Deem um Oscar para a maquiadora do DiCaprio

  02. fevereiro 2016   Cinema   0

Na semana passada comecei a fazer uma maratona com os filmes indicados ao Oscar deste ano. Comecei com “Spotlight – Segredos Revelados”, depois “O Quarto de Jack” e “O Regresso” em seguida. A ideia é escrever sobre cada um deles individualmente, mas vou começar de trás para frente, pois uma voz na minha cabeça tem me dito que o filme do diretor Alejandro G. Iñárritu é mais urgente.

“O Regresso” é estrelado por Leonardo DiCaprio, forte candidato ao Oscar de ‘Melhor Ator’ – e provavelmente ele o levará finalmente -, e é inspirado na história real de Hugh Glass, um caçador de pele deixado à própria sorte por seus companheiros após o ataque de um urso. Ele sobrevive e vai atrás de vingança contra John Fitzgerald (Tom Hardy), o homem que o abandonou e matou se filho.

Para começar a falar sobre o filme, preciso ser honesto e dizer que ele não é meu tipo. Se eu estivesse em casa num domingo à tarde e “O Regresso” estivesse no catálogo da Netflix, ele seria a minha última opção. Filmes de ação e western não são muito a minha praia, mas como esse está indicado ao Oscar, eu o assisti do começo ao final.

E ao final das duas horas e meia de longa, tudo o que eu conseguia pensar era: deem um Oscar à maquiadora do DiCaprio! De verdade, a caracterização de seu personagem não seria a mesma sem a maquiagem impecável feita por Sian Grigg, a qual tem trabalhado com o ator desde “Titanic”, em 1997. Não é à toa que ele fez questão de agradecer a ela no Globo de Ouro deste ano (“você é inacreditavelmente talentosa”), já que as feridas feitas pelo ataque do urso, as cicatrizes e os cortes na pele de Hugh Glass estão perfeitas. Portanto, não é surpresa que “O Regresso” também esteja indicado ao Oscar na categoria ‘Melhor Cabelo e Maquiagem’.

O próprio Leonardo DiCaprio também está muito bem no filme. Ele já levou o Globo de Ouro e o SAG Awards por sua atuação e deve levar o Oscar, com certeza. Por conta dos ferimentos, seu personagem mal consegue falar, sendo suas expressões faciais as responsáveis para que ele possa se comunicar com a equipe de caçadores de peles; o que provou (não que precisássemos de provas) a capacidade de interpretação do ator. Ao mesmo tempo, Tom Hardy na pele de um homem frio e egoísta também impressiona, despertando fúria e ódio em Hugh Glass e no público. Ambos os atores se entregaram aos seus papéis, representando com maestria a brutalidade humana.

A representação dos índios Pawnee e Arikara foi uma preocupação particular minha. É comum Hollywood retratá-los como um povo selvagem, mas não é o que acontece em “O Regresso”. Isso porque Alejandro G. Iñárritu contratou um consultor cultural indígena para a obra. Craig Falcon foi o responsável pelo trabalho e afirmou que a produção “acertou em 97% do tempo.” “Houve algumas coisas que eu não concordei, mas você sabe, o diretor tem sua visão artística em sua mente do que ele vê. Nos desentendemos em poucas coisas, mas nada que fosse um problema de verdade”, ele contou a um jornal.

Iñárritu fez um ótimo trabalho com o filme (além de dirigir, o cineasta co-escreveu o roteiro ao lado de Mark L Smith), e traz uma longa (e por vezes exaustiva, para o meu gosto) luta pela sobrevivência em meio às montanhas geladas da Dacota do Sul (contudo, o longa foi filmado no Canadá e na Argentina). Como as filmagens foram feitas a céu aberto, o que vemos são belíssimas imagens da natureza, o que me fez pensar como foi um personagem central para o andamento da produção.

“O Regresso” é uma obra que merece as indicações recebidas aos prêmios. Mas por favor, deem um Oscar à maquiadora do DiCaprio! E a ele também.


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