“Dear Future Husband”, da Meghan Trainor: uma ode aos papéis engessados de gênero?

Segunda-feira, 16, Meghan Trainor lançou o clipe de seu mais novo single, “Dear Future Husband”. A música é tão gostosa quanto “All About That Bass” e “Lips Are Movin'”, e o clipe traz a estética retrô que ela tanto gosta. Mas, assim como a música que a lançou ao sucesso, “Dear Future Husband” também possui uns probleminhas na mensagem. E o clipe parece acompanhar os papéis de gênero engessados que Meghan canta.

“All About That Bass”, apesar de ser uma música sobre body positivity, ou seja, amar o corpo que temos, a cantora ainda submete as mulheres à aprovação masculina ao cantar “minha mãe me disse ‘não se preocupe com seu peso’/ Ela diz ‘meninos gostam de ter o que apertar à noite'”, além de tirar sarro de meninas mais magras.

E aí veio “Dear Future Husband”, que eu só assisti ontem e fiquei um pouco incomodado com o clipe, que me fez prestar atenção na letra, e aí fiquei incomodado com tudo. A Meghan já disse em uma oportunidade que não se considera feminista. Isso fica bem transparente no trabalho dela, né?

A letra de seu novo single contém versos onde ela diz que será uma boa esposa e fará compras para o marido, desde que ele não esqueça as flores em cada aniversário de casamento. Ainda que ela reconheça que seu futuro esposo não é o único que trabalha, e que não ficará em casa cozinhando, Meghan volta ao antigo estereótipo da mulher que age feito louca por conta da menstruação ou qualquer outro motivo. Afinal, mulheres têm de sorrir e ser amáveis o tempo todo, não? (Não.)

Bom, e aí entra o vídeo, onde ela interpreta uma moça que limpa o chão, tá na cozinha e queima a torta de maçã, enquanto vários candidatos a futuro marido tentam conquistá-la. Nenhum deles preenche os requisitos de Trainor. Um deles ainda é recusado por não ser forte o suficiente. Pelo jeito aquele velho pensamento de que homens precisam demonstrar força parece ser um imperativo para ela.

No final, o moço que levou uma pizza, acabou ganhando a atenção de Meghan. Algo tão simples, e que pode nos fazer pensar que o clipe tentou tirar onda desses papéis de gênero tão antiquados nos dias de hoje. Ou talvez ela tenha reforçado tudo isso ao tentar “ser engraçada”.

Eu não vou dizer para não ouvir a música ou assistir ao clipe, nem nada. Mas achei tanto a canção quanto o vídeo um tanto problemáticos, pois traz situações e pensamentos que deveriam ter ficado em décadas passadas.

Meghan, a estética retrô é bacana, mas você parar por aí, amiga.

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