“Dash & Lily”, série natalina da Netflix, amolece até o mais duro dos corações

Se existe algo que eu goste mais do que o Natal em si, são as músicas, séries e filmes que celebram a “época mais feliz do ano”, como canta Andy Williams no clássico “The Most Wonderful Time of the Year”. Eu sou um ávido consumidor de produtos culturais natalinos, assim, assistir ao seriado “Dash & Lily” não foi nenhuma tarefa difícil, mas um prazer e uma distração deliciosa depois de um ano tão duro.

A produção da Netflix possui 8 episódios e é uma adaptação do livro “O Caderninho de Desafios de Dash & Lily”, de David Levithan e Rachel Cohn. Na história, Lily (Midori Francis) é uma adolescente de 17 anos que, assim como eu, adora o Natal, e nunca tivera um namorado, tampouco fora beijada por alguém. Incentivada pelo irmão Langston (Troy Iwata), a menina decide criar um caderno com desafios e o deixa em sua livraria preferida.

Quem pega o objeto é Dash (Austin Abrams), que diferente dela, odeia as festas de fim de ano. Porém, o rapaz está disposto a desvendar a identidade da autora do caderno, e cumpre cada tarefa, mas também dá à garota desafios para cumprir. Dessa maneira, mesmo sem se conhecerem pessoalmente, apenas pelo que compartilham nas notas deixadas um ao outro, ambos embarcam em divertidas aventuras e em uma jornada de autodescobrimento.

A dupla de protagonistas, Midori Francis e Austin Abrams, se saem bem nos seus papéis. Francis interpreta a otimista e sonhadora Lily com o entusiasmo e inocência requeridas pela personagem, enquanto Abrams dá vida com toda apatia necessária para o pessimista Dash.

Além deles, o elenco de apoio é cativante, especialmente Troy Iwata, que faz Langston, cujo trabalho como irmão gay de Lily é divertido e um ponto positivo para a representação LGBTQ na televisão. Enquanto muitas histórias de personagens gays ainda são centradas na descoberta da sexualidade e aceitação de pessoas próximas, Langston está “fora do armário” e tem questões afetivas que poderiam ser de qualquer jovem da idade dele.

Para ajudar a colorir ainda mais a narrativa de “Dash & Lily”, a enfeitada e iluminada cidade de Nova York serve como pano de fundo, cujos pontos turísticos devidamente decorados para o Natal renderiam um bom roteiro de viagem para quem adora essa época do ano (quem sabe em 2021?).

E, finalmente: sim, você pode esperar todos os clichês de filmes de comédias românticas natalinas – e eles funcionam muito bem em tela. “Dash & Lily” não busca reinventar o gênero, mas oferece um conforto em um ano marcado por uma doença que colocou o mundo todo em quarentena. É um alento para o coração ver um casal fofo ficando junto no final – uma certeza gostosa em meio a tantas incertezas sobre o futuro.

Indo além, o seriado transmite uma importante mensagem de que, mais do que nunca, é preciso continuar sonhando e tendo fé de que as coisas podem melhorar. Talvez as coisas não se endireitem com a mesma previsibilidade de uma série da Netflix, mas elas podem vir a acontecer. É impossível resistir ao charme e o mundo cintilante de “Dash & Lily”. E se até o mais cínico Dash cedeu à magia do Natal, você provavelmente vai ceder também.

Todos os episódios estão disponíveis na Netflix.