Gina Rodriguez tem uma solução para aumentar a representação de latinos em Hollywood

  26. janeiro 2016   Televisão   0

Gina Rodriguez, do seriado “Jane The Virgin”, é mais uma celebridade a entrar na discussão sobre a falta de diversidade no Oscar e em Hollywood. E ela quer apoiar a sua comunidade de latinos, tão pouco representados na mídia.

Na segunda-feira (25), ela deu início à campanha “Movement Monday’s” (“Segundas-feiras Movimentadas”), quando ela destacará, toda semana, o trabalho de um artista latino, para incentivar essa população – e qualquer pessoa também, vale ressaltar – a assisti-lo nas produções em que ele estiver. Para começar, ela escolheu o dono dos nossos corações, Oscar Isaac, que está em “Star Wars: O Despertar da Força” e em “Ex-Machina: Instinto Artificial”, cuja atuação, neste último, ela considerou ser digna de um Oscar.

“Este é Oscar Isaac. Ele é uma ator da Guatemala. Esta foto é do filme “Ex-Machina”, dirigido por Alex Garland, e lançado no ano passado. Com toda essa conversa sobre Oscar e sua falta de diversidade, eu decidi começar um movimento e falar pela perspectiva de uma latina americana que deseja ver mais latinos nas telas”, escreveu Gina Rodriguez. “Há 55 milhões de latinos neste país e, embora nós tenhamos diversas origens, nossa união pode fazer com que um filme possa explodir na bilheteria ou ir muito bem de audiência num programa de TV. Quanto melhor esses projetos forem financeiramente, veremos mais dinheiro investido em latinos em filmes grandes, como protagonistas em séries etc.”

Atualmente, a representação de latinos em filmes é muito baixa: apenas 4,9% dos personagens. Ao mesmo tempo, essa população já representa 17% de todas as pessoas nos Estados Unidos e são 32% dos espectadores no cinema, correspondendo a um percentual que não para de crescer, enquanto o percentual de anglo-saxões apresentou uma queda de 4 pontos.

Portanto, assim como a indústria cinematográfica exclui negros de suas produções, ela também exclui latinos, algo que Chris Rock comentou recentemente. “Você vai me dizer que não há mexicanos qualificados para fazer qualquer coisa nos estúdios além de limpar o chão? Sério?”

E é preciso ressaltar que, mesmo quando um artista latino consegue um grande papel, muitas vezes ele vem acompanhado de estereótipos. “Preguiçosos, com muitos filhos, sem educação, violentos, machistas”, disse Arturo Castro, do seriado “Broad City”, quando perguntado sobre as formas como latinos são representados na mídia. “Você aprende a se livrar do sotaque, mas a primeira coisa que eles [produtores] pedem, em geral, e especialmente quando comecei, é ter sotaque.”

É por isso que a iniciativa de Gina Rodriguez é especial: não só pede uma valorização do trabalho de pessoas de dentro da comunidade latina, como valoriza uma representação boa do que é ser latino.

“Minha solução é essa: o apoio é necessário. Agora não há um latino que possa fazer com que um filme seja produzido. Isso significa que nenhum estúdio dará dinheiro para que um latino seja protagonista, porque eles não acreditam que terão seu dinheiro de volta. Me dizem o tempo todo: ‘latinos não assistem a filmes de latinos. Latinos não apoiam uns aos outros’, o que é verdade, infelizmente. Não estou dizendo para ver um filme que você não gosta para dar um apoio de mentira; estou dizendo que, se você quer nos ver representados no cinema ou na televisão, se você quer ver latinos indicados ao Oscar, nós PRECISAMOS apoiar uns aos outros.”

No ano passado, Gina Rodriguez levou para casa o Globo de Ouro por sua atuação em “Jane The Virgin”, e fez um discurso emocionado. “Esse prêmio é muito maior do que eu. Representa uma cultura que quer se enxergar como heróis. Meu pai me dizia para falar todos os dias que hoje será um ótimo dia, que eu posso, que eu consigo. Bem, pai, hoje eu consegui.”

“Nós podemos fazer a diferença de uma maneira poderosa se nos unirmos e apoiarmos a comunidade latina”, escreveu a atriz. “Vamos começar a fazer barulho a partir do que importa: onde colocamos nosso dinheiro. Vamos usar nossos números, nossas vozes poderosas para provar que nós apoiamos uns aos outros, para provar que podemos ser bons em bilheteria, para provar que eles precisam apoiar todas as culturas latinas na mídia. Essa pode ser uma parte da solução, para que assim, no ano que vem, nós tenhamos várias histórias que podem concorrer ao Oscar.”


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