A bissexualidade de Amber Heard não tem nada a ver com seu divórcio de Johnny Depp

  03. junho 2016   Internet   0

Foi noticiado na semana passada que Amber Heard e Johnny Depp estavam se divorciando após 15 meses de casamento. A atriz deu entrada no pedido, alegando violência doméstica, e conseguiu na Justiça uma ordem de restrição contra o ex-marido. Nos documentos judiciais, ela alegou que foi agredida durante o casamento, e lembrou de um incidente em que temeu pela sua própria vida. Uma troca de mensagens entre Amber e Stephen Deuters, um dos representantes de Johnny, indica que os ataques contra ela teriam começado antes mesmo do casamento.

Contudo, como sempre acontece quando uma mulher denuncia algum tipo de violência contra ela, logo as pessoas e a mídia começam a procurar formas de desacreditar a vítima, relativizar o que aconteceu e culpá-la pelo que viveu. Com Amber Heard não foi diferente.

Tweet: “Amber Heard foi fotografada sorrindo horas depois do ‘ataque com iPhone’ de Johnny Depp” / “Teriam as amigas lésbicas de Amber Heard impactado seu casamento?” / “Advogado de Johnny Depp diz que Amber Heard faz alegações para ganhar vantagem no divórcio” / “Do lado positivo: um dos gatos de Hollywood está solteiro de novo.”

Nenhum de nós tem conhecimento de como era o casamento de Amber Heard e Johnny Depp, mas isso pouco importa. Quando tentamos desacreditar uma mulher que foi vítima de violência doméstica, isso mostra como sabemos pouco sobre o assunto. Por que à vítima é dada a certeza de que ela está mentindo enquanto ao agressor é dado o benefício da dúvida?

E ao mesmo tempo em que essas preguiçosas afirmações são feitas, a mídia vem prestando um desserviço ao falar sobre o caso, tratando, inclusive a sexualidade Amber, que é bissexual, como responsável pelas agressões que sofreu.

“Cara Delevingne seria pivô de briga entre Johnny Depp e Amber Heard”, reportou a Veja, citando uma matéria do The Sun, que possui uma chamada ainda mais problemática: “Bye bi, Amber: Johnny Depp ’driven insane’ over fears his wife had cheated on him with supermodel Cara Delevingne” (tradução: “Adeus bi, Amber: Johnny Depp estaria ‘enlouquecido’ com medo de que sua esposa o teria traído com a modelo Cara Delevigne”). O Blasting News diz: “Romance lésbico causa separação de Johnny Depp”.

Eis os problemas dos títulos (e dos textos): todos acabam justificando a suposta agressão do ator. Quem mandou a Amber se envolver (supostamente) com outra pessoa? O tabloide The Sun foi ainda mais longe e acrescentou o “bi” na chamada como referência à sexualidade da artista em questão. Mas qual o sentido do termo ali?

Dessa maneira, continua a ser perpetuado o estereótipo de que pessoas bissexuais são promíscuas e incapazes de manter um relacionamento monogâmico. A sexualidade de Amber Rose não tem nada a ver com o divórcio de Johnny Depp. Pior ainda, ela é usada para isentar o ator das supostas agressões.

“A sexualidade de Amber Heard só é relevante para dizer que as mulheres bissexuais experienciam um risco maior de violência doméstica. A bissexualidade não é, contudo, a causa da violência. Isso não significa de maneira alguma que ela é imoral ou merece abuso”, escreveu a atriz Evan Rachel Wood no Twitter, em uma mensagem apagada em seguida. Segundo um estudo publicado pelo Think Progress, as mulheres bissexuais são as que mais sofrem com a violência física, sexual e psicológica, além de serem mais propensas a desenvolver algum tipo doença mental, já que a falta de entendimento sobre a sexualidade faz com que as pessoas de dentro e fora da comunidade LGBT acabem discriminando esses indivíduos.

Pessoas bissexuais não estão confusas, não são gays ou lésbicas ou héteros de acordo com o relacionamento em que estão: elas são bissexuais o tempo todo. E isso não quer dizer que são infiéis e que merecem passar por qualquer tipo de abuso. É preciso parar de usar a sexualidade de Amber Heard para justificar as supostas agressões de Johnny Depp. Não há problema em ser bissexual, o problema é violência contra essas pessoas. E isso precisa parar.


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