“Bichas” é um documentário brilhante e necessário

“Esse filme fala, antes de tudo, de amor. Para ser mais exato: de amor próprio. A palavra BICHA vem sendo usada de forma errada, como xingamento. Quando na verdade, deveríamos tomar como elogio.”

É essa a descrição do documentário “Bichas”, que tem feito sucesso na internet desde que foi publicado no Youtube, há dois dias. Até o fechamento deste post, já foram mais de 54 mil visualizações e mais de 500 comentários. O sucesso é fácil de entender: 6 rapazes gays, ou melhor, 6 bichas abrem suas vidas em frente à câmera, contando desde o momento em que começaram a se entender como homossexuais, até o momento de sair do armário, viver sua sexualidade e a forma como lidam com o preconceito.

Se você é gay, com certeza consegue se identificar com algumas das situações apresentadas por Bruno Delgado, Igor Ferreira, Italo Amorim, João Pedro Simões, Orlando Dantas e Peu Carneiro. Eu me identifiquei com várias das histórias contadas pelos participantes do documentário. Foi impossível não me ver ali, sendo xingado de “bicha” e “viado” pelos colegas de escola e estranhos na rua, a tensão de revelar aos pais a orientação sexual e a briga com a homofobia interna. Eu ri, chorei, me emocionei e me identifiquei. Terminei os quase 40 minutos do documentário querendo abraçar cada um dos rapazes.

O projeto foi criado, dirigido e editado por Marlon Parente, que contou ao G1 como surgiu a ideia do documentário. “Em setembro eu estava com alguns amigos no centro do  Recife, andando de mãos dadas, quando um senhor passou por a gente e sacou uma arma. Ele disse: ‘eu vou atirar em vocês porque vocês são bichas e bichas merecem morrer'”, relembra o publicitário. “Eu fiquei congelado, não acreditei que ele estava apontando uma arma por isso. A gente começou a se apressar, a querer ir embora quando o Ítalo, que está no vídeo, revidou: ‘pode atirar, agora não vai acabar aqui, vai ter bicha em todo lugar e você não vai dar conta’. Passou um carro da polícia e ficamos seguros fisicamente, mas isso ficou na minha cabeça, principalmente pela ofensa que ele disse ser ‘bicha’. Foi quando decidi que a gente deveria se impor e falar sobre isso.”

E a partir daí surgiu “Bichas”, um documentário necessário e que merece ser visto por LGBTs e heterossexuais e por todo mundo. Não só é ótimo que a palavra “bicha” seja ressignificada, perdendo a conotação negativa, como cada um dos meninos traz um pouco das suas vivências às telas, fazendo o recorte do racismo, como é o caso de João Pedro, que lembra como gays negros são preteridos em relacionamentos com o argumento de “gosto”. Igor Ferreira e Peu Carneiro também lembram das bichas afeminadas, discriminadas dentro do próprio movimento LGBT.

No final, a mensagem que todos passam é a mesma: ser bicha é fabuloso. É um trabalho simples, mas incrivelmente poderoso. Segundo a Folha de Pernambuco, “Bichas” já foi selecionado para o Festival “O Cubo de Cinema”, no Rio de Janeiro.

Vai ter bicha, sim, querido! Aceita!

Confira o brilhante “Bichas” abaixo:

Comments

  1. Sergio Viula Responder

    Muito bom!

    Parabéns pelo trabalho e pela resistência!!!

    Beijos coloridos,
    Sergio Viula

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