uma faca que ele teria utilizado para matar uma pessoa horas antes. Contudo, filmagens do tiroteio mostram o rapaz com braços soltos quando a polícia começou a atirar, o que gerou ainda mais fúria por parte de ativistas, os quais acreditam que ele poderia ter sido rendido sem precisar ser morto.

Rheema Emy Calloway e Ronnisha Johnson, do movimento Black Lives Matter contaram ao jornal The Guardian que perseguiram as dançarinas para perguntar se gostariam de participar do protesto. “Pelo olhar delas, elas já tinham ouvido falar sobre o caso”, afirmou Calloway. “Muitas pessoas vêm a São Francisco para celebrar o Super Bowl sem ter conhecimento dos apuros que as pessoas negras estão enfrentando”, acrescentou Johnson ao Mic. “Sabemos que São Francisco está capitalizando sobre o Super Bowl às custas de comunidades negras pobres que vivem aqui.”

A cantora Alicia Keys, que já lançou uma música sobre a violência policial em 2014, também fez coro aos protestos. Através de seu agente, a cantora entrou em contato com o grupo Black Lives Matter para saber sobre os desafios da comunidade negra em São Francisco, e tomou conhecimento do caso de Mario Woods. De acordo com o Guardian, durante um show realizado no dia 6 de fevereiro, na cidade do Super Bowl, ela teria feito o seguinte comentário:

“Quero agradecer a vocês pelo seu compromisso em fazer justiça a Mario Woods. Enquanto mãe de dois meninos negros, meu coração fica partido ao ver o que estamos vendo, as mortes que estamos vendo nas câmeras e todas as pessoas que nunca veremos. As vidas dos negros importam e todos nós, de todas as cores, precisamos nos unir para acabar com esse racismo sistêmico.”

Embora o gesto das dançarinas e a performance de Beyoncé tenham sido aplaudidos, nem todo mundo ficou satisfeito com o que viu. Rudy Giuliani, ex-prefeito da cidade de Nova York, criticou a cantora chamando a apresentação de “ridícula” e uma afronta à polícia. “Achei um ultraje ela usar [o momento] como uma plataforma para atacar policiais, que são as pessoas que a protegem e nos protegem e que nos mantêm vivos. O que deveríamos fazer na comunidade negra, e em todas as comunidades, é construir respeito aos policiais.”

Algumas pessoas mais ofendidas com a apresentação sugeriram ainda um boicote à voz de “Crazy In Love”.

Entretanto, a reação de uma pessoa é o que conta de verdade. Gwen Woods, mãe de Mario Woods, elogiou a atitude das dançarinas. “Eu estava muito deprimida e isso me deu uma sacudida. Vê-las segurando o cartaz me sacudiu de volta à realidade. Fui edificada”, ela contou ao Guardian, acrescentando que a participação de Beyoncé à causa é importante. “Nós, mães negras, não deveríamos ver nossos filhos mortos como animais… Precisamos fazer algo [a respeito] , isso é de demais.”

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