Assistir ao BBB 21 se tornou uma enorme prova de resistência emocional

Eu admito que não sou o maior fã de “Big Brother Brasil”, mas assim como fez todo o país no ano passado, assisti à última edição do reality show e torci muito, especialmente pelas mulheres – sobretudo, pela Thelminha, grande vencedora do programa. E, assim como todo mundo estava ansioso pela volta do “BBB” em 2021, eu também fiquei na expectativa para uma distração em meio a esse Brasil caótico. Contudo, o que recebemos foi o exato oposto do que queríamos: em vez de uma bem-vinda alienação em tempos tão conturbados, estamos vendo na televisão e nas redes sociais um verdadeiro show de horrores.

O programa veio com um elenco bem mais diverso em comparação às edições passadas, mas tem sido difícil de acompanhar. Como bem apontou o Fefito em sua coluna para o Splash, do UOL, o medo do “cancelamento” parece ter tirado dos participantes a naturalidade com a qual deveriam ter ao lidar com as questões e situações que se apresentam durante confinamento. Tudo parece ser feito e dito tendo em mente o que as pessoas em casa podem estar pensando sobre cada um deles.

Além disso, parece que houve um esforço da produção do “BBB” em levantar debates envolvendo raça para o grande público, afinal, dos 20 competidores, 9 são negros (um número recorde para o programa), o que aproxima a atração à realidade brasileira, cuja maioria da população é negra (56%, segundo dados do IBGE). Porém, essas conversas não fluem entre os brothers, e o que poderia vir a ensinar alguma lição, acaba se perdendo em longas e intensas discussões e brigas.

E essas brigas entre os participantes não são daquelas de pegar pipoca para assistir, mas de clamar para que a produção intervenha no programa. Isso porque, desde o último sábado (30), quando o ator Lucas Penteado arrumou uma confusão com praticamente toda a casa, o que se viu depois disso foi tortura psicológica, perseguição e uma tentativa de isolá-lo do grupo. Lucas errou, porém, nada justifica o assédio que vem sofrendo depois do episódio. A cantora Karol Conká foi quem mais atacou o artista, impedindo-o de almoçar no mesmo horário; zombando da religião dele; e  xingando-o durante o Jogo da Discórdia, realizado na segunda (1º). Lucas errou, porém, nada justifica o assédio que vem sofrendo.

Aliás, há de se notar que, enquanto Karol ofendia o colega de casa, Sarah foi a única a sair em defesa dele. Contudo, até então, ninguém havia feito nada para impedir as agressões psicológicas contra ele. Pelo contrário, pelas costas, os participantes achincalharam Lucas, e disseram coisa como ele ter um “hálito ruim” por ser não ser uma pessoa boa, e ainda insinuaram de que ele poderia estuprar uma mulher. Recentemente, o comediante Nego Di disse que Lucas “defende vagabundo” ao se referir aos estudantes que ocuparam escolas em 2015.

As ofensas também atingem a advogada Juliette. Paraibana, a moça já foi vítima de um comentário xenofóbico de Karol Conká (aparentemente, a rapper parece sempre ter algo ruim a dizer) e de piadas de vários participantes, por conta do seu sotaque. Hoje (3), ela desabafou no almoço, afirmando que não estava feliz, após o ator Fiuk dizer que todos ali estavam bem. “Menos eu. Então não está todo mundo, eu não estou aqui?”.

Esses são alguns exemplos do quão difícil está sendo assistir ao “BBB 21”. Nós queríamos apenas um entretenimento, um passatempo, e estamos tendo que escolher o que nos deixa menos irritados ao ligar a TV. E, sinceramente, eu duvido que nós tenhamos saúde emocional para aguentar até a final do programa.