Governo de Minas Gerais faz vídeo com uma mulher transexual para combater a LGBTfobia

  14. julho 2016   Internet   0

O governo do Estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Direitos Humanos, Participação Social e Cidadania (Sedpac), lançou hoje (14) um vídeo para combater a LGBTfobia, contando a vida de uma mulher transexual em uma família de uma cidade do interior, Piranga, na Zona da Mata. O tema da produção é “O amor transforma preconceitos”, que conta ainda com a música “Quem sabe isso quer dizer amor”, de Lô Borges e Márcio Borges, do Clube de Esquina.

Na produção, acompanhamos a história de Jussara, uma mulher que foi designada como homem ao nascer, e que começa a se perceber mulher ainda na infância, mas é repreendida pela mãe. Ela então foge da casa onde mora, porém, muitas décadas depois, é convidada por seus pais para voltar ao seu antigo lar, pois eles estão completando 50 anos de casamento. Jussara comparece à festa ao lado do marido e de sua filha, e agora com sua identidade de gênero feminina. A mãe, que aparenta surpresa no início, a abraça e a aceita.

Ao final, é dita a seguinte mensagem: “O amor transforma preconceitos. Respeite a diversidade sexual e diga não à LGBTfobia. Minas Gerais. Governo de Todos.”

“Me senti lisonjeada por ter sido chamada para participar e me emocionei durante as gravações, porque muito do que está ali é o que aconteceu comigo, principalmente na infância, e que é ainda a realidade de muitas trans e travestis”, contou Laura Zanotti, a mulher transexual que interpreta Jussara no vídeo ao jornal O Tempo. “Acredito que a grande maioria de nós foi representada nesta história”, acrescentou a maquiadora de 31 anos, que também é gestora e ativista.

Segundo Douglas Miranda, coordenador especial de Políticas de Diversidade Sexual da Sedpac, o roteiro do vídeo foi pensado nos homossexuais, pessoas trans e travestis de cidades pequenas, onde todo mundo se conhece.

“O vídeo institucional dialoga com a população mineira e tem o olhar muito voltado para as pequenas cidades do interior, para mostrar que não existe preconceito só nos grandes centros urbanos”, explicou o coordenador ao jornal. “As pessoas têm que ser respeitadas em todo o Estado de Minas Gerais. Se você observar, nas cidades pequenas é mais difícil se esconder no armário, porque as pessoas são mais próximas, todo mundo se conhece. Por isso essas pessoas acabam migrando pras cidades grandes, como Belo Horizonte e Uberlândia, onde conseguem se diluir na população.”

Iniciativas como essa, que transmite uma mensagem de respeito, o amor e o acolhimento, deveriam ser mais incentivadas e frequentes, especialmente porque o Brasil é o país mais violento com a população LGBT, principalmente com pessoas trans e travestis. É preciso que os governos municipais, estaduais e federal atuem no combate à homofobia e à transfobia, do contrário, continuaremos perdendo vidas valiosas.

“A única coisa que a população LGBT pede é respeito. Respeito ao poder frequentar uma escola, a ter acesso à saúde, um emprego, uma família”, concluiu Douglas Miranda para O Tempo.


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