Há tratamento para automutilação; e a Barb de “Stranger Things” quer que você saiba disso

Se você também assistiu à série “Stranger Things”, são grandes as chances de você ter se apaixonado pela Barb, grande e fiel amiga de Nancy. A personagem caiu no gosto do público, mesmo que sua participação tenha sido curta no seriado da Netflix.

E embora não tenhamos conhecido muito sobre Barb, Shannon Purser, atriz que interpretou a jovem estudante, abriu um pouco mais sobre sua própria vida durante a semana. Enquanto arrumava seu quarto, ela compartilhou no Twitter uma imagem de uma lâmina que usava para se cortar:

https://twitter.com/shannonpurser/status/795661382553403392

Tradução: “Aviso de gatilho:  eu não tenho me cortado em anos, mas eu mantinha isso por perto, ‘só por precaução’. Esqueci que estava aqui e agora isso vai para o lixo”.

Automutilação não é um tema que muitos querem discutir, mas é uma conversa necessária, já que a prática está se tornando mais comum, segundo pesquisas internacionais. Essa agressão contra si mesmo, que pode ser feita a partir de cortes, queimaduras ou mordidas, é mais comum entre adolescentes – principalmente entre meninas – , que buscam uma forma de aliviar sentimento de angústia, culpa, ansiedade, raiva ou vazio que estejam sentindo.

“O sofrimento e o estresse dessas pessoas são tão grandes que, quando se cortam, o corpo libera endorfina, o hormônio do prazer, e elas acabam sentindo um alívio temporário”, explicou a psiquiatra e especialista no assunto, Jackeline Giusti, em entrevista ao jornal O Tempo.

A psicóloga Eliana Olímpio, especialista em adolescência pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, ouvida pelo UOL, acrescentou ainda que “a prática torna-se um vício. A pessoa se corta mais e mais e, mesmo sabendo dos danos que podem acontecer, não consegue parar”.

E diferente do que muitos acreditam, a automutilação não é feita com o objetivo de que outras pessoas possam ver as lesões. Pelo contrário, elas são feitas em áreas do corpo que podem ser cobertas por roupas, impedindo que sejam vistas por alguém.

Como a maioria dos casos acontecem na adolescência, fase marcada por grandes transformações na vida, é preciso que os pais fiquem atentos ao comportamento dos filhos (mudanças de humor, por exemplo), oferecendo apoio e compreensão quando descobrirem que eles estão se ferindo.

Igualmente importante, é preciso procurar tratamento com um psicólogo ou psiquiatra, já que o distúrbio pode ter relação com depressão, bipolaridade ou transtornos alimentares. O bullying, seja nas escolas ou nas redes sociais, pode vir a desencadear essas doenças.

“Se um pai ou mãe descobrir sobre a automutilação do filho, em um primeiro momento, o ideal é agir simplesmente como se ele estivesse chorando”, contou a psiquiatra Jackeline Giusti, em reportagem ao UOL. “É importante perguntar o que o faz sofrer e não diretamente sobre a automutilação. Depois, pais e filhos devem buscar juntos a ajuda de um profissional”.

O tratamento pode ser feito a partir de medicação e psicoterapia. Quanto mais cedo o problema for verificado e tratado, menores são as chances da pessoa voltar a se ferir.

Shannon Purser, em um tweet após a imagem que publicou, deixou uma mensagem de apoio e encorajou pessoas que estão lidando com automutilação a procurar ajuda:

“A recuperação é possível. Por favor, não desista de si”.

https://twitter.com/shannonpurser/status/795661441718173696

Importante: caso você esteja alguma situação difícil, saiba que há ajuda disponível: procure o Centro de Valorização da (CVV) pelo site www.cvv.org.br, ou ligue 141 (24 horas).