A Barbie acaba de ganhar uma forte concorrente na Nigéria

A Barbie não é exatamente a boneca mais representativa do mercado de brinquedos, mas ainda assim, desde 1959 dita qual padrão de beleza é aceito socialmente. E isso não faz muito bem para a autoestima das garotas que não são parecidas com ela.

Se diversidade é um problema, um empresário nigeriano vem transformando o mercado de bonecas em seu país após fabricar suas próprias bonecas. Taofick Okoya foi motivado por sua filha, após reparar nas bonecas com as quais ela brincava.

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“Todas as bonecas em casa eram brancas, e eu pensei ‘Oh, OK, isso é um problema’, porque quando você enche a criança com isso, acaba virando uma forma aceitável de… Como você deve ser. Então pensei e eu queria que minhas bonecas ensinassem a cultura nigeriana e africana”.

As bonecas inspiradas nas Rainhas Africanas vendem mensalmente, em média de 6 a 9 mil unidades por mês, segundo a Reuters. O nicho de mercado pouco explorado pelas outras empresas do ramo deu a Okoya a oportunidade de fazer seu próprio negócio e se sobressair. Mas a questão não gira em torno do dinheiro somente.

Dolls dressed in local attire are arranged on a table at a workshop in Surulere district, in Nigeria's commercial capital Lagos January 8, 2014. REUTERS/Akintunde Akinleye
Reprodução: Reuters

As bonecas são o retrato dos três maiores grupos étnicos nigerianos – Igbo, Yuruba, and Hausa – e carregam uma mensagem de empoderamento, como destaca o próprio site da marca.

“Nossa missão é promover uma autoidentidade positiva nas meninas africanas, como também preservar nossa cultura. O projeto ‘Rainhas da África’ é um programa empoderador para meninas, com o objetivo de propor atributos e interesse nas meninas africanas, através de uma forma divertida. As bonecas ‘Rainhas da África’ foram desenhadas para representar qualidades progressistas como resistência, paz e amor, enquanto desenvolvem potenciais, literalmente, em nossas crianças, assim como aumentam o desenvolvimento de suas carreiras no futuro”.

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Não só empoderá-las e ensinar a cultura africana para as meninas (e meninos também), as bonecas dão exemplo de ativismo, como o exemplo acima, onde uma delas carrega uma faixa da campanha #BringBackOurGirlsque pede a libertação de centenas de garotas nigerianas sequestradas pelo grupo terrorista de Boko Haram.

Há um nicho para a diversidade na indústria de brinquedos. Taofick Okoya, o criador das bonecas, estima possuir de 10 a 15% de um “nicho de mercado pequeno, mas que está crescendo rápido”, segundo entrevista ao Elle.

“As ‘Rainhas da África’ definitivamente preenchem uma lacuna no mercado. Digo isso porque a primeira reação que tivemos dos varejistas foi resistência. Eles disseram que ‘bonecas negras não vendem’. Então embarquei numa campanha educacional através de várias mídias, dizendo às pessoas sobre os impactos psicológicos que as bonecas têm nas crianças e o impacto que pode haver na semelhança entre as bonecas e a criança africana”.

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Para a Reuters, Okoya diz ter ciência de que as bonecas ainda não representam todas as mulheres, uma vez que todas são magras como a Barbie, mas espera fabricar bonecas maiores.

“Por enquanto, temos que ficarmos com as bonecas ‘normais’. Mas uma vez que a marca esteja estabelecida, vamos fabricá-las com corpos maiores”.

As bonecas, segundo ele, estão vendendo bem, e ele já as entrega nos Estados Unidos e Europa. Será que veremos as ‘Rainhas Africanas’ no Brasil? Espero que em um futuro próximo sim.

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