25 histórias sobre machismo em Hollywood que vão fazer seu sangue ferver

O machismo em Hollywood não é novidade para ninguém. Infelizmente, ele ainda é a norma. No Prosa Livre, ele já virou assunto recorrente, seja pela falta de oportunidades no cinema para as mulheres, seja pela redução das artistas a apenas um rosto bonito.

Contudo, já há algum tempo, as celebridades vêm se manifestado contra a desigualdade de gênero. E ao fazer isso, elas possibilitam que as mulheres que vivem realidades completamente opostas possam também ter a coragem para denunciar o preconceito ou até enxergá-lo, caso ainda não tenham feito isso.

Abaixo você confere uma lista com 25 histórias de machismo na indústria cinematográfica que vão fazer com que o seu sangue ferva:

Jessica Alba:

Uma das estrelas de “Quarteto Fantástico” e “Sin City”, Jessica Alba já teve problemas para ser escalada para determinados projetos. O motivo: a cor da sua pele.

“Eles não conseguiam identificar minha etnia. Eu era sempre a ‘exótica’. Eles diziam: ‘você não é latina o bastante para fazer uma latina, mas também não é branca o bastante para fazer uma protagonista. Então, você vai ser a ‘exótica’. Por isso, eu fiquei mais determinada ainda para me tornar uma protagonista, para mostrar às meninas que se parecem comigo, que nós podemos ser personagens principais”, ela disse em vídeo para o PopSugar.

Debra Messing:

Você pode achar que a aparência de Debra Messing é ótima, mas a verdade é que nem todo mundo concorda. Em 1995, enquanto filmava “Caminhando nas Nuvens”, o primeiro filme da atriz, o diretor Alfonso Arau, interrompeu as gravações para criticá-la.

“A gente começou a filmar e o famoso diretor gritou ‘corta’ e perguntou [à equipe] quanto tempo levava para conseguir um cirurgião plástico, pois o meu nariz estava estragando o filme. Eu estudei em Londres e estava muito bem-preparada com as minhas habilidades, e então eu entro no set de filmagem e isso acontece: eu fui reduzida a um nariz anti-Hollywood”, revelou a artista em uma conferência.

Reese Witherspoon:

“Há quatro anos, eu recebi um roteiro horrível. E esse ator o estrelava e havia o papel da namorada. Eu disse: ‘você só pode estar brincando comigo. Não, eu não estou interessada’. Eles disseram: ‘bem, tal atriz está querendo, aquela outra também’. Eram três ganhadoras do Oscar e duas mulheres que foram sucesso de bilheteria. Eu respondi: ‘é assim que estamos? Brigando pelo papel de namorada em uma comédia idiota? Eu precisava fazer algo”, contou Reese ao jornal The Guardian.

Além da falta de de papéis para mulheres, a atriz também estava preocupada com a quantidade desses papéis. Por isso, em 2012, ela fundou a Pacific Standard, uma produtora voltada para a realização de obras audiovisuais sobre mulheres. Com a empresa, ela fez dois filmes que chegaram a ser indicados ao Oscar: “Garota Exemplar” e “Livre”.

Amy Poehler:

Amy Poehler, além de atriz e comediante, também trabalha como produtora. E, sem surpresa alguma, o machismo também acontece atrás das câmeras.

“Eu tenho reuniões com homens muito poderosos e eles me perguntam sempre: ‘onde estão seus filhos? Seus filhos estão aqui?’ É uma pergunta muito esquisita. Nunca, nem em um milhão de anos, eu perguntaria para os homens onde estão seus filhos. Seria como eu perguntar para um homem: ‘você acha que vê os seus filhos o suficiente?'”, disse Amy à revista Fast Company.

Maggie Gyllenhaal:

Maggie Gyllenhaal possui mais de uma história para contar sobre como vivenciou o machismo em sua carreira. Uma das mais absurdas foi quando disseram que ela era velha demais para um papel.

“Tenho 37 anos e recentemente me disseram que era muito velha para interpretar a amante de um homem de 55 anos. Fiquei completamente surpresa. Primeiro me senti mal, depois fiquei aborrecida e finalmente dei risada”, relatou a atriz para o The Wrap em 2015.

Zoe Saldana:

No ano passado, em uma conversa com a revista Allure, Zoe Saldana recordou um comentário feito por um produtor: “eu contratei você para ficar bonita de calcinha e segurando uma arma”.

