Foi uma bela noite para a diversidade no SAG Awards

  31. janeiro 2016   Televisão   0
Foi uma bela noite para a diversidade no SAG Awards

Aconteceu nesta noite (30), o Screen Actor Guild (SAG) Awards, prêmio do sindicato dos atores de Hollywood, considerado um dos termômetros para o Oscar. O evento celebra os artistas que mais se destacaram na atuação tanto na TV quanto no cinema.

Em sua vigésima segunda edição, o SAG Awards não só indicou atores e atrizes de outras etnias, como também os premiou em suas respectivas categorias. Não teve como não associar o fato ao Oscar deste ano, que pelo segundo ano consecutivo, só indicou atores brancos ao prêmio. No que diz respeito à diversidade, o Oscar tem muito a aprender com o SAG Awards.

Abrindo a premiação, Uzo Aduba levou a estatueta de ‘Melhor Atriz em Série de Comédia’ por seu papel na série “Orange Is The New Black”, da Netflix, onde interpreta a detenta Suzanne Warren, mais conhecida como Crazy Eyes. Em seu discurso, ela agradeceu ao sindicato pela honraria, e Jenji Kohan, criadora da série, a qual ela agradeceu por colocar na televisão uma atração que “reflete e representa tantas pessoas.”

Uzo pediu ainda que os novos atores, que ainda estão tentando entrar em Hollywood, para que não desistam dos seus sonhos. “Não importa se as pessoas disserem para você sair da fila, continue nela. Você terá sua chance. É sua.”

E o ‘Melhor Ator em Série de Comédia’ foi Jeffrey Tambor, por seu papel como a mulher trans Maura Pfefferman, no seriado “Transparent”, da Amazon. Ele agradeceu à criadora do seriado, Jill Soloway por ter “mudado sua vida”, e dedicou o prêmio às pessoas trans que, diferente de sua rica personagem, não possuem dinheiro para “suas cirurgias, seus medicamentos e sua liberdade.”

Para a imprensa, depois da premiação, Jeffrey disse que queria atingir as pessoas trans mais pobres, pois a falta de dinheiro impede que elas sejam vistas como seres humanos.

A série “Orange Is The New Black” foi premiada mais uma vez, dessa vez por ‘Melhor Elenco de Comédia’. Laura Prepon, a detenta Alex, é quem fez o discurso em nome da equipe. “Olhe para esse palco. É isso o que queremos dizer quando falamos em diversidade”, disse a atriz. “Diferentes raças, cores, credos, orientações sexuais…” Laura agradeceu Jenji Kohan e à autora do livro que deu origem à série, Piper Kerman.

Vale lembrar que “Orange Is The New Black” foi elogiada em um relatório da GLAAD, uma das maiores organizações não-governamentais LGBT dos Estados Unidos, cujo foco de seu trabalho é monitorar a representação dessa comunidade na mídia americana. Foi o seriado com a maior representação de LGBTs da televisão dos Estados Unidos.

Idris Elba, ignorado pelo Oscar, levou dois prêmios no SAG Awards: ‘Melhor Ator Coadjuvante’, pelo filme “Beasts of No Nation”, e ‘Melhor Ator em Minissérie ou Telefilme’, por seu papel em “Luther”. “Fizemos um filme sobre pessoas reais [“Beasts”] e vidas reais. E ser premiado por isso é muito especial porque muitas pessoas foram prejudicadas por isso [a guerra retratada no longa].”

Em outro momento, Idris subiu ao palco e aproveitou para jogar um shade para a Academia do Oscar. “Senhoras e senhores, bem-vindos à TV diversificada.” Tem como não amar esse homem? Em janeiro deste ano, o ator também foi ao parlamento britânico pedir por mais diversidade na mídia do país.

Queen Latifah foi eleita a ‘Melhor Atriz em Minissérie ou Telefilme’ por sua interpretação de Bessie Smith, uma grande cantora dos blues nos Estados Unidos, que também era bissexual. Surpresa, a atriz afirmou que não esperava o prêmio, e aproveitou para encorajar a todos “que não estão na embalagem que as pessoas dizem que você deveria” a continuar a lutar. “Seja você mesmo”, concluiu Queen Latifah.

Numa conversa com a imprensa, ela foi perguntada o que precisaria ser feito para que o cinema tivesse a mesma diversidade encontrada na televisão. “Acho que o público precisa continuar a pedir por isso. Vivemos numa sociedade capitalista, então, tenho esperança de que a oferta e demanda apareçam novamente. Não sei o que aconteceu com isso, mas costumava fazer sentido. Espero que a indústria continue a oferecer para a demanda do público. As pessoas querem, deem o que elas querem.”

Viola Davis foi mais uma vez premiada por seu papel de Annalise Keating, em “How To Get Away With Murder”. No palco, ela falou sobre sua personagem ser considerada uma “anti-heroína” e ser difícil de agradar o público. “Por que eu preciso ser uma heroína? Por que as pessoas precisam gostar de mim? Meu trabalho como atriz é criar um ser humano com as minhas melhores habilidades. Com defeitos, confusa, talvez nem sempre agradável ou bonita. É meu trabalho e eu o faço da melhor maneira possível.”

A atriz também conversou com a imprensa, e comentou, mais uma vez, sobre a falta de diversidade em Hollywood, dizendo que a “diversidade não é um assunto do momento”, afirmando que ela e outros artistas de cor sempre deram e sempre darão o melhor de si em seus trabalhos.

A comediante Carol Burnett foi homenageada pelas realizações em sua carreira, sendo introduzida por Tina Fey e Amy Poehler, e levada ao palco por Steve Carell. A atriz lembrou dos seus tempos de criança, quando economizava dinheiro para ir ao cinema, e após as sessões, ela e sua amiga brincavam de atuar aquilo que viram. Carol contou também sobre a dificuldade de trabalhar com comédia na televisão, num tempo em que homens dominavam esse tipo de programa.

Por fim, os atores de “Spotlight: Verdades Reveladas” foram eleitos como ‘Melhor Elenco’. Mark Ruffalo falou primeiro, dizendo que o filme honra as pessoas que morreram e sobreviveram [em referência aos abusos sexuais de padres da Igreja Católica cometiam contra crianças, tema do filme em que atua], depois de “uma das coisas mais horríveis que a nossa cultura permitiu acontecer.” “Esse filme permite que elas sejam vistas num mundo que ficou cego para elas”, concluiu o ator.

Em seguida, Michael Keaton dedicou o prêmio aos sobreviventes dos abusos sexuais e às pessoas que estão sofrendo com a contaminação na água da cidade de Flint, no estado de Michigan. “Para mim, pessoalmente, isso é para todas as pessoas sem privilégio de todos os cantos. Isso é para cada Flint no mundo. Isso vai para aqueles que não têm poder. Isso para os poderosos que tiram vantagens daqueles que não têm poder. Se resume a duas coisas: existe o que é justo e o que é injusto, e eu sempre vou votar no que é justo. Eu vou sempre ficar do lado das boas pessoas.”

Também foram premiados o elenco de “Downton Abbey”, Kevin Spacey (“House of Cards”), a série “Game of Thrones”, Brie Larson (“O Quarto de Jack”), Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”), Leonardo DiCaprio (“O Regresso”) e o filme “Mad Max – Estrada da Fúria”.


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