A esquete “Branco no Brasil” vai fazer você refletir sobre o racismo no país

Os privilégios de ser branco no país ficam bem escancaradas com esta esquete do programa “Tá no Ar”. Assista.

Falar sobre o racismo pode ser muito complicado, uma vez que esse tipo de discriminação está tão enraizado na sociedade, que muitos acreditam que realmente vivemos em uma ‘democracia racial’, na qual brancos e negros são tratados de forma igualitária.

Uma das formas de levar esse debate necessário e atrasado no Brasil, é por meio dos meios de comunicação. A mídia consegue levar informação para os quatro cantos do país, podendo provocar reflexões e combater preconceitos. Outra boa ferramenta é o humor: quando feito de maneira inteligente, também possibilita que repensemos atitudes que não percebíamos ser problemáticas. E quando você une as duas coisas, o resultado pode ser ainda melhor.

É o caso de uma esquete chamada de “Branco no Brasil”, do programa “Tá no Ar”, da Rede Globo, e apresentado pelo comediante Marcelo Adnet, que tem circulado na internet. A atração vai ao ar somente no dia 24 de janeiro, mas já está disponível para assinantes do Globo Play.

O trecho que foi parar na página “Pensador Anônimo”, no Facebook, mostra o que seria de uma espécie de comercial de um banco, no qual pessoas brancas falam sobre as facilidades que encontram no dia a dia, justamente por serem brancos, enquanto negros aparecem servindo ou fazendo figurações em cada uma das cenas.

“Eu sempre fui atendido nos melhores restaurantes”, diz um personagem. “Eu tive acesso às melhores escolas e universidades públicas do Brasil”, continua outro. “Eu sempre tenho os melhores médicos e planos de saúde”, comenta uma mulher. “Eu tenho acesso aos melhores empregos, às melhores oportunidades, e é claro, eu tenho sempre o melhor salário”, diz o personagem de Adnet. “No meu banco, além de ter acesso aos melhores investimentos, eu tenho atendimento exclusivo. E claro, nunca fui barrada na porta giratória”, completa outra mulher. “Ser branco no Brasil é ter um tratamento diferenciado todos os dias, 24 horas, em qualquer lugar. Branco no Brasil, há mais de 500 anos levando vantagem”, diz o locutor.

As situações apresentadas na esquete são para lá de comuns no país: o número de estudantes negros, com idades entre 18 e 24 anos, em universidades é de apenas 12,8%, segundo uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); os negros ainda recebem 59% do que um branco recebe; e estima-se que a cada 23 minutos, um negro é assassinado no Brasil. Olhando para essas estatísticas, é impossível negar que exista racismo.

Segundo uma matéria do Buzzfeed Brasil, várias pessoas elogiaram o quadro do “Tá no Ar”, enquanto alguns lembraram que embora a crítica seja válida, os negros que trabalham nas novelas da Rede Globo estão sempre ocupando os mesmos papéis apresentados na sátira de Marcelo Adnet: empregadas e seguranças. Outros chegaram a questionar a falta de pessoas negras trabalhando no humorístico.

https://twitter.com/tatidametto/status/821819679568183296

Imagem via Buzzfeed Brasil

https://twitter.com/dodavilhena/status/821734054294917120

Todas as críticas são válidas. É ótimo que a maior emissora do país queira levar um debate sobre o racismo para um grande número de pessoas, mas é igualmente importante levar essa discussão para dentro de casa, mostrando negros em uma variedade maior de papéis nas novelas e séries feitas pelo próprio canal.

De qualquer forma, a reflexão é importante. Se quisermos mesmo avançar, precisamos dar espaços e oportunidades para todas as pessoas.

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