“Disseram-me ao entrar naquele projeto que queriam muito que eu ficasse com ele, e que qualquer ideia que eu tivesse, eu poderia dividir com eles. Foi isso o que eu fiz, mas esse produtor ficou tão incomodado com isso, que ele parou suas férias para me ligar e dizer que eu estava sendo uma vadia difícil”.

Jennifer Lawrence:

Um tema recorrente em Hollywood é a disparidade salarial entre homens e mulheres. Jennifer Lawrence, a atriz mais bem paga do cinema, virou uma espécie de rosto para essa discussão, isso porque ela recebeu menos do que seus colegas no filme “Trapaça”, em um caso que repercutiu na mídia. Tempos depois, ela escreveu um artigo sobre a situação.

“Quando os emails da Sony vazaram e eu descobri como eu ganhava menos do que as pessoas sortudas que nasceram com pintos, eu não fiquei brava com a Sony. Eu fiquei brava comigo mesma. Falhei como negociadora, porque eu desisti cedo. Eu não queria continuar a lutar por milhões de dólares que, por conta de duas franquias (“X-Men e “Jogos Vorazes”), eu não precisava. Se eu posso ser honesta comigo mesma, estaria mentindo se eu não dissesse que houve um elemento de querer agradar, o que influenciou minha decisão ao fechar o negócio sem lutar. Eu não queria ser vista como ‘difícil’ ou ‘mimada'”.

Mila Kunis:

Mila Kunis também foi outra atriz que resolveu se manifestar na internet. Por meio de um texto publicado no site de seu marido, o também ator Ashton Kutcher, ela relevou ter sido “ofendida, ignorada, mal remunerada e diminuída”.

“‘Você nunca mais vai trabalhar nessa cidade’. Um clichê, com certeza, mas foi isso o que um produtor me ameaçou ao me recusar posar semi-nua para a capa de uma revista masculina para promover nosso filme. Eu não queria mais me submeter a um compromisso inocente que eu até então havia consentido. ‘Eu nunca mais vou trabalhar aqui de novo?’ Eu fiquei pálida, me senti objetificada, e pela primeira vez na minha carreira eu disse ‘não’. E sabe de uma coisa? O mundo não acabou. O filme fez muito dinheiro e eu trabalhei de novo várias vezes”.

Ava DuVernay:

Ava DuVernay pode ter sido a primeira mulher negra a dirigir um filme com um orçamento de US$ 100 milhões e a primeira negra a ser indicada ao prêmio de Melhor Diretor no Globo de Ouro, mas isso  não significa que foi sempre assim. “Selma”, filme que a levou ao estrelato, foi oferecido a muitos homens antes de ser entregue a ela.

“Eu fui a sétima diretora que eles chamaram. Todos os homens antes de mim disseram ‘não'”, ela contou à CNN. Ainda assim, ela ficou animada com a perspectiva de trabalhar em um filme com orçamento de US$ 20 milhões. Mas ao revelar a notícia a um colega de profissão, ela ficou surpresa com a diferença de oportunidades entre homens e mulheres.

“Eu perguntei: qual filme você pegou?’, e ele disse: ‘Jurassic World'”, recordou a cineasta. Para se ter uma ideia, o orçamento de “Jurassic World” foi de US$ 150 milhões.

Cate Blanchett:

A nudez feminina é sempre algo discutível em filmes: ela é realmente necessária para a trama ou está sendo utilizada para vender a produção? Para Cate Blanchett, é preciso bater o pé.

“Quando o diretor diz que você precisa ficar com os peitos de fora em uma cena, eu digo: ‘tenho?’ Você precisa brigar e alegar o direito de desenvolver a personagem. As mulheres precisam se empoderar e pegar para si uma personagem que foi escrita de maneira clichê. Você não tem que interpretá-la desse jeito”.

Segundo um estudo do ano passado, as chances de ver uma mulher nua ou em roupas sensuais é muito maior do que ver homens nessa mesma posição.

Melissa McCarthy:

Premiada por seu talento na comédia, Melissa McCarthy viu seu trabalho ser desvalorizado por ela não ser ‘bonita o bastante’. Em 2013, um crítico de cinema a criticou por sua aparência em um filme e, em 2015, ele a elogiou por sua atuação em outra produção. De acordo com a revista Entertainment Weekly:

“‘[Eu perguntei] Foi você quem escreveu que eu era apenas uma boa atriz quando eu fosse mais atraente e que meu marido nunca deveria me dirigir porque ele me deixava parecer mais desleixada?’ Ele admitiu que sim. ‘Você diria isso para algum homem? Quando John C. Reilly, ou qualquer ator, interpretasse um personagem com depressão, você diria para ele que ele está horrível?’ Ela perguntou ao crítico se ele tinha uma filha. Ele disse que sim. ‘Cuidado com o que você fala para ela. Você diz a ela que ela só tem valor ou é válida quando ela está bonita?'”.

