Capa da Forbes, Katy Perry quer que as mulheres não tenham medo de liderar

Katy Perry não tem do que reclamar sobre sua carreira. Após o sucesso do disco “Teenage Dream”, de 2010, que colocou 5 singles em primeiro lugar nas paradas dos Estados Unidos, a california gurl conseguiu manter-se como um dos grandes nomes da música pop. A prova disso foi o seu show no intervalo do Super Bowl, em fevereiro deste ano, transmitido na televisão americana, batendo recorde de audiência: 118,5 milhões de pessoas assistiram sua performance. Além disso, seu clipe “Dark Horse”, tornou-se o primeiro de uma artista feminina a alcançar mais de 1 bilhão de visualizações, na plataforma Vevo e no Youtube. “Roar”, primeiro single do álbum “Prism”, de 2013, também está próximo da marca de 1 bilhão. Pouco poder, não?

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E o trabalho de Katy Perry tem rendido muito, financeiramente falando. De acordo com a revista Forbes, a voz de “I Kissed a Girl” foi a terceira celebridade mais bem paga do mundo, faturando 135 milhões de dólares nos últimos 12 meses, o que a levou a estampar a capa da edição de julho da publicação. 60% dos seus lucros, de acordo com a “Forbes”, vieram de fora dos Estados Unidos, frutos de sua turnê mundial, a “Prismatic World Tour”, que chega ao Brasil em setembro. “Ela tem um talento para alcançar uma vasta audiência, e seus temas ressoam com outras culturas, raças e gêneros”, comenta Chuck Leavell, tecladista dos Rolling Stones. “A música combina muito bem com as letras, e as melodias são infecciosas. Ela é uma verdadeira artista global”.

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A publicação relembra a escalada de Katy Perry ao topo, desde o tempo em que lançou seu disco gospel, até mudar de nome e alcançar o topo das paradas com músicas sobre relacionamentos, festas e empoderamento. Dona de sua carreira, a cantora não tem medo de assumir a liderança. “Tenho orgulho da minha posição como chefe, como uma pessoa que comanda minha própria empresa. Sou uma empreendedora… Não quero fugir disso. Na verdade, eu meio que quero agarrar isso”, afirma Katy à Forbes.

E a posição de chefia não deveria assustar as mulheres, que são mais desestimuladas a ocupar cargos mais altos numa organização. “Antes de aceitar a oferta de ser capa, me disseram que muitas mulheres não quiseram fazê-lo. Eu me pergunto se é porque pensaram que, socialmente, pareceria que elas estavam se exibindo ou de que essa não era uma decisão humilde”, escreveu Katy Perry em seu Instagram.

Desencorajadas e criticadas, as mulheres ocupam menos posições de liderança em empresas e organizações, e ainda recebem em torno de 30% menos do que homens.

Em 2014, a ONG Lean In lançou a campanha “Ban Bossy – I’m Not Bossy. I’m The Boss” (“Chega de Mandona – Eu Não Sou Mandona. Eu sou a Chefe”), encabeçada por celebridades como Beyoncé e várias personalidades, e visava justamente incentivar jovens mulheres a ocuparem o papel de chefe. “Precisamos dizer a elas que não há problema em ter ambição. Precisamos ajudá-las a serem assertivas”, diz o vídeo.

A falta de estímulo à presença de mulheres em altos cargos tem a ver com a estrutura machista em que a sociedade está apoiada. Mesmo que elas tenham saído das casas e entrado nos escritórios, não é difícil escutar que mulheres são “mais emotivas” e não possuem o mesmo “preparo” de homens para serem líderes. O que não condiz com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que relaciona a liderança feminina e o bom desempenho e lucratividade de uma empresa. Entretanto, apenas 5% dos cargos de alta chefia são ocupados por mulheres. Foram 108 países pesquisados pela OIT, onde em 80 deles houve um aumento na liderança feminina nas empresas, principalmente em posições intermediárias.

No Brasil, de acordo com uma pesquisa de salários e benefícios feita pela Catho, há um crescimento de mulheres em cargos de chefia, ainda que o aumento não tenha sido tão grande no período de 2009 a 2015. Há seis anos, o percentual de mulheres ocupando esses postos era de 23%. Hoje, esse percentual subiu para 27,8%. Quando comparado com o ano de 2002, o cargo de vice-presidência, por exemplo, a participação feminina teve um salto de 109,93%, passando de 12,89% para 27,06%, em 2015.

No entanto, encorajar mulheres a não terem medo de liderarem não é o suficiente. É preciso vencer as barreiras sociais dentro das corporações, criando mecanismos que possibilitem o crescimento das mulheres dentro delas. “Esse é um ambiente ainda muito masculino, mas as empresas estão querendo aumentar a participação das mulheres, tanto nos conselhos, quanto na direção, para aumentar a diversidade e adotar uma abordagem mais colaborativa”, explica a diretora de Coaching, Counseling e Mentoring da Catho, Mara Turolla. Mesmo em países mais igualitários, a participação feminina ainda é menor. “O número ainda é pequeno, vem crescendo, mas está longe de chegar a um equilíbrio”.

Michele Morelli, vice-presidente de Marketing da AOL, em artigo escrito para o site AdWeek, esclarece as várias formas em que é possível trabalhar para acabar com a desigualdade de gênero dentro das empresas, sendo uma delas o aumento da participação feminina nos altos cargos. “Uma sala de reuniões diversa, que inclui mulheres qualificadas, que podem progredir com os objetivos dos negócios, criam um padrão de igualdade de cima para baixo, assim como inspira outras mulheres a serem líderes. Quando funcionárias recebem reconhecimento, como prêmios ou oportunidades para falar, a paridade de gênero envia uma forte mensagem”.

Investir não só em conteúdo, mas nas próprias mulheres e em pautas feministas, também é uma ótima forma de mudar o cenário. “Com os recursos, consciência pública e comunicação de massa disponíveis hoje, as marcas possuem a oportunidade de fazer um impacto significativo à igualdade de gênero. Não é pular no feminismo porque é o tópico do momento agora. É porque essa é a coisa certa a fazer”, finaliza Michele Morelli.

Katy Perry não quer mulheres com medo de serem líderes, mas poderosas, donas de si, e que possam transformar a sociedade. “Moças, há uma diferença entre ser humilde e trabalhar duro para ver os frutos do seu trabalho florescerem e seus sonhos realizados. Tenho esperança de que essa capa possa ser uma inspiração para outras mulheres. Não há problema em ter orgulho de seu duro sucesso conquistado e não há vergonha em ser chefe”. O recado e a capa de Katy Perry são mais um passo rumo à igualdade. E que isso não pare.

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