O Canal das Bee quer atender jovens LGBTs no Brasil todo e precisa da sua ajuda!

  06. outubro 2016   Internet   0
O Canal das Bee quer atender jovens LGBTs no Brasil todo e precisa da sua ajuda!

Quando eu era adolescente e comecei a entender a minha sexualidade, percebi que não tinha com quem conversar sobre o assunto. Achava que não havia espaço para isso com a família, não havia abertura com as amigas, e eu sequer podia acessar a internet. Foi uma época de bullying constante na escola e de sofrer em silêncio. Eu tentei ao máximo não ser quem eu era, o que fazia com que a dor dentro de mim só aumentasse.

(Na imagem acima: Débora Baldin, Jéssica Tauane e Herbet Castro, do Canal das Bee)

E se hoje eu estou muito bem, obrigado, com a minha sexualidade (apesar de ainda estar aprendendo muita coisa, já que deixei de viver muita coisa), é porque eu finalmente conheci pessoas como eu, fiz amigos e encontrei apoio, principalmente na internet.

Hoje, para muita gente, a internet se tornou um espaço de acolhimento e de encontro de semelhantes, algo que, muitas vezes, não é encontrado fora da rede.

“Ser jovem e LGBT é muito solitário. Você vive rodeado de opressões e não tem como conversar com nenhum de seus grupos sociais mais próximos: pais, amigos ou colegas de escola”, diz Herbet Castro, um dos integrantes do Canal das Bee, em entrevista por email para o Prosa Livre. “E é na internet que esses jovens encontram apoio, sem precisar se identificar”.

Criado em 2012, o Canal das Bee discute questões LGBT de forma bem humorada e didática, ajudando a combater os mais variados tipos de preconceito. Com mais de 280 mil inscritos, o grupo está com uma campanha de financiamento coletivo, a Bee Ajuda, que visa realizar um atendimento psicológico para jovens LGBT que os procuram, e que “no conflito com as suas sexualidades, estão lidando com situações nada fáceis de abuso, violência, iminência de suicídio, entre outras”, explica a página do projeto na plataforma do Benfeitoria.

“O acolhimento psicológico proposto pelo Canal tem o intuito de atingir essas pessoas que estão em situação de vulnerabilidade e nos procuram. Em casos mais graves, será necessário encaminhar para atendimento especializado e local [psicólogos ou assistentes sociais, por exemplo], como já temos feito até então”, contou Herbet. “O que muda com a campanha é que com o crescimento do Canal, não damos mais conta de suprir as necessidades daqueles que nos procuram. São muitas pessoas. E mais que isso, ninguém da equipe fixa tem formação para atender de forma correta casos mais graves, como tentativa de suicídio. É aí que entra a necessidade de contratar o Bruno [Bueno], que é ativista LGBT e psicólogo”.

“Não há políticas públicas ou serviços específicos que atendam LGBTs por todo o pais, vivemos numa sociedade que nos trata como invisíveis” completa o youtuber. “Mesmo para aqueles que procuram ajuda profissional, é muito difícil que se sintam confortáveis para expor sua identidade, e no Canal das Bee essas pessoas encontram segurança e apoio para serem quem são”.

A primeira meta da campanha é arrecadar R$ 80 mil, para que o psicólogo Bruno Bueno possa, durante um ano, realizar um atendimento psicológico gratuito para os jovens que precisam desse suporte. As doações podem ser feitas a partir de RS 10, e vão ajudar muita gente no país inteiro. Contribua! (E tem várias recompensas legais também)

Já a segunda meta do Canal das Bee diz respeito à produção de um curta-metragem, cuja história será centrada no amor entre mulheres. Eu poderia fazer uma lista dos motivos pelos quais essa produção é importante, mas vou dar apenas três:

  • não há personagens LGBT o bastante na mídia (por exemplo: 82 dos 100 grandes filmes de 2015 não tinham um personagem LGBT sequer!);
  • estudos já demonstraram que pessoas que não têm contato com LGBTs na vida real, podem ser influenciadas pelos personagens LGBT que veem em séries, filmes e novelas;
  • representatividade importa.

“É importante ocupar todos os espaços dentro da sociedade e, consequentemente, nos reconhecer dentro das produções audiovisuais”, explica Herbet Castro. “Além disso, toda a equipe é formada por LGBTs, e isso enriquece a veracidade do conteúdo, uma vez que não mais somos representados sob a ótica de outra pessoa. É conteúdo feito por e para LGBTs”.

Ou seja, a causa é nobre, vai ajudar muita gente e terá um impacto muito positivo, especialmente na vida de tantos jovens que ainda estão se descobrindo e firmando suas identidades.

“Já são três anos trabalhando nesse projeto incrível e que tem tomado proporções que realmente não esperávamos. É lindo ver a confiança que conquistamos do público que segue o Canal, e com isso vem a responsabilidade”, conta o youtuber por email ao Prosa Livre “Chegamos nesse lugar não só produzindo conteúdo com representatividade, mas também dialogando com as necessidades da nossa Colmeia. O objetivo principal do Canal das Bee, desde que foi criado no ambiente acadêmico, sempre foi ajudar essas pessoas. Essa iniciativa busca acompanhar a demanda de atendimentos junto ao crescimento do Canal“.

Eu sei bem como é esse sentimento de não pertencer a lugar algum e lutar para tentar se encaixar em um molde de quem as pessoas querem que você seja. Eu sofri calado muito tempo, e não desejo isso para ninguém. É por isso que a iniciativa do Canal das Bee é tão importante e necessária. Ninguém deveria sofrer por ser LGBT.

Para contribuir com o Bee Ajuda, clique aqui.


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