Charlize Theron diz que é preciso mais esforços para acabar com a AIDS no mundo

  19. julho 2016   Internet   0

Para Charlize Theron, a luta contra a AIDS não chega ao fim porque “nós valorizamos algumas vidas mais do que outras”. A declaração da atriz foi feita durante a 21ª edição da Conferência Internacional sobre o vírus, realizada em Durban, na África do Sul.

No evento, a artista sul-africana, que possui a fundação Charlize Theron Africa Outreach Project, lembrou que era a segunda vez que seu país sedia a Conferência, mas que isso “não deveria ser motivo de orgulho”.

“Por favor, entendam, eu não quero insultar ninguém aqui ou diminuir o trabalho extraordinário que tem sido feito por essa maravilhosa comunidade ao longo dos anos”, explicou. “Eu vi o impacto do trabalho de vocês em primeira mão. Eu fui inspirada pessoalmente por seu comprometimento com essa luta. Incontáveis vidas teriam sido perdidas sem a sua dedicação e compaixão. Mas acho que é hora de reconhecermos que há algo terrivelmente errado”.

Foi então que Charlize trouxe estatísticas. “A verdade é que temos todas as ferramentas necessárias para prevenir a contaminação do HIV: camisinhas, PrEP [profilaxia pré-exposição], PEP [profilaxia pós-exposição], ART [terapia antirretroviral], conscientização e educação. Ainda assim, 2,1 milhões de pessoas – 150 mil delas são crianças – foram infectadas pelo HIV no ano passado. Somente na África do Sul, 180 mil pessoas morreram por conta da AIDS em 2015″.

Mas, se há tantos meios disponíveis para acabar com a epidemia, então por que não conseguimos vencê-la? A resposta, de acordo com Charlize Theron, é aquela que abre este texto.

“A verdadeira razão pela qual não vencemos a epidemia se resume a um único fato: nós valorizamos algumas vidas mais do que outras”, afirmou. “Valorizamos mais os homens do que as mulheres. Amor heterossexual mais do que o amor gay. Pele branca mais do que a pele negra. Ricos mais do que os pobres. Adultos mais do que adolescentes”.

Ela ainda acrescentou: “Eu sei disso, porque a AIDS não discrimina por conta própria. Ela não tem preferência biológica por corpos negros, corpos das mulheres, corpos homossexuais, jovens ou pobres. Ela não escolhe os os mais vulneráveis, os oprimidos, ou os abusados. Nós os ignoramos. Nós os deixamos sofrerem. E depois os deixamos morrer”.

Os dados apresentados pela atriz são do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). De acordo com as informações divulgadas em um relatório do UNAIDS, em 2015, cerca de 36,7 milhões de pessoas viviam com o HIV.

Na América Latina, em torno de 2 milhões são soropositivos, enquanto o número de novos infectados fica entre 100 mil. No Brasil, há cerca de 830 mil pessoas com HIV e  número de novas infecções é estimado entre 31 e 57 mil pessoas.

Para ajudar a combater a epidemia, a artista falou sobre a GenEndIt, uma iniciativa de sua fundação, e que pede aos jovens um esforço para enfrentar as desigualdades sociais no mundo, entre elas o fim da AIDS, da misoginia, a LGBTfobia, racismo e o ciclo da pobreza.

“Se nós vamos acabar com a AIDS, devemos curar a doença em nossos corações e mentes primeiro. E eu acredito que os jovens são os únicos capazes de fazer isso. Os jovens sempre têm sido os condutores da mudança social. Esta é a geração que está quebrando tabus e redefinindo velhas noções de gênero, sexualidade e justiça racial”, concluiu a estrela, que pediu uma “contagem regressiva” para acabar com a AIDS até 2030, como propôs a Organização das Nações Unidas, a ONU.