Estamos vendo mais filmes com protagonistas femininas, mas a maioria delas são brancas e jovens

Se você acha que assistiu a mais filmes protagonizados por mulheres em 2015, você está certo. É o que mostra uma pesquisa do Center for the Study of Women in Television and Film da Universidade Estadual de San Diego, que monitora a presença feminina na televisão e no cinema.

De acordo com o levantamento, as mulheres representaram 22% das protagonistas nos 100 filmes de maior bilheteria de 2015, um aumento de 10% quando comparado ao ano anterior. “Os números foram, definitivamente, para o caminho certo”, disse Martha Lauzen, autora da pesquisa e diretora-executiva da instituição. “O que não está claro é se 2015 foi uma anomalia ou se isso é o começo de uma tendência de longo prazo.”

Estamos vendo mais filmes com protagonistas femininas, mas a maioria delas são brancas

Para o estudo, foram analisados os 2.500 personagens das produções campeãs de público no ano passado. Os resultados foram comparados com os números de 2014 e 2002, o que representa um total de 11.500 personagens em quase 500 filmes.

Em 2015, as mulheres responderam por 22% das protagonistas, um número 10% maior do que em 2014 e um número 6% maior do que em 2002. Também no ano passado, elas foram 34% das personagens principais, percentual 5% maior do que em 2014  e 7% maior do que em 2002. Pela primeira vez, o estudo verificou o gênero dos vilões: 18% eram mulheres. Somados todos os personagens, a participação feminina no cinema é de 33%.

Contudo, os homens continuam dominando a sétima arte: eles representam 52% de todos os protagonistas e 66% dos personagens principais. Somando todos os personagens, a participação deles no cinema é de 67%. Eles ainda são mais velhos do que as mulheres: a maioria dos personagens masculinos estava na casa dos 30 e poucos (27%) e 40 e poucos (30%), enquanto as personagens femininas estavam na casa dos 20 e poucos (24%) e 30 e poucos (28%).

Estamos vendo mais filmes com protagonistas femininas, mas a maioria delas são brancas

Enquanto o percentual de mulheres diminui com o passar da idade (28% aos 30 e 20% aos 40), o percentual de homens teve um pequeno aumento (de 27% aos 30 para 30% aos 40). Entre os personagens masculinos, eles representam 54% aos 40 anos ou mais, enquanto as personagens femininas representam 34%. Aos 50 anos, o percentual dos homens é quase o dobro das mulheres: 17% contra 9%.

Em tempos de #OscarsSoWhite, quando a etnia entra em jogo, os números para negras, latinas e asiáticas não mudam de um ano para o outro. 76% das personagens femininas eram brancas em 2015, percentual maior do que em 2014: 74%. Personagens negras tiveram um pequeno aumento também: de 11% em 2014 foram para 13% em 2015. Latinas mantiveram o mesmo percentual nos dois anos: 4% e as asiáticas viram sua participação diminuir: de 4% em 2014 foram para 3% em 2015. Somadas, personagens femininas de cor representam um total de 27% dos papéis principais, enquanto mulheres brancas ficam com 38%.

No que diz respeito a estereótipos, a audiência tem mais chances de saber se a mulher é casada do que o homem. 58% dos personagens masculinos tinham um status marital indefinido, enquanto o percentual das mulheres era de 49%. Não só isso, homens tem objetivos mais claros do que as mulheres (60% contra 49%) e têm mais chances de se realizar profissionalmente (48% contra 34%), mas menos chances de se realizar pessoalmente (5% contra 14% das mulheres).

Estamos vendo mais filmes com protagonistas femininas, mas a maioria delas são brancas

O mesmo estudo identificou que a presença de mulheres atrás das câmeras permite um número maior de mulheres na frente delas. Quando há ao menos uma delas na função de diretora ou roteirista, 50% dos protagonistas são personagens femininas e 40% de todos os personagens em filmes, algo identificado em outros estudos também.

Embora seja positivo ver mais mulheres ocupando espaço no cinema, é igualmente positivo dar as mesmas oportunidades a mulheres negras, latinas, asiáticas e mais velhas, afinal, esse é o mundo em que vivemos: com mulheres diversas.

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