Emicida mostra como a moda deveria ser em desfile na SPFW

  25. outubro 2016   Moda   0
Emicida mostra como a moda deveria ser em desfile na SPFW

A moda não é a indústria mais inclusiva do mundo, embora exista um esforço para torná-la mais plural, como foi o caso da New York Fashion Week deste ano, que trouxe modelos plus size e de hijab para desfilar em suas passarelas, e da revista Harper’s Bazaar, a qual teve duas modelos trans estampando suas capas pela primeira vez. Sim, é pouco, mas o progresso precisa ser comemorado e incentivado.

(*Foto de destaque: ©Agência Fotosite)

Dito isso, é hora de aplaudirmos o desfile feito pela LAB, marca do rapper Emicida e de seu irmão, o produtor Evandro Fióti, que estreou ontem (24) na São Paulo Fashion Week. Ela foi a última a se apresentar no evento, e mostrou qual caminho a moda deveria percorrer: o da diversidade.

“A gente estar aqui hoje me faz sentir que estamos passando nossa mensagem. Transformação é a palavra. Você pensa que é uma palavra simples, mas não é. Ela é algo interno que traz muitos movimentos”, disse Fióti antes do desfile da LAB.

Com direção criativa de João Pimenta, a coleção foi inspirada na lenda do samurai negro Yasuke, e trouxe calças largas, quimonos, estampas de origamis, frases com trechos de música (“I Love Quebrada”), e as cores o preto, cinza, vermelho e o branco predominando nas peças, muitas trabalhadas com amarrações e sobreposições.

Mas o que chamou mesmo a atenção do público presente e da internet foi a escolha dos modelos: 90% deles eram negros e alguns eram gordos, tendo entre eles os nomes dos cantores Seu Jorge, que desfilou vestindo uma saia, e a cantora gorda e lésbica Ellen Oléria.

“Colocamos na passarela pessoas comuns, que tratam a realidade. A gente vê muita coisa, não só na moda, que não condiz com a realidade do país. Estamos mostrando o que é o Brasil”, disse Emicida ao EGO.

@lab_fantasma ♥️ na @spfw #ilovequebrada ? Eduardo Anizelli

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@seujorge #LabnoSPFW #LabYasuke #Labfantasma #EmicidanoSPFW #Ubuntu

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Com certeza, os aplausos não foram à toa. Para se ter uma ideia de como a moda é excludente e como a representação de negros e pessoas gordas é importante, basta olharmos para os números.

Uma pesquisa feita pelo site FashionSpot, mostrou como a moda ainda privilegia pessoas brancas, cisgêneras e magras. Foram examinados 236 anúncios das campanhas de primavera de 2016, nos quais 78,2% das modelos apresentadas eram brancas. Apenas 8,3% eram negras, 4% asiáticas e 3,8% latinas. Modelos plus size foram somente 2,1% e mulheres trans foram quase invisíveis, representando apenas 0,2%.

As passarelas seguem o mesmo padrão. Analisando quem desfilou na temporada de outono em Nova York, Paris, Londres e Milão deste ano, o FashionSpot verificou que, dentre as 8.727 modelos que apareceram nos 312 desfiles, 75% delas eram brancas, 9% eram negras, 7% asiáticas e 2% eram latinas. Menos de um quarto das modelos eram mulheres não-brancas. Pior ainda, quando falamos de modelos plus size, apenas 6 dessas mulheres desfilaram nas concorridas Semanas de Moda. Elas apareceram bem menos do que as mulheres mais velhas (11 modelos), e menos do que mulheres trans (8 modelos).

Portanto, o desfile da LAB não foi só bonito, como foi uma demonstração para qual direção a moda deveria caminhar. O Brasil e o mundo não se parece com o que vemos nas passarelas e anúncios, mas eles se parecem com o que Emicida e Evandro Fióti apresentaram.

“Não estamos fazendo nenhum tipo de protesto. Apenas retratando o Brasil como ele realmente é. A moda tem que ser inclusiva e não gerar mágoas ou destruir sonhos”, concluiu Fióti ao EGO.


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