Crítica: “A Chegada” não é um típico filme sobre alienígenas

Embora pareça mais um filme sobre alienígenas, “A Chegada”, do diretor canadense Denis Villeneuve, vai muito além disso, dando um novo fôlego ao gênero, que é conhecido por imaginar as criaturas extraterrestres como seres que querem apenas acabar com a vida na Terra.

No longa-metragem, acompanhamos todos os acontecimentos pela ótica da linguista e professora Louise Banks (Amy Adams), que é recrutada pelo exército americano para fazer contato com os seres que vieram do espaço, já que ela é a melhor em seu país para fazer esse trabalho de comunicação e tradução. Descobre-se, também, que 12 espaçonaves pousaram em 12 cantos diferentes do mundo, o que leva cada governo local a deslocar uma equipe para entender o que os aliens resolveram fazer no nosso planeta.

É tudo muito misterioso e as respostas demoram a vir. E nós as buscamos junto de Louise, que é personagem mais humana de toda a produção, e cujo medo e excitação frente aos seres desconhecidos se assemelham à reação de qualquer pessoa que estivesse em seu lugar.

Ao mesmo tempo, vemos flashes aleatórios da filha da professora, a qual morreu adolescente vítima de um tipo de câncer. Embora não pareçam fazer sentido com a trama dos alienígenas, essas lembranças possuem uma relação quando chegamos ao final do filme, e finalmente entendemos que o tempo corre de maneiras diferentes entre humanos e os visitantes que vieram do espaço.

“A Chegada” é muito inteligente e traz discussões atemporais e muito humanas em suas quase duas horas de duração, como o medo do outro. Como a Lady Sybylla escreveu no Momentum Saga, em tempos de Donald Trump, essa é uma mensagem forte, já que é impossível não comparar a situação apresentada no filme com as políticas anti-imigração do presidente dos Estados Unidos.

E esse receio com os estranhos que pousaram naves espaciais na Terra é muito bem trabalhado por Amy Adams, que ao fazer contato com eles, entende que, para compreende-los, é preciso ensiná-los sua língua e aprender a deles. Contudo, essa não é uma tarefa fácil, já que a população mundial está amedrontada e cobra dos governos uma resposta rápida àquela invasão.

Outra questão chave no longa-metragem é o impacto das escolhas que fazemos na vida. “Se você pudesse ver sua vida toda, do começo ao final, você mudaria as coisas?” É o que pergunta Louise Banks ao seu colega de trabalho, Ian Donnelly (Jeremy Renner). E é o que terminamos nos perguntando ao final da obra. Para algumas pessoas, certas decisões podem não impactar futuro, mas, para outras, o que escolhem hoje pode mudar muito o decorrer da vida.

“A Chegada” concorre ao Oscar em 8 categorias, inclusive ‘Melhor Diretor’ e ‘Melhor Filme’, mas teve Amy Adams esnobada na categoria de ‘Melhor Atriz’, uma indicação mais do que merecida a ela. Afinal, sem a artista, o longa não chegaria a qualquer lugar.

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