Autor de James Bond afirma que Idris Elba não seria bom para o papel

  01. setembro 2015   Cinema   1

Idris Elba está no elenco de Star Trek Beyond, que chega aos cinemas no ano que vem. Além de aventuras espaciais, muita gente torce para vê-lo com armas na mão e salvando a Inglaterra das ameaças internacionais. Ele é o favorito dos fãs de James Bond para viver o 007 no cinema. Até Pierce Brosnan, que interpretou o agente secreto entre 1997 e 2002, gostaria de vê-lo na pele do espião mais famoso do mundo. Além disso, Elba seria o primeiro James Bond negro.

Na semana passada, escrevi porque seria bacana e importante vê-lo nesse papel, e como seria ainda mais significativo caso ele fosse negro e gay. Pessoas negras e homossexuais quase não possuem representatividade em Hollywood, de acordo com um recente estudo divulgado no começo de agosto. Em 2014, entre os 100 filmes de maior bilheteria, negros foram apenas 12,5% dos personagens. O número é pior ainda no recorte de sexualidade. Personagens LGB foram apenas 19 nas as 100 maiores produções, sendo a maioria, 84,2%, brancos.

Então, se 007 fosse negro, gay, ou ambos, seria uma grande vitória para a representatividade de minorias, afinal de contas, representatividade importa. Mas o escritor, Anthony Horowitz, responsável por escrever o próximo livro de James Bond, não gosta muito da ideia de Idris Elba como o agente secreto. “Para mim, Idris Elba é um pouco durão para o papel. Não é um problema com sua cor. Acho que ele é um pouco ‘das ruas*’ para o Bond. Essa é uma questão de ser suave? Sim”, afirmou o escritor ao The Daily Mail.

O termo utilizado por Horowitz para se referir, no original, é “street“. De acordo com o Urban Dictionary, a gíria diz respeito a alguém que “pertença à cultura urbana, underground, baseada no âmago do hip-hop, do skate, do bmx etc”. Portanto,apesar de dizer “não é um problema com sua cor”, podemos afirmar que o escritor soou um tanto racista em seus comentários, não?

O trabalho do ator é interpretar o personagem que lhe foi entregue. Todos podemos visualizar um personagem de uma determinada maneira, mas por que não fazer um movimento rumo à diversidade? Não é como se não faltassem obras que contemplem personagens femininos, ou negros, LGBT ou todos esses grupos em um único personagem. “Utilizar-se de diversidade num enredo deveria ser um curso natural na escrita e não uma ‘babaquice’, que é como muita gente define isso”, escreveu Lady Sybylla em seu blog, o Momentum Saga.

Em uma época em que muito se pede por uma variedade de narrativas, que fujam do visão do homem branco heterossexual e cisgênero, o comentário de Anthony Horowitz soa um tanto fora da realidade. Ou talvez seja bom para Idris Elba evitar o papel de James Bond. Como nota Christopher Hooton em seu artigo no The Independent, o próprio Daniel Craig, atual 007 dos cinemas, descreve seu personagem como “solitário” e “misógino”.

“O mundo mudou. Com certeza, eu não sou assim [machista e misógino]. Mas ele é. E o que isso significa? Significa que você escolhe grandes atrizes e faz grandes papéis possíveis para as mulheres nos filmes. Faça o melhor que puder, dada essa premissa velha e antiquada”.