Geena Davis:

Geena Davis, que possui um instituto que luta por uma representação feminina melhor no cinema, contou ao jornal The Guardian que vivenciou uma situação muito desagradável com um diretor. Ele gostava muito de abraçá-la porque era a única chance que ele tinha para “senti-la”.

“Eu disse a ele: ‘OK, isso me deixou desconfortável’. E ele não parava de se defender, dizendo que era feminista e tal. Eu respondi: ‘não importa, eu não gostei disso. Lide com isso'”.

Patricia Arquette:

Patricia Arquette, a atriz que fez o memorável discurso no Oscar sobre a igualdade salarial (o que acabou fazendo com que ela perdesse trabalhos) sabe bem como funciona o machismo em Hollywood.

“Eu me lembro de um diretor dizer ao meu agente que seria ótimo que eu perdesse peso, mas desde que meus peitos não ficassem menores. Eu não queria perder peso e eu não perdi”, ela contou à revista Fortune.

America Ferrera:

E se a indústria cinematográfica já é difícil para mulheres, para mulheres que não são brancas, ela pode ser ainda mais cruel, conforme America Ferrera contou ao The New York Times.

“Eu tinha acabado de ganhar um prêmio no Festival de Sundance e meu empresário queria que eu fizesse uma audição para o papel de uma latina gordinha para um episódio piloto. Ela nem era a protagonista, apenas uma auxiliar que era a piada em todas as cenas. Eu disse que não queria e, quando eu o deixei, ele disse a um dos meus representantes: ‘alguém tem de dizer a essa menina que ela tem uma ideia irreal do que ela pode conseguir nessa indústria’. Essa era uma pessoa que eu pagava para me representar”.

Brie Larson:

Ganhadora do Oscar de Melhor Atriz em 2016, Brie Larson viu seu nome ganhar força. Mas antes disso, parecia que diretores de elenco só a queriam para um tipo específico de papel.

“Houve várias vezes em que eu ia para audições e os diretores de elenco diziam: ‘você está ótima, amamos o que você está fazendo, mas gostaríamos que você voltasse com um shorts jeans e salto alto’. Esses sempre foram momentos de decisão, porque não há motivo para que eu aparecesse de shorts jeans e salto alto, a não ser o fato de que você quer criar alguma fantasia, e você quer rejeitá-lo. Eu sempre rejeitei. Eles queriam que eu fosse sensual, mas um shorts e salto alto não fazem com que eu me sinta sensual. Eles me deixam desconfortável. Sempre que eu tinha que me decidir em situações como essa, de escolher usar um shorts, elas acabaram se tornando grandes momentos de confiança para mim”.

Jessica Chastain:

Jessica Chastain, que também criou uma produtora voltada para a criação de filmes feitos e sobre mulheres, já ouviu de um diretor que ela “falava muito sobre essas coisas de mulher”.

“Isso veio de uma pessoa que eu amo e, talvez, ele estivesse preocupado com a minha carreira. Eu não estou atacando ninguém, estou tentando criar mais inclusão, compaixão e empatia, o que torna os filmes e a arte melhores”, disse a atriz.

Viola Davis:

Viola Davis, ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante deste ano, está familiarizada com prêmios, já que sua personagem como Annalise Keating no seriado “How To Get Away With Murder” a levou a conquistar várias estatuetas douradas. Contudo, o papel da complexa advogada não era o tipo de personagem oferecido a ela – ou a qualquer mulher negra.

“Não havia, absolutamente, nenhum precedente para isso. Eu nunca vi uma mulher negra de pele escura, com 49 anos, que não é um tamanho 38, em um papel sexualizado na TV ou no cinema. Eu sou uma mulher sexual, mas nada na minha carreira indicou isso. Eu era o protótipo da empregada”.

E mesmo quando recebeu a oportunidade, ela teve de se lembrar que poderia fazer um trabalho maravilhoso.

“[Eu disse a mim mesma] ‘OK, esse é o seu momento de não se diminuir, de interpretar uma mulher que é sexualizada. Investigue para encontrar essa mulher e a coloque na televisão'”, revelou a artista à revista The Hollywood Reporter.

Gina Rodriguez:

Gina Rodriguez, protagonista de “Jane The Virgin”,  tem visto sua carreira decolar, arrumando trabalhos também no cinema. Mas como ela mesma recordou, a atriz também já foi objetificada em testes de elenco.

