Adele revela que já sofreu com depressão pós-parto; entenda o que é a doença

Perto de concluir sua turnê pela América do Norte, Adele sentou para uma entrevista com a revista Vanity Fair, para a qual é a capa da edição de dezembro.

Dentre os vários assuntos abordados, a britânica contou que prefere gravar álbuns a fazer shows (ela tem um conhecido pânico de subir ao palco), suas unhas postiças vão sumir ao final de sua série de apresentações, e que depilou sua perna pela primeira vez em um mês. E quando perguntada se seu namorado, Simon Konecki, não se incomodava com os pelos, a cantora deu a melhor resposta: “Ele não tem escolha. Homem nenhum vai me dizer para depilar minhas pernas. Depile as suas”.

E embora a entrevista toda de Adele para a VF valha totalmente a leitura, um ponto em particular vem chamando atenção: a revelação de que ela sofreu depressão pós-parto após o nascimento de seu primeiro e único filho, Angelo, em 2012, motivo que a leva a não engravidar de novo.

“Eu tenho muito medo. Eu tive uma depressão pós-parto muito ruim depois de dar à luz ao meu filho. Isso me petrificou”, admitiu. A voz de “Hello” também disse que não tomou remédios para tratar a doença, e que não contou a ninguém sobre o que estava passando.

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Embora o senso comum diga que o nascimento de um filho é o momento de maior felicidade para as mulheres, muitas não conseguem se sentir dessa maneira. Na verdade, de acordo com uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), 25% das mães brasileiras sofrem com a depressão pós-parto. E muitas delas, assim como Adele, também não compartilham sua condição com os maridos e familiares.

Embora as razões variem, dentre os motivos que levam as mulheres a não dividir o que estão sentindo estão o estigma sobre a doença, a pressão para serem boas mães e a vergonha de se sentir incapaz de cuidar do filho, sentimentos também vivenciados pela cantora britânica.

“Meu conhecimento sobre pós-parto – ou pós-natal, como chamamos na Inglaterra – era de que você não quer ficar com sua criança; você sente como se fosse machucá-lo; você sente que não está fazendo um bom trabalho”, comentou. “Mas eu era obcecada com meu filho. Eu me sentia inadequada, sentia como se aquela fosse a pior decisão da minha vida. Ela [a depressão] pode vir de diversas formas”.

É natural que muitas mães experienciem mudanças de humor após o parto, o chamado baby blues, que são ocasionadas pelas alterações hormonais no pós-parto. A condição é passageira e não precisa de tratamento. Contudo, sentimentos constantes de tristeza, angústia e perda da vontade de viver precisam ser observados, já que podem caracterizar a depressão. É preciso que a mãe divida e conte com o apoio das pessoas próximas a ela, inclusive de seu obstetra e o pediatra da criança, para que o diagnóstico e o tratamento com um psiquiatra seja iniciado, o qual provavelmente dependerá de uma medicação.

Embora Adele tenha relutado em buscar ajuda profissional, ela contou à Vanity Fair que conversar com outras mães, uma sugestão de seu namorado Simon Konecki, o apoio dele, e a iniciativa de dar um tempo a si mesma a ajudaram em seu processo de recuperação.

“‘Eu não vou sair com um bando de mães'”, ela disse a Simon Konecki na época. “E então, sem perceber, eu estava gravitando em torno de mulheres grávidas e de outras mulheres com filhos, porque descobri que elas eram um pouco mais pacientes […] Eventualmente eu disse: eu vou dar a mim mesma uma tarde livre por semana, para fazer o que eu quiser sem meu bebê. Um amigo disse: ‘sério? Você não se sente mal?’ E eu respondi: ‘sim, me sinto, mas não tanto quanto se eu não fizesse isso. Quatro das minhas amigas sentiam-se da mesma maneira, e todas tinham muita vergonha de falar sobre o assunto. Elas achavam que todos diriam que elas eram mães ruins, e esse não é o caso. Você se torna uma mãe melhor quando se dá um tempo”.

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