“Eu queria um papel e fiz uma audição para ele. Eles disseram: ‘nós amamos você. Mas você poderia voltar em um vestido preto justo?’ Eu disse: ‘isso não faz qualquer sentido para a personagem’. Eles responderam: ‘precisamos saber se você é bonita o bastante para ser capa de revista'”.

Laverne Cox:

Embora Laverne Cox esteja indo longe em sua carreira, descolando novos papéis a cada ano, ela ainda é uma das poucas mulheres trans trabalhando em Hollywood. E ela não pode, e nem consegue, representar toda essa população.

“Sempre tive consciência de que eu nunca representaria todas as pessoas trans. Nem uma, duas ou três pessoas conseguiriam. É por isso que nós precisamos de uma representação diversa na mídia de indivíduos trans, para que possamos multiplicar as narrativas trans, que mostrem as nossas belezas diversas”, escreveu a atriz em seu Tumblr.

Mayim Bialik:

Em 2014, um repórter não fez seu dever de casa e simplesmente assumiu que Mayim Bialik, a Amy Farrah Fowler, do seriado “The Big Bang Theory”, não era tão inteligente assim. Em uma entrevista realizada durante o tapete vermelho do SAG Awards, perguntou se ela conseguia resolver contas complicadas de matemática. “Eu fiz cálculos por muitos anos. Eu sou uma neurocientista”, ela respondeu.

E conforme o site Mic fez questão de lembrar: Mayim foi professora, escreveu um livro sobre hormônios e deu palestras sobre a importância do investimento em pesquisas de ciência e tecnologia. E você ainda pergunta se ela sabe fazer contas?

Scarlett Johansson:

E quando se trata de mulheres no tapete vermelho e em conferências, as perguntas, na maioria das vezes, dizem respeito à aparência das atrizes, do que sua inteligência e trabalhos. Scarlett Johansson sabe muito bem disso, já que foi questionada várias vezes sobre seus figurinos e sua rotina de exercícios.

Em uma das entrevistas que a artista fez para divulgar “Os Vingadores 2”, ela foi perguntada se precisou emagrecer para o papel de Viúva Negra, enquanto Robert Downey Jr., seu colega de elenco, sobre seu processo de composição do personagem Homem de Ferro. Ela não se controlou e disse: “por que você recebe essa pergunta existencial e eu recebo a pergunta sobre comida?”

Mindy Kaling:

E se você não entende o motivo para que as atrizes se chateiem tanto com perguntas sobre dietas e aparências, é porque elas são muito mais do que apenas um rosto bonito. Mas também não se atreva a perguntar a mulheres fora dos padrões de onde elas tiram a confiança para ser quem são.

“Sempre me perguntam de onde eu tiro a confiança. Acho que as pessoas até têm boas intenções, mas isso é muito insultante. Porque isso significa que: ‘Mindy Kaling, você tem todos os traços de uma pessoa marginalizada. Você não é magra, não é branca e é mulher. Por que você acha que você vale alguma coisa?'”. Talvez porque ela seja um ser humano que precisa e deve ser tratado com respeito?

Rose McGownan:

Rose McGowan possui uma longa trajetória na TV e no cinema, mas no começo da carreira teve de ouvir que era preciso arrumar certos aspectos de sua aparência se quisesse arrumar trabalho.

“Quando eu fiz meu primeiro filme, meu agente disse que eu precisava ter cabelo comprido para que os homens quisessem transar comigo e me contratar. Isso foi dito a uma menina de 17 anos”, contou a artista à revista Entertainment Weekly.

Lena Dunham:

Lena Dunham coleciona histórias de machismo em sua carreira, mas uma das mais absurdas ela revelou em sua newsletter, Lenny. Durante um jantar, um diretor mostrou a ela a foto do pênis de um colega dos dois. E a história fica ainda pior: ele queria que ela convencesse uma outra atriz a mostrar os seios no programa em que ele trabalhava, “ou pelo menos um pouco da vagina”.

Carey Mulligan:

Carey Mulligan, estrela de “Sufragistas”, é outra atriz que se incomoda com a falta de profundidade de suas personagens. Em conversa com o New York Times, ela disse:

“Algo que me deixa furiosa quando converso com diretores homens, e eu jamais citaria nomes, mas uma vez questionei uma edição e ele me disse: ‘bem, você não gosta dela’. E eu respondi: ‘bem, você não gosta muito das pessoas, e se você não mostrar os defeitos delas, você não está mostrando um ser humano de verdade. Então, pare de cortar as partes feias'”.

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